San Pedro (Belize)

Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018

San Pedro é uma cidade localizada na parte sul da ilha de Ambergris Caye no Distrito de Belize, na América Central. De acordo com as estimativas de 2005, a cidade tem uma população de aproximadamente 12.400 habitantes. São Pedro ou San Pedro é a segunda maior cidade no distrito de Belize. Foi concedido o estatuto de cidade em 1848 e os seus habitantes são conhecidos como San Pedranos. Inglês é a língua mais falada, no entanto muitas pessoas falam espanhol. Uma das principais indústrias da cidade é o turismo, principalmente o mergulho. Assim, muitos visitantes são mergulhadores e existe mesmo uma câmara de descompressão hiperbárica na ilha (câmara de mergulho ou câmara submersível) , apesar da sua pequena população.

A maior parte dos cerca de 2000 habitantes de Ambergris vive em San Pedro, na extremidade sul da ilha, onde a barreira de recife está apenas a 800 metros ao largo e pode ser alcançada com umas boas braçadas. San Pedro é uma cidade pouco desenvolvida com um pequeno aeroporto onde aterram os visitantes e os locais mais ricos. Até aqui tudo normal. Mas daí em diante, o transporte é assegurado por…golf carts. Há dezenas deles a circular para cá e para lá, miniaturas sintomáticas da dimensão da cidade e do seu espírito humilde, o mesmo espírito que faz com que, durante o dia, muitos dos habitantes andem descalços e de tronco nu. Se dependesse apenas deles, em San Pedro, nunca haveria classe, requinte, luxo ou qualquer outra das preocupações superficiais que os resorts cultivam em pequenos enclaves. A população está mais virada para a sua barreira de recife, atenta ao tempo e ao estado do mar. É isso que determina se serão possíveis as saídas de mergulho e snorkeling dos dias seguintes; que condiciona a pesca, o aluguer de pranchas de wind-surf, de caiaques e dos barcos a motor e, acima de tudo, que decide a permanência mais, ou menos prolongada, dos visitantes na ilha.

San Pedro está disposta em redor de três ruas principais que antes se chamavam simplesmente Front street, Middle street e Back street mas que, apesar de serem ainda de terra batida e batidas por ventos que espalham areia por todo o lado, o turismo obrigou a que fossem baptizadas com nomes pomposos: Barrier Reef Drive, Pescador dr. e Angel Coral dr. Parece ter sido má ideia. Mesmo não estando assinalados em placas ou em qualquer outro lado, a população continua a usar os velhos termos. É entre estas ruas e o início da pista do aeroporto que se concentram quase todos os serviços da cidade, a apenas alguns metros uns dos outros. Nas casas de madeira de dois andares desta zona central, estão também as principais lojas, bares e restaurantes, bem como a igreja baptista. Era impossível perdermo-nos por aqui. Além de pequena, a cidade estende-se numa estreita faixa de terra encaixada entre o Mar das Caraíbas, a leste, e a lagoa de San Pedro, a oeste – esta sim, um labirinto de pequenos cayes, baixios e ilhotas que só os mais experientes conseguem navegar. Como se não bastasse, seguindo a tradição britânica, San Pedro parece ter sido construída a régua e esquadro.

Qualquer deslocação na área central pode facilmente ser feita a pé, mas para chegar aos resorts a norte e a sul da cidade são necessários veículos que tanto têm que ser terrestres como aquáticos. Para norte, o percurso é interrompido no fim da Pescador drive, onde surge um canal que é atravessado num ferry puxado à mão! (exactamente! Agarra-se numa corda e toca a fazer força!). Do outro lado, tem início um trilho estreito que conduz ao Journey’s End resort. Pode ser percorrido de bicicleta, mota ou, no máximo dos máximos, de golf cart. É um caminho habitualmente usado por quem vai almoçar ao Sweet Basil ou beber um copo ao Palapa Bar, refúgios da pequenez repetitiva de San Pedro. Daqui para cima, qualquer destino tem que ser alcançado de lancha e é nos barcos dos resorts que ali se instalaram, isolados de tudo e de todos, que os locais lá empregados vão, todos os dias, trabalhar. Pouco depois do nascer do Sol, sobem às docas privadas dos resorts e ficam à espera que os skippers de serviço apareçam. Ao fim do dia, voltam pelo mesmo processo, numa rotina do género 9 às 5 que só difere de todas as outras pelo meio de transporte e pelo cenário tropical maravilhoso em que se processa.

