Queimar calorias sem sair do trabalho

Queimar calorias sem sair do trabalho

As calças já não apertam. À volta da cintura o inestético pneu começa a ganhar novas proporções. A balança não mente e o espelho torna-se o pior inimigo, ao revelar a verdade sobre os quilos a mais que já não dá para esconder.

Em Portugal são cada vez mais os que sofrem com excesso de peso e obesidade, fruto de uma vida desregrada, em que alimentação saudável e exercício físico não fazem parte da ementa. Foi para estes e para muitos outros, que justificam o sedentarismo com a falta de tempo, que uma equipa de investigadores da Clínica Mayo, nos Estados Unidos, decidiu lançar mãos à obra e criar um aparelho especial.

A ideia, que mereceu honras de publicação na revista ‘British Journal of Sports Medicine’, tem por base o pressuposto de que é possível, ao mesmo tempo, trabalhar e praticar exercício, o que permitiria reduzir o peso em cerca de 30 quilos por ano.

Tudo graças a um posto de trabalho que junta o computador à passadeira ou bicicleta estática. O objectivo é claro e meritório: promover um estilo de vida activo entre os trabalhadores que passam horas sentados numa secretária e inverter as estatísticas da obesidade, problema que se tornou, em todo o Mundo, uma autêntica epidemia.

De acordo com os especialistas norte-americanos, as intermináveis jornadas laborais e os inconvenientes para conseguir frequentar um ginásio não contribuem para que os cidadãos menos motivados comecem a participar em actividades físicas. Tudo isto poderia mudar ao unir trabalho e exercício, para que os dois se pudessem fazer ao mesmo tempo. E a resposta surge sob a forma de uma estrutura metálica que consegue suportar o computador, o teclado e rato e permite ainda alojar uma passadeira para correr ou apenas caminhar ou uma bicicleta como aquelas que se existem em muitos ginásios.

A novidade foi experimentada em 15 voluntários obesos, que não praticavam nenhuma actividade física e a quem foi medido o gasto energético em diferentes circunstâncias: sentados numa cadeira sem nada fazer, sentados à secretária a trabalhar e ocupando a máquina recém-criada durante duas ou três horas da jornada laboral.

LIMITAÇÕES A SUPERAR

“Que um dos nossos grandes problemas é o sedentarismo, quanto a isso não há dúvidas”, avança ao Correio da Manhã Carlos Oliveira, porta-voz da Associação de Doentes Obesos e Ex-obesos de Portugal (ADEXO).

No entanto, nem tudo são certezas quando se fala na engenhoca norte-americana. “Pode ser uma boa ideia, mas duvido que seja aplicável. Exige um investimento das empresas, que não acredito estejam dispostas a fazer, e depois há as questões mais práticas, como as dimensões do aparelho. Onde colocar?”

CUIDADOS COM A ALIMENTAÇÃO E EXERCÍCIO FÍSICO

CUSTOS

Estima-se que em Portugal 3,5 por cento do gasto total com saúde esteja relacionado com o problema da obesidade, com os custos totais a ascenderem aos 235 milhões de euros.

DIETA

Variedade de alimentos, comer várias vezes ao dia, de forma equilibrada e com moderação, sem esquecer as frutas e vegetais, são uma boa receita para uma dieta equilibrada.

DESANUVIAR

Dizem os especialistas que o exercício físico deve ter uma componente divertida, motivadora e servir ainda para desanuviar da rotina diária e dos problemas, para além de melhorar a saúde.

EMPRESAS

Em Portugal já há empresas empenhadas na luta contra a obesidade. Para ajudar foi criada, pelo Holmes Place, uma nova marca – Fitness Worx – dirigida, entre outros, às empresas.

NÚMEROS

300 milhões de pessoas em todo o Mundo são obesas, de um total de mil milhões que sofrem com excesso de peso.

200 milhões de cidadãos são afectados, na União Europeia, com excesso de peso ou enfrentam o flagelo da obesidade.

37% dos portugueses tem excesso de peso, num total de 3,8 milhões de pessoas. Ao todo, são 14,5% os obesos (1,5 milhões).

31,5% por cento de crianças portuguesas dos sete aos nove anos sofre com excesso de peso e 11,3% já é mesmo obesa.

50% da população mundial será afectada pelo drama do excesso de peso e pelas suas consequências no prazo de dez anos.

60 milhões de pessoas são obesas nos Estados Unidos, o que corresponde a 30 por cento da população daquele país.