Salpingite: Conheça as causas e os sintomas de inflamação nas trompas uterinas

A salpingite é um tipo de doença inflamatória pélvica (DIP) que envolve a inflamação das trompas de falópio. É uma das causas de esterilidade de origem tubária e aumenta as possibilidades de gravidez ectópica. Os sintomas podem ser vários, mas a maioria dos pacientes sintomáticos apresenta dor na região pélvica. O tratamento da salpingite é feito com antibióticos e anti-inflamatórios. A doxiciclina e a azitromicina são alguns exemplos.

Salpingite é A Inflamação Das Trompas De Falópio

Doença inflamatória pélvica

É conhecida como doença inflamatória pélvica a inflamação e infecção do trato genital superior. Pode afetar:

  • Endométrio (endometrite)
  • Miométrio (miometrite)
  • Trompas de Falópio (salpingite)
  • Ovários (ooforite)
  • Paramétrio (parametrite)
  • Peritônio pélvico (pelviperitonite).

É causada por bactérias da vagina ou do colo do útero que atingem algumas dessas estruturas e causam uma infecção. As mais comuns são a clamídia (Chlamydia trachomatis) e a gonorreia (Neisseria gonorrhoeae), ambas doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). Além disso, a infecção por um desses patógenos aumenta a transmissividade do HIV e outras DSTs.

Tipos

Existem dois tipos principais de salpingite, sendo diferenciados em:

  • Salpingite aguda: Apresenta os piores sintomas (febre, dor aguda na parte inferior, etc.).
  • Salpingite crônica: Pode passar despercebida (assintomática) e as ocasiões em que se manifesta são geralmente após o período menstrual.

Dependendo se afeta uma ou ambas as trompas, pode ser descrita como unilateral e bilateral, respetivamente. Aproximadamente 60% dos casos é bilateral, isto é, atinge as duas trompas.

Principais causas

A salpingite afeta geralmente mulheres em idade fértil e a sua incidência em mulheres sexualmente ativas é de 10-15%, já que uma das causas mais comuns de inflamação das trompas de falópio são infecções genitais, principalmente de transmissão sexual.

Na maioria dos casos, a salpingite é causada por um tipo de clamídia, a Chlamydia trachomatis. A infecção geralmente começa na vagina ascendendo posteriormente para o trato genital superior.

Outros possíveis patógenos que se transmitem por via sexual e causam esse tipo de inflamação são o gonococo (salpingite gonocócica) e alguns tipos de micoplasma.

30 a 40% dos casos de salpingite são de causa polimicrobiana e, entre os microrganismos causadores, podemos encontrar alguns da flora vaginal.

As bactérias também podem atingir o trato genital superior por meio de procedimentos médicos, como a colocação do Dispositivo Intra-Uterino (DIU) ou qualquer exame invasivo que seja capaz de arrastar microorganismos da flora vaginal. Alguns exemplos destas técnicas são o parto, o aborto, a biópsia do endométrio, histerossalpingografia e a histeroscopia.

Também pode ser transmitido por via hematogênica, como no caso da tuberculose. Se a infecção for causada pelo Mycobacterium tuberculosis, estamos falando de salpingite tuberculosa.

Fatores de risco

Existem algumas situações ou fatores que podem aumentar o risco do indivíduo sofrer de salpingite. As mais comuns são as seguintes:

  • Parceiro com uma infecção genital, especialmente gonorreia ou clamídia.
  • Cirurgia pélvica anterior.
  • O uso do Dispositivo Intra-Uterino (DIU)
  • Antecedentes de doença inflamatória pélvica.
  • Antecedentes de doença sexualmente transmissível.
  • Múltiplos parceiros sexuais.
  • Ter atividade sexual antes dos 20 anos.

Sintomas

A doença manifesta-se com o tempo, de forma variável, e pode demorar de 2 dias a 3 semanas ou mesmo meses depois de ter tido contato com o agente patógeno. O fato de existirem pacientes com a infecção que não apresentam sintomas facilita o contágio e a probabilidade das complicações serem maiores.

Os sintomas de salpingite podem variar em função do microrganismo causador, mas o mais característico é a dor na região pélvica.

Outros sintomas que podem ocorrer incluem:

  • Corrimento vaginal anormal com fluxo espesso.
  • Dores durante a ovulação.
  • Relações sexuais desagradáveis, desconfortáveis ​​e até dolorosos (dispareunia).
  • Febre.
  • Náusea e vômito.
  • Sangramento menstrual irregular.
  • Dor ao urinar (disúria), se acompanhada de uretrite (inflamação da uretra).
  • Vaginite.
  • Cãibras na região pélvica.

Complicações

Algumas das complicações que podem aparecer são:

  • Dor pélvica crônica.
  • Esterilidade de origem tubária.
  • Gravidez ectópica.
  • Doença inflamatória pélvica recorrente.
  • Abscesso pélvico com pus.
  • Septicemia ou infecção generalizada.
  • Afecção do fígado e apêndice.

