Respiração no parto: Técnicas de respiração para o trabalho de parto

Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018

Exercícios e Técnicas de respiração para o trabalho de parto – Este é um processo que se aprende nas aulas de preparação para o parto.

Sucintamente, há três tipos de respiração que precisa de aprender e que vão ser necessários (pelo menos dois) durante todo o trabalho de parto.

Sempre que há uma contração, o útero e outros órgãos, comprimem o bebé e o cordão umbilical. Durante o tempo que dura a contracção, o bebé não recebe oxigénio.

prevenir-a-azia-durante-a-gravidez

Sempre que sentir que se aproxima uma contração (e garanto-lhe que vai sentir) respire profundamente, para que o bebé possa ter uma dose extra de oxigénio, tentando compensar a falta de oxigenação que vai ocorrer durante a contracção.

Imediatamente após a contração, inspire profundamente, de modo a que uma quantidade de oxigénio maior do que o normal seja fornecida ao seu bebê, suprindo a falta de oxigénio que ocorreu durante a contracção.

Esta respiração, além de ser a mais benéfica para o bebê, ajuda a descontrair a mãe entre as contrações, uma vez que tem algo em que se concentrar, o que ajuda a esquecer (pelo menos momentaneamente) a dor. Esta respiração é a adequada durante a fase de dilatação.

Quando se entra no período de expulsão, a respiração terá de ter um papel activo no trabalho de parto. O objectivo é expulsar o bebé, fazendo força. A tendência normal do corpo é suster a respiração, contrair os abdominais e fazer força na área que lembramos vagamente ser a da vagina. É um procedimento errado.

Suster a respiração só vai fazer com que o oxigénio que chega ao bebé, que já é pouco por causa das contrações, seja ainda menos. Contrair os abdominais só vai empurra o seu bebé na direcção oposta à pretendida (faça a experiência neste momento e verá que se contrair os abdominais a sua barriga sobe, quando o que queremos é que ela desça).

Fazer força na área da vagina ou do ânus não adianta de nada, só gasta forças preciosas que devem ser dispendidas correctamente.

Tente expirar profundamente, usando os seus pulmões e o seu diafragma para empurrar o seu bebé na direcção certa. Se fizer a experiência, verá que, caso esteja a respirar correctamente, a sua barriga desce.

Este exercício deve ser praticado durante as aulas de preparação para o parto e regularmente em casa, mas nunca mais do que 5 ou 6 vezes seguidas, e nunca em esforço, afinal de contas é só uma simulação.

Caso tenha tido sinais de início de trabalho de parto antes do tempo, não faça este exercício.

As duas formas de utilizar a respiração de que falámos são as que vai utilizar de certeza absoluta.

Há, no entanto, uma terceira forma, para quando as coisas correm de forma diferente.

No momento da expulsão, quando o médico vê a cabeça do bebé, certifica-se de que esta está na posição correcta (de nariz para baixo) e verifica se o cordão umbilical está enrolado à volta do pescoço.

Caso se verifique uma situação imprevista, e a cabeça do bebé não estiver na posição certa o médico vai precisar de alguns segundos para a redireccionar. Para isso, precisará que a grávida não faça força durante esse período de tempo. Isto é mais fácil de dizer do que de fazer.

Numa altura em que todo o corpo esta concentrado em fazer força, é muitas vezes quase impossível controlar esse impulso.

Quando o cordão umbilical está enrolado à volta do pescoço, cada contracção só vai fazer com que se aperte cada vez mais, podendo provocar asfixia, também neste caso o médico precisa de alguns momentos para o desenrolar.

A respiração certa pode ter um papel fundamental para impedir a parturiente de fazer força. Imagine que tem uma vela à sua frente.

Sopre rápida e levemente de forma a abanar a chama da vela sem nunca a apagar. Deixe sair o ar em pequenas quantidades, muito rapidamente, acima de tudo lembre-se, nunca apague a vela.

Há quem chame a esta respiração, a respiração de cão. (Quem já assistiu ao parto de uma cadela sabe porquê).

Estes exercícios deverão ser praticados durante a gravidez, especialmente durante as aulas de preparação para o parto, sem uma prática constante, na altura certa, a respiração descontrola-se, fazendo o papel oposto do pretendido.

Tenha em atenção que o médico ou a enfermeira parteira que a vai assistir não sabe que tipo de preparação teve a parturiente e, infelizmente, muitas grávidas não têm qualquer acompanhamento ou explicação dos processos de respiração.

É por isso vulgar, que lhe forneçam instruções opostas, ou pelo menos diferentes, das acima expostas (frase típica de uma enfermeira parteira durante o período de expulsão: Faça força como se estivesse a fazer coco). Utilize o seu bom senso, e lembre-se daquilo que aprendeu no curso de preparação para o parto.