Síndrome Mielodisplásica: o que é, sintomas e tratamento

A Síndrome Mielodisplásica (SMD) representa um tipo raro de câncer sanguíneo em que não existem células sanguíneas saudáveis ​​em número suficiente. A doença, também conhecida como mielodisplasia, pode afetar pessoas de qualquer idade, mas é mais comum em adultos com mais de 70 anos.

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Porque ocorre a doença?

Normalmente, o tecido esponjoso encontrado no interior dos ossos (medula óssea) produz:

  • glóbulos vermelhos para transportar oxigênio pelo corpo
  • glóbulos brancos para ajudar a combater infecções
  • plaquetas para ajudar seu sangue a coagular

De acordo com a Dr.ª Emília Cortesão, Hematologista Clínica do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, em indivíduos com a Síndrome Mielodisplásica a medula óssea não produz células sanguíneas saudáveis ​​em quantidade suficiente. Em vez disso a médula óssea cria células anormais, não estão totalmente desenvolvidas (imaturas).

Á medida que a doença progride, a medula óssea vai sendo gradualmente assumida pelas células sanguíneas imaturas, que não funcionam corretamente, diminuindo cada vez mais o número de células que conseguem entrar na corrente sanguínea.

A condição pode desenvolver-se lentamente (indolente) ou rapidamente (agressiva) e, em algumas pessoas pode evoluir para um tipo de leucemia chamada leucemia mieloide aguda (LMA).

Síndrome Mielodisplásica

Sintomas

Os sintomas apresentados dependem do tipo de mielodisplasia. Para a maioria das pessoas os sintomas são leves no início e pioram lentamente. Eles podem incluir:

  • fraqueza, cansaço e falta de ar ocasional (devido ao baixo número de glóbulos vermelhos)
  • infecções frequentes (devido ao baixo número de glóbulos brancos)
  • hematomas e sangramento fácil, como sangramento nasal (devido ao número reduzido de plaquetas)

Risco de desenvolvimento para leucemia

Algumas pessoas com Síndrome Mielodisplásica desenvolvem leucemia mieloide aguda (LMA), o que pode levar meses ou até vários anos antes que essa “transformação” ocorra. O risco da doença ocorrer depende do tipo de mielodisplasia e do número de células sanguíneas normais e anormais que o indivíduo possui.

Tratamento

O tratamento indicado pelo médico depende do tipo de mielodisplasia, do risco de desenvolver LMA, e se o indivíduo possui outras condições de saúde. O objetivo do tratamento é normalizar o número e o tipo de células sanguíneas na corrente sanguínea e controlar os sintomas.

Tratar os sintomas (tratamento de suporte)

Os sintomas da Síndrome Mielodisplásica muitas vezes podem ser controlados com a combinação de alguns tratamentos:

  • injeções de medicamentos com fator de crescimento, como a eritropoietina ou G-CSF – para aumentar o número de glóbulos vermelhos ou brancos saudáveis
  • transfusão de sangue – de glóbulos vermelhos ou plaquetas, dependendo de qual o paciente necessita
  • medicamentos para eliminar o excesso de ferro no sangue – que pode se acumular após muitas transfusões de sangue
  • antibióticos para tratar infecções – se a contagem de glóbulos brancos estiver baixa

Lenalidomida

O medicamento lenalidomida pode ser usado para tratar um tipo raro de SMD, denominado “deleção de 5q”.

Os indivíduos com deleção de 5q podem apresentar anemia grave (falta de glóbulos vermelhos), o que requer transfusões de sangue regulares. A lenalidomida é um tratamento conhecido como terapia biológica. É administrado em forma de cápsula e afeta o modo como o sistema imunológico funciona.

Azacitidina

A azacitidina é um fármaco conhecido como agente hipometilante, administrado através de injeção sob a pele. Por vezes é indicado em pessoas com tipos mais graves da doença e pode melhorar a produção de sangue e retardar o progresso da doença.

Quimioterapia

A quimioterapia é muitas vezes indicada quando existe a presença de um tipo de mielodisplasia que aumenta o risco de LMA. Envolve a ingestão de medicamentos que destroem as células sanguíneas imaturas, impedindo o seu crescimento. É administrada na forma de comprimidos ou injeções.