Uma Ilha Multi-étnica Num País Recém-nascido

Depois do fim da indústria do coco e da lagosta, os resorts, os bares e as agências de mergulho e excursões têm vindo a assegurar os rendimentos de muitos belizenses. Servir estrangeiros que enriquecem a olhos vistos à custa da beleza da sua terra natal não é a vida digna e independente com que sonhavam mas, enquanto as coisas não melhoram, é bem melhor que nada.

Para que a situação económica do país se componha, o governo aposta na educação e na formação patriótica das suas crianças. O Belize é um país quase tão jovem como algumas delas e, por isso, a consciência nacional é algo que tem que ser ensinado e incutido. Um dia de aulas normal começa com uma palestra do director da escola ou de um outro responsável, seguida do hastear da bandeira durante o qual, um enorme coro de alunos em fardas azuis e brancas entoa respeitosamente o hino. Só depois do ritual se dirigem para as salas de aula sombrias e apertadas.

A escola de San Pedro é um observatório perfeito da diversidade étnica que enriquece culturalmente este recanto caribenho que, apesar de pobre, atraiu e continua a seduzir gente de todo o mundo. Junto com descendentes dos longínquos Baymen, dos escravos africanos e de filhos de ambos, estudam crianças mestizas de origem mexicana, bem como outras, maias e chinesas, além de jovens descendentes dos americanos, canadianos e europeus que, entretanto, para aqui trouxeram as suas vidas.

PUP versus UDP

Mas, apesar das suas qualidades, é difícil agradar a todos e, ultimamente, Ambergris Caye tem vindo a gerar sentimentos opostos em quem nela vive e em quem a visita: o que é demais chateia e, ao mesmo tempo que cultivam a sua hospitalidade inata, os locais começam a ficar fartos dos estrangeiros que se instalam e tomam conta das melhores oportunidades de investimento turístico. Para muitos, Ambergris está a tornar-se demasiado descaracterizada, com resorts a mais. Basta, no entanto, comparar o seu total de 640 quartos disponíveis – tantos quantos os que existem num só dos inúmeros hotéis da vizinha Cancun – para chegar à conclusão que nada está fora de controle. Aliás, uma boa prova disso está em que, tanto os turistas como os locais, se queixam de que há demasiado tempo os anos passam e a falta de infra-estruturas permanece e, como é normal em qualquer democracia saudável, também por aqui há querelas políticas frequentes sobre a governação da ilha e do país.

Enquanto estive em San Pedro – em Março passado – tive o privilégio de presenciar a época de campanha eleitoral e a entrega oficial das candidaturas dos dois principais partidos às eleições locais. Foi uma autêntica festa. A cidade estava repleta de cartazes e faixas que cruzavam as ruas com questões, bem directas, ao PUP – Peoples United Party, o partido no poder: “Porque foi vendido o terreno do cemitério?” [a determinada multinacional]; “Onde tinha ido parar o dinheiro cedido pela comunidade internacional e canalizado pelo governo central para recuperação dos estragos dos furacões?” etc. etc. Num dos dias que lá passámos, uma pequena multidão de militantes e simpatizantes do PUP saiu em parada agitando bandeiras, a dançar e a entoar slogans e cânticos de apoio ao partido e à sua candidata. A pé e em vários golf cart foram percorridas as principais ruas da cidade num circuito que haveria de terminar com a entrega oficial da candidatura. Em seguida, foi a vez do UDP – United Democratic Party, cujo cortejo, bem mais modesto, se juntou, sem qualquer problema, às gentes do PUP, próximo da entrada da Assembleia Municipal. Ao contrário dos países vizinhos: México, Guatemala, Cuba entre outros, o Belize é conhecido pela forma pacífica e tolerante como, apesar da mistura de povos, culturas e religiões, tem vindo a a conseguir, muito lentamente, os seus objectivos. O mesmo se passou, quase sempre, com Ambergris Caye.

