A relação entre a boca e a postura

A oclusão dos dentes tem sido ponto de partida para diversos estudos científicos. Grande parte dessas pesquisas aponta para uma correlação entre a forma como os dentes da arcada superior (maxilar) se encaixam com os da arcada inferior (mandíbula) e a má postura corporal característica de um grande número de pessoas.

A relação entre a boca e a postura

A questão é complexa, mas é explicada pelas causas que originam uma oclusão dentária incorreta. O ocasional desnivelamento dos dentes, na verdade, é provocado pela ATM (articulação têmporo-madibular) quando ela apresenta problemas ou disfunções. Mesmo que a ATM não detenha nenhum dano interno, as pessoas que possuem dentes fora de lugar, ou tortos, fatalmente desenvolverão problemas na postura cervical.

As oclusões dentárias problemáticas resultantes de uma articulação têmporo-madibular desconexa, ou os dentes oblíquos, podem interferir em toda a estrutura composta pelos ossos interligados a esse conjunto.

O problema da má oclusão também acontece constantemente nos indivíduos classificados como respiradores orais, ou seja, aqueles que mantêm o hábito contínuo de respirar pela boca durante a maior parte do tempo. Pessoas que adquirem o problema podem apresentar não apenas transtornos vinculados à oclusão dentária, mas igualmente distúrbios do sono, modificações profundas das funções mastigatórias, deformações craniofaciais, e muitos outros.

Embora a parte mais acentuadamente afetada pela má oclusão seja a coluna cervical, a estrutura corpórea constituída pela coluna vertebral tende a seguir o fluxo do desvio padrão da parte superior do corpo. Logo, o indivíduo que detém o problema acaba ficando curvado. Gradativa, essa alteração da postura é cada vez mais evidenciada no decorrer dos anos.

Conforme divulgação dos estudos conduzidos pelos cientistas, a maneira como a mandíbula se articula determina como será o posicionamento da cabeça com relação ao tronco.

Essa constatação dos pesquisadores permite inferir que, ao solucionar os problemas inerentes aos respiradores orais e ao realinhamento da ATM, a postura corporal pode ser reequilibrada.

Tipos de má oclusão dentária

Existem seis variantes clássicas que caracterizam a existência do fenômeno da má oclusão dentária. Considerando que a classe I designa uma oclusão que está dentro dos padrões estabelecidos como normais, todas as demais apresentam problemas.

Assim, a oclusão de classe II é definida quando o maxilar se sobrepõe à mandíbula. Já na classe III ocorre o inverso, ou seja, é a mandíbula que se coloca à frente do maxilar. A denominada mordida cruzada, quarto tipo de má oclusão, é assinalada quando existe algum trecho em que o excesso de curvatura dos dentes da arcada superior para a face lingual (interior da boca) faz com que parte da mandíbula recubra o maxilar.

Enquanto isso, a mordida profunda é marcada pelo revestimento parcial ou total do maxilar com relação à mandíbula, na mordida aberta boa parcela dos dentes não entra em contato, e o apinhamento é determinado pela ausência de espaço suficiente para posicionamento de todos os dentes.

Principais fatores da má oclusão dentária

Boa parte dos casos nos quais os indivíduos possuem problemas de oclusão dentária provém de fatores genéticos, já que cerca de 40% decorre de influências hereditárias. No entanto, os 60% restantes estão atrelados a fatores ambientais.

Considerando as origens ambientais do problema, a má oclusão dentária costuma estar associada à perda prematura dos chamados dentes decíduos (popularmente conhecidos como dentes-de-leite), a oscilações da concentração hormonal, à uma nutrição inadequada, a alguns tipos de tumor, a péssimos hábitos durante a infância (uso excessivo de mamadeira, chupeta, etc), a disfunções orais provocadas por uma alimentação precária em sólidos e que não desenvolve a função da mastigação, e a distúrbios atrelados à respiração em geral, tais como a rinite, a sinusite, a adenoide, e muitos outros.

Como evitar a má oclusão dentária durante a infância

É importante observar que as transformações nas arcadas dentárias podem ser visualizadas já durante a formação dos dentes decíduos. Quanto antes a criança que apresente má oclusão dentária passar por um tratamento, melhores serão as chances de recuperação. Além disso, o problema da má oclusão dentária deve, sempre que possível, ser evitado.

Desse modo, é fundamental que o bebê receba o leite materno durante todo o período previsto para a lactação, ao mesmo tempo em que se deve evitar ao máximo a utilização de mamadeiras. Seguindo este mesmo princípio, a criança não deve ser incentivada a usar chupetas, tampouco a desenvolver o mau hábito de chupar o dedo.

Os pais também devem ficar atentos quanto à respiração da criança. Caso ela aparente ter alguma dificuldade, o ideal é buscar atendimento especializado de um fonoaudiólogo, ou de um otorrinolaringologista. Afinal, a respiração pode ser prejudicada devido a uma flacidez da massa muscular, ou em virtude do posicionamento incorreto da língua.

Quando atingir a idade propícia, é imprescindível que a criança receba alimentos sólidos e concernentes com a sua capacidade de mastigação, ato que deve ser estimulada desde cedo. Nessa fase, a criança precisa ingerir alimentos que impulsionem toda uma cadeia de movimentos, que trabalhará a articulação realizada pela mandíbula e a musculatura presente em toda a região.

Por fim, é igualmente recomendável que os pais, ou responsáveis, levem a criança ao consultório odontológico regularmente.

Como corrigir a má oclusão dentária durante a infância

Possíveis ajustes da oclusão

Para conseguir esse efeito, o dentista acaba com os obstáculos que estejam dificultando o contato apropriado entre os dentes das arcadas superior e inferior.

Mastigação correta

Nesse tratamento, o dentista concede orientações quanto aos alimentos que devem ser inseridos no cardápio da criança, além de explicar como devem ocorrer os movimentos da mandíbula, essencial para o pleno desenvolvimento das estruturas ósseas faciais. Mastigações inadequadas podem resultar em uma mordida cruzada, por exemplo, o que por sua vez pode interferir no desenvolvimento ósseo das faces do rosto.

Remodelação dos dentes decíduos

Nesse caso, o dentista promove os contatos considerados normais entre os dentes através da introdução de resina nos pontos falhos apresentados em toda a dentição. Esse recurso costuma ser muito utilizado quando a criança possui mordida profunda, ou cruzada.

Inclusão de aparelhos ortopédicos funcionais

Constituídos por fios compostos por material acrílico e aço, esses aparelhos são móveis, feitos para se ajustarem perfeitamente sobre os dentes superiores e inferiores.

O principal objetivo desses utensílios é favorecer a restauração de toda a estrutura dos ossos adjacentes à região foco do tratamento. Os aparelhos ortopédicos efetuam uma pressão tênue sobre os dentes, ossos, e conjunto muscular. O resultado é a reconstituição da funcionalidade orofacial.