Quais são os sintomas e sinais da gonorreia?

Revisado por Drª Camille Rocha Risegato. Publicado em 31 de janeiro de 2019

A maioria dos homens e mulheres com gonorreia não apresenta sintomas. Nas poucas situações que ocorrem normalmente acontecem 2 a 14 dias após uma relação sexual desprotegida com alguém que tenha a infecção. Micção dolorosa acompanhada de ardor, corrimento vaginal anormal, e sangramento entre os períodos menstruais são algumas das principais manifestações da Neisseria gonorrhoeae.

Considerada uma das doenças sexualmente transmissíveis mais populares, a gonorreia pode apresentar os seus primeiros sinais 2 dias após o contágio. No entanto, esse período pode se estender até cerca de 14 dias. Como se trata de uma condição médica bastante comum, é importante que a população conheça os principais sintomas da gonorreia, de forma a ser tratada rapidamente.

A infecção é provocada pela ação da Neisseria gonorrhoeae, uma espécie bacteriana que habita as regiões anal, peniana e vaginal. Nos casos em que a infeção é negligenciada, o indivíduo pode ser acometido por consequências graves. Existe, inclusive, o risco de ele sofrer uma inflamação na região pélvica, além da probabilidade de se tornar infértil.

As manifestações variam entre homens e mulheres. Por essa razão, é importante conhecer as principais diferenças, apresentadas a seguir.

Quais São Os Sintomas E Sinais Da Gonorreia

Gonorreia na mulher

Antes de mais nada, é importante salientar que boa parte das mulheres não manifesta sintomas. Contudo, eles podem aparecer sob a forma de:

  • corrimento esbranquiçado ou com coloração amarela (com um tom similar a de uma secreção purulenta);
  • dores na garganta e adulteração da voz — após a realização de sexo oral;
  • incontinência urinária;
  • ardência ou incômodos doloridos ao urinar;
  • inflamação da região anal — após a execução da prática sexual nessa área;
  • inchaço das glândulas que lubrificam a região vaginal.

Na mulher, o não tratamento da gonorreia pode impedi-la de engravidar (esteralidade) ou ainda provocar uma gravidez ectópica — quando a gestação ocorre em uma área externa do útero. Em outros casos, a paciente pode sofrer uma dor crônica na região da pélvis.

Gonorreia no homem

Uma vez que tenha sido contaminado com gonorreia, o homem tende a exibir os primeiros sinais em até aproximadamente 3 dias. As manifestações são as seguintes:

  • estado febril;
  • elevada frequência da micção;
  • ardor ou dores durante o ato de urinar;
  • inchaço da região anal em virtude de sexo nessa área;
  • desconforto na garganta ou alteração da voz após a realização de sexo oral;
  • presença de uma secreção amarelada (aspecto parecido com as secreções purulentas).

Nos homens, a ausência de uma terapia apropriada pode causar a impressão de que há um peso extra no pênis. Outra consequência é a incontinência urinária. Como deu para entender, as consequências costumam ser bem mais graves na mulher, que pode fica estéril.

Gonorreia em Recém-nascidos

Além disso, a mulher que desenvolve os sintomas da gonorreia, mas não trata a doença, pode ainda contaminar o feto. A transmissão acontece durante a saída do bebê num parto normal (vaginal), aumentando o risco do recém-nascido desenvolver a conjuntivite gonocócica.

Esse tipo de conjuntivite é marcado pelo inchaço e acentuada concentração de pus nos olhos. Caso não receba o tratamento recomendado, o quadro pode se agravar ao ponto de culminar em uma cegueira.

Esse cenário já é preocupante num indivíduo adulto, piorando ainda mais nos casos de um recém-nascido. Afinal, trata-se de um ser ainda totalmente indefeso, em que o seu sistema imunológico ainda não se desenvolveu totalmente.

Essa conjuntivite é extremamente desconfortável e dolorosa para o bebê, que mal consegue abrir os olhos devido ao desconforto. Perante consequências tão drásticas, a gestante deve ser monitorada de perto durante todo o pré-natal.

Para eliminar a gonorreia durante a gravidez, é necessária uma terapia medicamentosa com antibióticos. O tempo exigido para a finalização do tratamento dependerá da avaliação médica. Caso a infecção esteja apenas restrita à área da vagina, a adoção de antibióticos de única dosagem costuma ser bastante efetiva.

As variedades antibióticas que podem ser receitadas para tratar a gonorreia são descritas abaixo:

  • cefotaxima 1g;
  • ofloxacina 400 mg;
  • espectinomicina 2 mg;
  • penicilina;
  • ceftriaxona — solução injetável na região muscular 250 mg;
  • tianfenicol granulado 2,5 g;
  • ciprofloxacina 500 mg.

Nos casos em que a infecção é diagnosticada na futura mãe, é de vital importância que o parceiro seja igualmente tratado em conjunto. E, assim como em todas as infecções sexualmente transmissíveis, a prática sexual também deve ser suspensa. Essa interrupção precisa ser mantida enquanto o casal estiver em tratamento. O intercurso sexual só deve voltar à rotina quando houver a certeza de que a gonorreia está totalmente curada.

Quando aparecem, os sintomas da gonorreia são relativamente fáceis de identificar. Logo, não há razão para serem ignorados. Além disso, o tratamento oferece uma taxa de cura bem elevada, o que é mais uma razão para procurar ajuda médica o quanto antes.

O ginecologista (no caso das mulheres), urologista (no caso dos homens), infectologista, e clínico geral, são os especialistas que deve procurar.

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Referências
  • Planned Parenthood
    https://www.plannedparenthood.org/es/temas-de-salud/enfermedades-de-transmision-sexual-ets/gonorrea/cuales-son-los-sintomas-de-la-gonorrea
  • CDC
    https://www.cdc.gov/std/spanish/gonorrea/stdfact-gonorrhea-s.htm
  • Ministério da Saúde
  • Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos (Medline Plus)
  • Mayo Clinic, clínica de referência médica nos Estados Unidos
Autores
Drª Camille Rocha Risegato

Ginecologista e Obstetra - CRM SP-119093

Dra Camille Vitoria Rocha Risegato - CRM SP nº 119093 é formada há 14 anos pela Fundação Técnico Educacional Souza Marques, Rio de Janeiro.

> Consultar CRM (Fonte: https://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_medicos&Itemid=59)

Dra Camille mudou-se para São Paulo onde realizou e concluiu residência médica em Ginecologia e Obstetrícia (RQE nº 25978) no Centro de Referência de Saúde da Mulher no Hospital Pérola Byington em 2007.

Em 2008 se especializou em Patologia do Trato Genital Inferior nesse mesmo serviço. Ainda fez curso de ultrassonografia em ginecologia e obstetrícia na Escola Cetrus.

Trabalha em setor público e privado, atendendo atualmente em seu consultório médico particular situado na Avenida Leoncio de Magalhães 1192, no bairro do jardim São Paulo, zona norte de São Paulo.

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Última atualização da página em 09/08/19