Sangramento intermenstrual: o que é, quais as causas e como tratar

Conteúdo revisado por Drª Camille Rocha Risegato. Última Atualização: 23/06/21

O que é? O sangramento intermenstrual (metrorragia) é a hemorragia vaginal produzida no útero que ocorre entre os períodos menstruais da mulher, ou seja, fora do ciclo. A menstruação normal dura entre 3 e 7 dias, e o intervalo entre um ciclo e outro é geralmente de 24 a 35 dias. A perda de sangue que ocorre nesses intervalos é chamada de metrorragia. O diagnóstico é feito através da história clínica, exame físico, exames laboratoriais, ultra-sonografia e biopsia. O tratamento geralmente é realizado com hormônios e, dependendo da causa pode haver a necessidade de cirurgia.

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Sangramento Intermenstrual, O Que é, Quais As Causas E Como Tratar

Classificação

A metrorragia é classificada como orgânica e disfuncional. Orgânica é aquela produzida por uma alteração no corpo. As principais causas incluem: tumores benignos ou malignos, inflamações, doenças endócrinas, doenças cardíacas, doenças do sangue, distúrbios psíquicos, etc. As hemorragias genitais que ocorrem durante o primeiro trimestre da gravidez também estão incluídas na classificação “orgânica”.

Disfuncional é aquela produzida por alterações hormonais e inclui toda a perda de sangue uterina exibida sem a presença de lesões nos órgãos. Por exemplo, um exemplo disso é a “crise genital”, um sangramento uterino transitório que pode ser acompanhado por inchaço mamário e é produzido pela diminuição dos níveis de estrogênio placentário.

Outro exemplo é a perda leve de curta duração que ocorre após a ovulação, por vezes acompanhada de dor no baixo-ventre (hipogástrio).

Outra causa frequente de hemorragia ocorre durante a implantação do embrião no endométrio, devido à erosão produzida pelo trofoblasto sobre o tecido endometrial.

Causas

A hemorragia vaginal que ocorre entre os ciclos menstruais pode ter origem em várias doenças e distúrbios. Geralmente são de fácil tratamento e incluem:

Hiperplasia endometrial: Ocorre quando o endométrio (a capa mucosa que reveste o útero) aumenta excessivamente de tamanho, causando hemorragia. A causa mais comum de hiperplasia do endométrio é a existência de níveis elevados de estrogênio e a diminuição dos níveis de progesterona.

Miomas e pólipos uterinos ou cervicais: São tumores que crescem no útero. Geralmente são benignos e um dos sintomas é o sangramento vaginal.

Cervicite: Cervicite é inflamação ou infecção do colo do útero.

Lesões na abertura vaginal: Estas lesão podem ser causadas por um trauma, infecção, durante o coito, úlceras, pólipos e verrugas genitais.

Má função da tireoide: As mudanças e as alterações hormonais que o hipotireoidismo causa podem provocar  sangramento intermenstrual e outros distúrbios relacionados à menstruação.

Infecções sexualmente transmissíveis: Algumas doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), como a gonorreia ou a clamídia, podem causar lesões que originam hemorragias. Em muitos casos, após o sexo, as lesões pioram e o sangramento é maior e mais frequente.

Aborto não provocado: O aborto involuntário também causa sangramento vaginal, geralmente acompanhado por cólicas e presença de material tissular no sangue.

Gravidez ectópica: A gravidez ectópica ocorre quando o embrião se implanta fora do útero, causando hemorragia e um risco mortal para a mãe.

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Tratamentos e uso de hormônios: O início ou a suspensão de tratamentos com estrogênio, assim como o uso de pílulas anticoncepcionais, pode causar sangramento vaginal fora do período menstrual. O uso do dispositivo intra-uterino (DIU) também pode irritar a mucosa vaginal e produzir pequenas manchas ocasionais.

Efeitos da menopausa: Após a chegada da menopausa, os níveis de estrogênio caem drasticamente e ocorre secura vaginal, uma causa frequente de sangramento.

Problemas de coagulação sanguínea: As mulheres que apresentam problemas de coagulação e têm hemorragias frequentes, têm a possibilidade de sofrer metrorragia. O mesmo acontece naquelas que abusam de medicamentos anticoagulantes.

