Rosa Mota

Revisado por Andre a 10 dezembro 2018

Rosa Maria Correia dos Santos Mota, nasceu a 29 de Junho de 1958, no Porto. Cedo começou a correr pelas vielas da Foz do Douro. Não que gostasse de o fazer… Tinha apenas medo do escuro.

Rosa Mota Antes e Depois

Já durante o liceu, começou a praticar natação e ciclismo, as suas modalidades preferidas. Quando chegou a altura de optar por uma modalidade teve que escolher o atletismo, simplesmente porque era a modalidade que envolvia menos custos. Assim, em 1974 entrou para o Futebol Clube da Foz, mantendo-se no clube durante três anos.

Transferiu-se depois para o Futebol Clube do Porto, clube onde permaneceu até ter problemas de saúde, relacionados com asma de esforço.

Após sair do Futebol Clube do Porto, conheceu o médico José Pedrosa, que se tornaria no seu treinador. A partir de 1981 começou a competir com a camisola do Clube de Atletismo do Porto, clube que representaria durante toda a sua carreira.

Foi o seu treinador, José Pedrosa, quem depois de a curar da sua doença, a encaminhou para a maratona. A primeira maratona feminina disputou-se em 1982 no âmbito do Campeonato da Europa de Atletismo, em Atenas, e recriou o percurso originalmente feito pelo soldado soldado Fidípedes.

Nesta prova, Rosa Mota não começou da melhor forma e aos 10 quilómetros já levava um minuto de atraso em relação às atletas da frente. Num percurso de trás para a frente, conseguiu alcançar o duo de favoritas que ultrapassaria com alguma facilidade, entrando no estádio com 100 metros de vantagem. Rosa Mota sagrou-se assim campeão da Europa da Maratona.

Esta vitória de Rosa Mota revelou-se fulcral para o desenvolvimento do atletismo em Portugal, constituindo um verdadeiro marco para o fortalecimento do atletismo feminino no país.

Após o sucesso obtido no Campeonato da Europa, José Pedrosa passou a dedicar-se a tempo inteiro ao treino e ao acompanhamento médico de Rosa Mota. O objetivo seguinte de ambos foi a maratona de Roterdão. Esta prova revelou-se um autêntico passeio para a atleta portuguesa, que acabaria por vencer a prova com 15 de vantagem em relação à segunda classificada.

O 1º Campeonato do Mundo de Atletismo realizou-se em Helsínquia, em 1983. Rosa Mota começou bem a prova, mantendo-se no pelotão da frente, mas cairia para décimo lugar. Apesar de uma fantástica recuperação no final da prova, ficou-se pelo quarto lugar, sofrendo assim a primeira grande desilusão da sua carreira.

No mesmo ano, Rosa Mota participou na Maratona de Chicago, prova em que protagonizou uma luta hercúlea com a neozelandesa Anne Audain, que acabaria por sucumbir exausta perante tanto esforço, abrindo o caminho para a vitória da portuguesa. Neste prova, Rosa Mota recebeu o seu primeiro prémio monetário de relevo.

Os Jogos Olímpicos de 1984 ficaram marcados pelos conflitos que opuseram Rosa Mota e José Pedrosa e a Federação Portuguesa de Atletismo.

José Pedrosa não recebeu a acreditação do Comité Olímpico de Portugal e teve que entrar no estádio como jornalista da revista “Atletismo” e para poder continuar a ser acompanhada pelo seu técnico, Rosa Mota teve que trocar a Aldeia Olímpica pelo hotel da Nike.

Apesar de todas estas contrariedades, Rosa Mota conseguiu terminar a prova em terceiro lugar, arrecadando a medalha de Bronze. Desta forma, ela tornou-se a primeira mulher portuguesa a arrecadar uma medalha nas Olimpíadas.

Em 1984 voltou à Maratona de Chicago, prova em que teve como principal contrariedade as condições climatéricas adversas: chuva, vento e frio. A vitória e o recorde na competição valeram-lhe um elevado prémio monetário.

No ano seguinte voltou a Chicago, mas contrariamente às duas edições transatas, não conseguiria vencer, ficando-se pelo terceiro lugar. AS marcas obtidas pelas três primeiras constituíram recordes do mundo.

Em 1986 passeou-se pelo Campeonato da Europa, realizado em Estugarda vencendo com quatro minutos de vantagem em relação à segunda classificada.

No mesmo ano, Rosa Mota participaria numa das provas mais marcantes de sempre, a maratona de Tóquio. Ao longo da estrada, 500 mil japoneses assistiram à vitória da atleta portuense.

Em 1987 participou na Maratona de Boston, cimentando ainda mais o seu estatuto de maratonista de excelência. Seria a sua 7º vitória em 10 maratonas.

No Campeonato do Mundo de Roma de 1987, Rosa Mota apresentou-se num momento de forma incrível. Apesar do seu treinador lhe pedir constantemente para abrandar o ritmo, Rosa Mota continuou no seu passo acelerado, correndo isolada desde o quinto quilómetro. Terminaria a prova com 7 minutos e vinte e um segundos de vantagem em relação a Soya Ivanova, a segunda classificada.

Rosa, sagrava-se assim campeã do mundo.

Voltou a Boston em 1988, para arrecadar mais uma vitória confortável. Ganhou um Mercedes pela segunda vez, mas desta vez o governo português do pagamento das taxas para legalizar o carro em Portugal, o que lhe permitiu ficar com o veículo.

Rosa Mota chegou aos Jogos Olímpicos de Seul em 1988, com uma enorme pressão. As vitórias retumbantes que havia conseguido nos Europeus e Mundiais anteriores, levavam a crer que o único resultado desejável seria o Ouro. Contudo, Rosa Mota enfrentava a competição de adversárias temíveis como a alemã Katrin Doerre, que somava 13 vitórias, em 16 competições.

Com as principais favoritas ainda reunidas nos quilómetros, Rosa Mota desferiu o seu ataque ao quilómetro 38, partindo para a vitória isolada. Conquistou assim o ouro olímpico.

Nos anos que se seguiriam, somou novas conquistas: Maratona de Osaka em 1990, Maratona de Boston em 1990 (a terceira vitória consecutiva nesta competição), Campeonato da Europa de Split em 1990 e Maratona de Londres em 1991.

A sua última grande competição foi o Campeonato do Mundo de Tóquio em 1991. Esta competição ocorreu três meses após Rosa Mota ter sido operada a um quisto no ovário. A atleta apresentou-se longe da sua melhor condição física e foi forçada a desistir.

Entre 1982 e 1992, Rosa Mota participou em 21 maratonas, tendo ganho 14. A atleta foi agraciada com quatro ordens de mérito, atribuídas pelos Presidentes da República Ramalho Eanes e Mário Soares, entre 1983 e 1988.