Como é feito o diagnóstico

Para o diagnóstico são considerados os sintomas e o histórico sexual do paciente e realiza-se um exame físico. Através da ultrassonografia podem ser detetados os casos mais graves de salpingite. Quando necessário, é realizada uma análise microbiológica das secreções vaginais para detetar se há infecção por algum patógeno e sua identificação.

Geralmente quando o diagnóstico é feito cedo a inflamação melhora com a medicação. No entanto, quando o diagnóstico é tardio pode levar a complicações mais sérias que exigem um tratamento mais invasivo e têm maior probabilidade de deixar sequelas.

Como tratar a inflamação nas trompas uterinas

Como a inflamação geralmente é causada por um agente bacteriano, o tratamento de eleição é farmacológico, consistindo na admnistração de medicamentos à base de antibióticos e anti-inflamatórios para a dor. O antibiótico utilizado dependerá do microrganismo causador da infecção. Os mais comuns são a doxiciclina, azitromicina, eritromicina ou levofloxacina.

O parceiro da paciente também deve receber tratamento com antibióticos e é aconselhável que se evitem relações sexuais até uma semana após o final do tratamento.

Nos casos mais graves, quando o tratamento ambulatorial não é eficaz, pode ser necessária a internação da paciente.

Se a infecção das trompas de Falópio evoluir seriamente é necessário tratamento cirúrgico. A presença de um abscesso pélvico com acúmulo de pus pode exigir uma pequena cirurgia de drenagem. Nos casos mais graves, pode ser necessária a salpingectomia (remoção das trompas uterinas).

Salpingite, esterilidade e infertilidade

O fato de que uma grande porcentagem de mulheres apresente a infecção por clamídia com um quadro subclínico (sem sintomas), leva a que a infecção não seja tratada e se dissemine para o trato genital superior. Esses casos subclínicos são a origem da maioria dos casos de esterilidade (dificuldade de engravidar) de origem tubária.

A inflamação das estruturas das trompas de Falópio faz com que a permeabilidade destas seja alterada, provocando um obstáculo mecânico no trajeto do óvulo até o útero, o que dificulta o encontro com o espermatozoide. Portanto, impede a fertilização de ocorrer.

Além disso, em 50% das gravidezes ectópicas existe este antecedente clínico. Sabe-se também que cerca de 20% das mulheres que sofrem um aborto estão infectadas com clamídia. Portanto, é também uma causa de infertilidade (dificuldade em completar uma gravidez).

Se após o tratamento as trompas continuarem alteradas e existir desejo em engravidar, a indicação para estas situações é o tratamento de fertilização in vitro (FIV), já que com uma inseminação artificial, devido a esta alteração, não se conseguirá alcançar a gravidez. Para mais informações sobre este método de laboratório consulte o Guia O que é e como é feita a Fertilização In Vitro.

No caso em que a mulher engravida sem antes ter tratado a infecção por clamídia, existe o risto de parto prematuro e infecções no recém-nascido que podem causar conjuntivite e pneumonia.

Dúvidas frequentes

A salpingite pode causar muitas complicações?

Apenas em uma minoria de casos desenvolve peritonite ou abscessos pélvicos, manifestando-se com dores mais intensas e sintomas gerais como febre. Quando atinge este grau, por vezes é necessário recorrer à cirurgia para poder curar a doença, tendo que retirar as trompas e inclusive os ovários.

Nos casos mais graves, o evento pode contagiar outros órgãos abdominais, como o fígado ou até mesmo passar para o sangue (sépsis), colocando em risco a vida da mulher.

Existe algum tratamento natural?

Durante o tratamento recomenda-se repouso completo e seguir uma dieta leve. Uma ótimo remédio caseiro que pode auxiliar o tratamento indicado pelo ginecologista é a ingestão chá de tanchagem 3 a 4 vezes ao dia. No entanto, é importante a mulher entender que deve realizar sempre um tratamento com antibióticos, já que as complicações da infecção podem ser muito grave.

Os contraceptivos protegem contra a salpingite?

Apenas os contraceptivos de barreira, como preservativos, podem proteger contra doenças sexualmente transmissíveis, que são a principal causa da salpingite. No entanto, verificou-se que os contraceptivos orais reduzem a incidência destas: já que provocam um aumento na viscosidade do muco cervical, que impede a entrada de microorganismos. Por outro lado, como já mencionado no artigo, o DIU é um fator de risco para esta patologia.

Eu sou virgem, posso ter salpingite?

É muito raro que estas infecções ocorram sem ter havido intercurso sexual, mas sim, elas também podem ocorrer através de alguns procedimentos médicos, como a histeroscopia.

O que é salpingite ístmica nodosa (SIN)?

A salpingite ístmica nodosa consiste no espessamento nodular da porção ístmica das tubas uterinas, embora também possa afetar a sua totalidade. Trata-se de um processo progressivo e irreversível que causa infertilidade e um aumento do risco de gravidez ectópica. A causa exata desta alteração é desconhecida, embora seja provável que tenha origem inflamatória.

Leitura recomentada: Falamos sobre as DSTs como a causa mais comum de salpingite. Se quiser saber mais detalhadamente os tipos de infecções sexuais que existem, pode consultar o Guia aqui: Doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) em homens e mulheres.


Referências
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