Imunossupressores

Imunossupressores são medicamentos (como as globulinas antitimócitos (ATGs) e a ciclosporina) que podem ser usados ​​para suprimir o sistema imunológico.

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Transplante de células-tronco (medula óssea)

O transplante de células-tronco (também chamado de transplante de medula óssea) é administrado após a quimioterapia. Envolve a substituição das células sanguíneas anormais por células saudáveis ​​de um doador. As células sanguíneas saudáveis ​​são alimentadas na corrente sanguínea através de gotejamento intravenoso.

Apesar de ser a principal forma de tratamento e ser capaz de curar a doença, não é adequado para todos.

Geralmente o transplante de medula óssea só é indicado em pessoas jovens e com uma saúde razoavelmente boa, por ser um tratamento muito invasivo.

Causas

Embora existam várias causas conhecidas para a síndrome mielodisplásica, na maioria dos casos a doença ocorre sem um gatilho identificável. Elas são chamadas de síndromes mielodisplásicas primárias ou “de novo” e são responsáveis ​​por aproximadamente 80 a 90 por cento dos diagnósticos.

Os casos restantes são classificados como síndromes mielodisplásicas secundárias e são originados ​​por danos no DNA sofridos durante o tratamento de um câncer anterior.

Embora não esteja totalmente claro como o tratamento de um câncer não relacionado cause o desenvolvimento de uma síndrome mielodisplásica, as pesquisas atualmente acreditam que:

  • A radioterapia ou quimioterapia podem danificar os genes responsáveis ​​por promover o crescimento celular normal ou suprimir o câncer.
  • Se um gene em uma das células-tronco do paciente (as células da medula óssea que são responsáveis ​​pela produção de células vermelhas e brancas do sangue) for danificado, a célula pode se transformar de uma célula normal e saudável para uma cancerosa.
  • Como a nova célula cancerosa tem danos em um gene que controla o seu crescimento, a célula pode produzir mais clones de si mesma do que o realmente necessário. Esses clones podem não ser capazes de produzir células sanguíneas saudáveis.

Em alguns casos, essas alterações genéticas também podem ser originadas por síndromes genéticas hereditárias, como a anemia de Fanconi, o síndrome de Shwachman-Diamond e o distúrbio plaquetário familiar. No entanto, muitas pessoas com essas condições nunca são diagnosticadas com a síndrome.

Autores
Dr Diogo Olive Gomes (Médico de família e comunidade e Homeopata - CRM/PR: 34.257)

Dr. Diogo Olive Gomes - CRM/PR 34.257

Medicina de Família e Comunidade - RQE Nº: 23995

Homeopatia - RQE Nº: 23996

Consultar > Currículo Lattes.

Profissional graduado há 10 anos, pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Com Residência Médica em Medicina de Família e Comunidade, pela Faculdade de Medicina da USP. E também com Título de Especialista em Homeopatia pela Associação Médica Brasileira.

Trabalhou como Auditor Médico pelo Exercito Brasileiro. Atua com Atenção Primária à Saúde na Saúde Suplementar, com experiência em atendimento de urgência e emergência, ambulatorial e domiciliar.

Hoje atua como Coordenador Médico de Ambulatório de Medicina de Família, dentro do Hospital da Cruz Vermelha - Regional Paraná. Atende também em Consultório Particular, como Homeopata. É diretor da Associação Médica Homeopatica do Paraná.

Também pode encontrar o Dr. Diogo no Linkedin, ou no Google.


Bibliografia
  • Dr.ª Emília Cortesão, Hematologista Clínica do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra
  • Myelodysplastic Syndrome Causes
    https://moffitt.org/cancers/myelodysplastic-syndromes-mds/diagnosis/causes/
  • What Causes Myelodysplastic Syndromes?
    https://www.cancer.org/cancer/myelodysplastic-syndrome/causes-risks-prevention/what-causes.html
  • Mayo Clinic
    https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/myelodysplastic-syndrome/symptoms-causes/syc-20366977
  • NHS
    https://www.nhs.uk/conditions/myelodysplasia/
  • Tua Saúde
    https://www.tuasaude.com/mielodisplasia/
  • NIH
    https://www.cancer.gov/types/myeloproliferative/patient/myelodysplastic-treatment-pdq
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