Síndrome Indiana

Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018

Síndrome Indiana.

Índia, um país de extremos que se ama ou se odeia. Por isso mesmo, Régis Airault, psiquiatra francês, resolveu dedicar um dos seus últimos livros – intitulado Fous de l’Inde (loucos pela Índia) – às visões, alucinações e delírios, só para citar os sintomas mais comuns, que muitos ocidentais confessam sentir em viagens prolongadas pelo Oriente.

Todos sabemos que a Índia é um país de extremos. A cultura e a religião desempenham funções importantes e de muito Síndroma indiana peso na sociedade indiana e, muitas vezes, têm uma certa influência no comportamento de quem pensava ir apenas de visita ao país dos “Hindus“.

Para o médico psiquiatra francês Régis Airault, os viajantes ocidentais que decidam fazer viagens relaxantes e de descoberta de novas culturas na Índia correm o risco de amar ou odiar este país, pois difícil mesmo é ficar-lhe indiferente. No primeiro caso, a viagem começa por estar planeada para uma ou duas semanas mas ao chegar lá o fascínio é de tal maneira forte que esta depressa se prolonga por vários meses. Por outro lado, no extremo oposto, há quem não ache grande piada e acabe mesmo por antecipar o regresso.

“A síndrome indiana” é semelhante a um delírio, que se faz sentir quando do regresso a casa e caracteriza-se por fenómenos alucinatórios, mais ou menos, acentuados. Numa primeira fase, o turista ocidental é confrontado com o choque cultural. A verdadeira síndrome aparece bem mais tarde, com sentimentos delirantes e de perseguição”, diz o especialista.

Airault já observou por dezenas de vezes estes sintomas em pacientes seus em Bombaim, e não hesita: “Para os ocidentais, a Índia é um país muito peculiar, cheio de misticismo e calor, onde a morte está omnipresente. Até a alimentação aqui desempenha o seu papel.” Todos estes factores, aliados a uma cultura hindu muito “enraizada”, faz com que os turistas ocidentais adorem ou detestem as viagens à Índia. Contudo, o especialista francês faz questão em frisar que há outras pequenas síndromas que aparecem depois de viagens a outros locais que são místicos aos olhos dos ocidentais, como é o caso de Jerusalém.

Segundo parece, esta “síndroma indiana” – como lhe chama Régis Airault – não é recente. “Os britânicos já se interessaram por esta matéria. Parece evidente que os anos 60, com os hippies, e os anos 70 foram determinantes. Foi nesta altura que os ocidentais começaram a olhar para a Índia com outros olhos, era o verdadeira paraíso. Nesta altura, mais do que agora, a droga também participava e tinha um papel determinante neste aparecimento de alucinações e em toda a patologia”, defende.

Regra geral, os viajantes até trazem excelentes recordações deste país e mesmo aqueles que partem para a Índia depois de processos de crise pessoal à procura de uma “cura milagrosa” e de algum tempo para reflexão interior, parecem vir mais aliviados. “Na maior parte dos casos, eles até trazem boas recordações da viagem. Descrevem esse período como de crise ou como um momento de exaltação, de êxtase, onde esqueceram por completo todos os dramas que tinham largado no mundo ocidental. Alguns até acabam por falar numa certa nostalgia indiana. Contudo, há outros que se recusam a falar em tudo o que sentiram para não serem tomados por “loucos”.

É mesmo assim. Nas alturas de crise, em que nos apetece fugir de tudo e de todos, pensamos sempre em locais completamente diferentes daqueles a que estamos habituados, de preferência com ambientes, culturas e religiões completamente opostas às ocidentais. Isto porque mesmo quando achamos que há o risco de voltarmos desfasados da realidade, a sensação de que poderemos descansar, reflectir e arrumar as nossas várias prateleiras mentais acaba sempre por prevalecer. Daí que, com ou sem “síndroma indiana”, este tipo de viagem exerça um enorme fascínio na maioria das pessoas, ao ponto de muitas delas já irem com a ideia de que não vão com data certa para regressar ao seu meio e acabam por associar esta experiência a um processo de busca interior .

Ornamentos essenciais

Antes de agendar qualquer viagem à Índia, tome nota:
Os ornamentos em ouro são essenciais. Estão sempre presentes, sobretudo porque os indianos acreditam que este metal tem o poder de purificar tudo aquilo em que toca. Os acessórios em ouro são muito populares, apenas diferem consoante as castas, religiões e geografia.

–  Os acessórios, como acontece no mundo ocidental, são mais populares nas mulheres do que nos homens, sobretudo ao nível das pinturas corporais.

– Os brincos no nariz são muito habituais. É um dos símbolos da pureza e do casamento, apesar dos solteiros também os puderem usar.

– Os colares já abrangem todas as classes etárias. São comuns nas mulheres, dos 8 aos 80. Contudo há um muito especial – mangalasutra – apenas usado por mulheres casadas. É o equivalente à aliança nos ocidentais. As mulheres colocam este colar no pescoço na cerimónia de casamento e apenas o tiram quando o marido morre.

– Também as pulseiras têm significados especiais. São tidas como protectoras. Ouro, prata, madeira, plástico e vidro são os materiais mais utilizados. A maior parte das mulheres casadas usam pulseiras de vidro. Nalgumas regiões do país, as mulheres usam pulseiras de conchas (shakha) e de corais (paula), em cada um dos pulsos como símbolo de casamento.

– Finalmente os brincos. Populares em quase todo o território indiano. As orelhas das raparigas são habitualmente furadas antes do primeiro aniversário. Contudo, alguns acessórios são apenas usados nas orelhas por mulheres casadas. Por exemplo, no norte de Caxemira as mulheres suspendem brincos de ouro em fios vermelhos a partir de um buraco feito na parte superior da orelha. São os chamados ateheru.