Câncer do útero, colo do útero ou trompas de falópio: Um dos sintomas de câncer em qualquer uma dessas zonas é o sangramento intermenstrual, embora no caso de câncer nas trompas de falópio seja raro ocorrer. A displasia do colo do útero, uma situação pré-cancerígena em que as células da superfície do colo do útero experienciam mudanças anormais, é também uma causa comum de ocorrência deste distúrbio.

Diagnóstico

É importante identificar se o sangramento vem da vagina e não do reto ou da urina. A inserção de um tampão (absorvente íntimo) é uma boa forma de saber se o problema está no colo do útero ou no útero, ou se está localizado em outra região, e ao mesmo tempo serve para verificar a quantidade de sangue e o nível de hemorragia.

O ginecologista necessita realizar vários testes e exames para diagnosticar a causa do distúrbio. O exame de sangue é usado para verificar os níveis hormonais. Outros exames que podem ser realizados incluem a ultra-sonografia, biópsia do endométrio, uma histeroscopia para visualizar os tecidos do interior do útero, um teste de gravidez, uma cultura cervical para verificar a presença de uma infecção sexualmente transmissível, ou o teste de Papanicolau para comprovar a presença de câncer do colo do útero.

Além de todos estes exames o ginecologista também pode solicitar um controlo diário por parte do paciente para saber os dias em que há sangramento e aqueles que não e, assim, concluir o diagnóstico.

Tratamento

O sangramento intermenstrual é o sintoma ou consequência de um problema ou uma doença, pelo que, o tratamento para parar a metrorragia dependerá do agente causador. Se a causa for um problema hormonal, relacionado com uma disfunção da tiroide, menopausa ou outra causa, o ginecologista pode recomendar o uso de progesterona ou estrogênio para equilibrar o nível de hormonas e evitar, desta forma, o sangramento vaginal. Também pode haver a necessidade da paciente tomar remédios para tratar infecções sexualmente transmissíveis.

Em alguns casos a metrorragia ocorre devido ao uso de contraceptivos ou o DIU, sendo que nestes casos, a única ação a tomar é remover o dispositivo ou trocar a pílula ou o método que está causando o sangramento.

Na presença de pólipos ou tumores é necessário recorrer-se à cirurgia. O mesmo acontece no caso de uma gravidez ectópica ou um aborto espontâneo, onde é necessário usar a cirurgia para evitar colocar em risco a vida a mãe.

Possíveis complicações da metrorragia

A maioria das complicações não ocorre devido ao próprio sangramento, mas sim pela causa que o provoca. Dependendo do agente causador, podem ocorrer mais ou menos complicações, sendo imperativo que, no momento em que ela ocorre, a mulher consulte o ginecologista para identificar a origem do problema.

Em algumas circunstâncias, o sangramento intenso podem levar a um estado de anemia que pode colocar em risco a saúde da paciente.

Como prevenir o sangramento intermenstrual

Não existe forma de prevenir a metrorragia. No entanto, podem ser realizadas algumas ações que ajudem a manter o controle sobre a menstruação e desta forma evitar que o problema que causa o distúrbio se prolongue e afete seriamente a saúde da mulher.

Realizar um registro dos ciclos menstruais e anotar todas as possíveis alterações (sangramento intermenstrual, sangramento excessivo, menstruação dolorosa, etc.) e partilhá-los com o especialista é uma metodologia que pode ajudar a identificar precocemente muitos problemas e doenças.

Autores
Drª Camille Rocha Risegato

Ginecologista e Obstetra - CRM SP-119093

Dra Camille Vitoria Rocha Risegato - CRM SP nº 119093 é formada há 14 anos pela Fundação Técnico Educacional Souza Marques, Rio de Janeiro.

> Consultar CRM (Fonte: https://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_medicos&Itemid=59)

Dra Camille mudou-se para São Paulo onde realizou e concluiu residência médica em Ginecologia e Obstetrícia (RQE nº 25978) no Centro de Referência de Saúde da Mulher no Hospital Pérola Byington em 2007.

Em 2008 se especializou em Patologia do Trato Genital Inferior nesse mesmo serviço. Ainda fez curso de ultrassonografia em ginecologia e obstetrícia na Escola Cetrus.

Trabalha em setor público e privado, atendendo atualmente em seu consultório médico particular situado na Avenida Leoncio de Magalhães 1192, no bairro do jardim São Paulo, zona norte de São Paulo.

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