Sinéquias Uterinas: Diagnóstico, opções de tratamento e resultados

Revisado por Reinaldo Rodrigues (Enfermeiro - Coren nº 491692) a 14 dezembro 2018

O problema de infertilidade é uma realidade para muitos casais que intentam ter filhos.

As estatísticas são preocupantes e ilustram a gravidade da questão, uma vez que, de cada cinco casais, um é afetado pelo transtorno da esterilidade.

sinéquias uterinas

Do ponto de vista do corpo feminino, as causas que podem culminar na infertilidade são bem diversas.

A dificuldade para engravidar pode, por exemplo, ter sua origem vinculada ao útero, de onde surge a maioria dos problemas de fertilidade.

Com relação a esse órgão, uma das razões da esterilidade reside na presença das chamadas sinéquias uterinas, um tipo de cicatriz (chamada de aderência) resultante de lesões induzidas no lado interno do útero.

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Geralmente, essas contusões ocorrem em consequência de cirurgias cesarianas, intervenções que visam corrigir alguma anomalia da estrutura do útero ou excluir um mioma, endometrites, e devido à curetagem, que é realizada após o aborto com o intuito de remover possíveis fragmentos deixados depois da finalização do referido evento.

Foi o ginecologista alemão Heinrich Fritsch, em 1894, quem relatou, de forma pioneira, as sinequias.

Mas, foi muito depois, em 1948, que a síndrome de Ashermann (AS) veio à tona, caracterizada pela presença de uma sinéquia de grandes proporções no interior do útero.

Apesar dessa síndrome não costumar exibir sinais que possam identificá-la, a mulher pode apresentar oscilações nos períodos menstruais, particularmente a hipomenorreia, evidenciada pelo baixo fluxo de sangue durante a fase menstrual, e a amenorreia, identificada quando a mulher não menstrua.

Outras causas da síndrome são a esterilidade, e o aborto recorrente.

O último decorre do afunilamento da cavidade ocupada pelo tecido do endométrio, impossibilitando a fixação do embrião, e da incapacidade do útero em se expandir.

Esse tipo de aborto acomete de 15 a 50% das mulheres afetadas pela AS.

Cabe enfatizar que, mesmo quando a gestação não é interrompida, corre-se o risco de o bebê nascer prematuro, dentre outras complicações, como o acretismo placentário, e a placenta de inserção baixa (também chamada de placenta prévia), que pode provocar fortes hemorragias durante os primeiros instantes do parto.

Segundo os especialistas, ainda existe alguma controvérsia quanto à correlação direta do estado da cavidade do útero com a ocorrência de abortos recorrentes.

Por outro lado, há provas irrefutáveis de que as intervenções cirúrgicas que abrangem determinadas falhas, como as próprias sinéquias citadas, ampliam consideravelmente as chances de as pacientes obterem êxito ao tentarem engravidar.

Ao ter as sinéquias uterinas dissipadas, os médicos notam que as probabilidades da mulher retomar a fertilização são grandes. Porém, eles advertem que o grau de probabilidade é muito dependente da extensão e tipo das sinéquias, e da profundidade dos danos causados no interior do útero.

Características das sinéquias uterinas

Existem três tipos de sinéquias uterinas. A primeira é caracterizada pelas aderências tênues, que são revestimentos (totais ou parciais) constituídos pelo tecido do endométrio.

Já a segunda variante se refere às aderências de nível moderado; são as sinéquias fibrosas.

Neste caso, embora ainda exista uma camada de tecido endometrial, as sinéquias também são compostas por tecidos fibrosos e musculares.

Como essas camadas formam um conjunto espesso, a cavidade do útero costuma ser parcial ou totalmente obstruída.

Enquanto isso, a terceira versão de sinéquias contém as mais graves aderências.

Com grandes chances de bloquear a cavidade uterina, elas são formadas por um único tecido, mas extremamente espesso.

As sinéquias que são formadas a partir do tecido endometrial são as que possuem melhor prognóstico.

Aquelas sinéquias que pertencem ao segundo grupo, as fibrosas, são desagregadas somente com o auxílio de raios laser ou de um aparelho chamado ressectoscópio.

Contudo, por mais que o procedimento seja bem sucedido, as chances de reincidência do problema são grandes, comprometendo todo o processo de gestação.

Como exposto, a principal consequência provocada pelas sinéquias é o risco concernente aos problemas de infertilidade.

Essas aderências interferem no processo reprodutivo porque barram a passagem do esperma através dos óstios tubários, além de impedirem que o blastocisto se fixe no tecido endometrial.

Do total de mulheres que possuem patologia no útero, cerca de 25% detêm sinéquias na cavidade uterina.

Diagnóstico das sinéquias e opções de tratamento

O método mais usado pelos médicos para diagnosticar a presença de sinéquias é a chamada histeroscopia.

A preferência por esta técnica se deve ao elevado teor de precisão que a caracteriza.

Através da histeroscopia é possível obter uma variedade de pormenores sobre o problema, tais como o nível de adesão das sinéquias, a área total e exata recoberta por elas, e a constituição do revestimento.

Outro método é a histerossalpingografia, mas o seu potencial de diagnóstico é bem reduzido.

As sinéquias uterinas recebem tratamento simples ou complexo, o que varia de acordo com a gravidade e profundidade do problema. C

onsideram-se simples os casos nos quais as referências para tratamento são bem visíveis. Nessas circunstâncias, o tratamento pode ser executado no próprio consultório médico.

Os demais casos proporcionam risco de lesionar o útero. Logo, o tratamento é mais delicado e realizado através do uso concomitante de um laparoscópio e de um histeroscópio, ambos próprios para utilização em ambiente hospitalar adequado.

Por meio de um eletrodo de corte, as sinéquias são removidas através da energia bipolar. Também não está descartada a hipótese de se usar uma tesoura para o mesmo fim.

Os possíveis resultados

O tipo de cicatriz e o nível de sua gravidade são os fatores que determinarão o sucesso do procedimento de remoção das sinéquias.

Aquelas que são características da síndrome de Asherman, por exemplo, são detectadas sem grandes dificuldades devido à extensão do problema, mas são praticamente intratáveis.

Na maioria das vezes, o tratamento consiste em devolver à cavidade do útero sua forma e tamanho habituais, ao mesmo tempo em que o endométrio recobra sua função, sem a qual a gestação se torna impossibilitada.

Em contrapartida, sinéquias uterinas com espessuras razoavelmente afiladas são tratadas sem grandes complicações, apresentando, de uma forma geral, ótimos resultados posteriores à terapia.

O tempo médio necessário para a conclusão da cirurgia de restauração é de 30 minutos. Normalmente, a paciente é liberada do hospital no mesmo dia do procedimento.

Uma avaliação médica no pós-operatório apontará para a necessidade de reposição hormonal.

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Referências