Barreira de Recife, o Tesouro da Ilha

À boa maneira britânica, há um certo fairplay generalizado que garante uma confraternização e estabilidade contínuas. O facto de a ilha, como o resto do país, não ter matérias-primas valiosas, ou poder de investimento, contribui para que a ambição seja comedida e não surjam os ditadores maquiavélicos que arruinam tantas outras nações. Por aqui só uma coisa é mais respeitada e valorizada que a democracia: a barreira de recife. Qualquer conversa toma rapidamente o tema preferido dos habitantes de Ambergris. Lembramo-nos perfeitamente de parte de um diálogo que tivemos com um jovem empregado de uma agência de mergulho: – “It’s all we’ve got, man. We gotta love it and protect it like a child!” Quando se encontram, os Sanpedrenses trocam incansavelmente as suas últimas experiências de mergulho nas diferentes zonas da barreira. Todas as noites, à volta da cerveja nacional – a Belikin – ou durante os intermináveis churrascos dos bares da Front Street, discutem, ao pormenor, o estado de determinada bolsa de corais ou onde detectaram nesse dia os maiores cardumes de barracudas ou tubarões-frade. A certa altura, ouvimos dois deles contarem, orgulhosos, que um iate americano tinha sido multado por ter encalhado e destruído uns poucos metros de recife. Os estrangeiros até podem perfeitamente retirar-lhes mais e mais porções da ilha, mas na barreira…isso não. Na barreira ninguém toca.

Paixões e romances de Verão à parte, é de Ambergris e deste povo humilde mas muito senhor do seu nariz, pobre, mas ciente dos seus valores que Madonna fala na canção.

Barómetro

+ A beleza da ilha, no geral, e em particular, da barreira de recife, bem assinalada a todo o comprimento de Ambergris Caye pela linha de espuma criada pela rebentação permanente das ondas no recife; o carácter afável e descontraído dos locais.

A poeira que voa nas ruas de San Pedro e a falta de infra-estruturas agravada pelos danos provocados pelos furacões Keith e Iris.

Como Ir

Não existem voos directos para o Belize. A viagem para Belize City tem que ser feita com ligação de Los Angeles, Miami, Houston ou Cancun. Depois, de Belize City, há aviões e barcos com saídas regulares para San Pedro.

Onde Ficar

Mata Chica Resort

Fica algo afastado de San Pedro mas tem uma praia deliciosa mesmo à frente e a barreira de recife também não fica longe. É conhecido pelo seu ambiente jovem e bem-disposto. Dois dias antes de passarmos por lá, tinha estado Cameron Diaz.

Banana Beach Resort

A sul de San Pedro, fica em frente a uma das melhores praias da ilha, mas nem por isso deixa de ter também uma piscina lindíssima. É uma das hipóteses com óptima relação qualidade/preço mas, tal como a anterior, está afastada da vida de San Pedro.

Ramon’s Village

Aqui está uma opção que oferece simultaneamente contacto com o mar e proximidade de San Pedro. É uma espécie de complexo que inclui cabanas, quartos normais, loja de mergulho e aluguer de embarcações, entre muitas outras coisas.

Onde Comer

Capricorn

Este restaurante de nouvelle cuisine é considerado um dos melhores em todo o Belize. Tem salas interiores ou num pátio com decoração alegre.

Mambo Restaurant

Serve refeições de estilo mediterrânico o que não é mau, se já não suportar o Rice & Beans local, ou estiver farto de marisco. A decoração consegue ser ainda mais tropical que o cenário em redor.

A Não Perder

Os churrascos organizados pelos bares de San Pedro; Reservas Marinhas de Hol Chan e Shark Ray Alley; O maravilhoso Atol de Turneffe; Parque Nacional e Reserva Marinha Bacalar Chico; As ruínas maias de Lamanai e Altun Ha e a selva de Maruba.

Fotos de San Pedro, Belize