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Solidariedade no casal

Publicado em 01/07/2010. Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018

Solidariedade no casal

O marido e a mulher sofrerem uma perda, mas ele não põe em dúvida a sua valia pessoal e ela sim, ele não sofre de nenhuma alteração hormonal e a ela sim. A ele corresponde-lhe, por tanto, solidarizar-se, acompanhar, desculpabilizar. Os pais e os familiares não podem fugir a esta obrigação, eles têm de proteger e mimar esse membro da família que se encontra débil, mesmo que não influenciem muito a sua auto-estima.

Ela sente que o carinho dos seus é incondicional, mas que o seu companheiro talvez esteja aborrecido. Às vezes a frustração não se supera completamente até que se produza nova gravidez, que pode ainda viver-se com muito mais ansiedade. Principalmente, até que se ultrapasse esse fatídico momento em que a maternidade anterior ficou interrompida.

Mistura de sentimentos

No aborto, como em qualquer perda, os sentimentos comuns de dor misturam-se com outros inerentes às circunstâncias pessoais: a última oportunidade quando a mulher é mais velha, a tábua de salvação se a relação do casal não é boa…

Como podemos ajudar

As pessoas que rodeiam uma mulher que aborta têm de ter em consideração que esta mulher está a passar por um sofrimento muito grande. Para a ajudar a sair deste sofrimento, são aconselhadas as seguintes normas:

Tentar que desabafe, que chore, que dê largas à dor. Falar com ela sem retirar importância ao acontecimento.

Impedir que se culpe. Se, como acontece muitas vezes, se desconhece a causa, evitar que ela procure em supostas condutas pessoais ou em heranças genéticas familiares a causa do aborto.

Preparar-lhe encontros com outras mulheres que sofreram a mesma experiência. Tomar um café com uma vizinha que abortou há já uns anos pode ser um óptimo remédio.

Se tem algum filho, tal pode ajudá-la a concentrar-se na sua maternidade.

Animá-la e aumentar-lhe o número de actividades agradáveis: sair, ir ao cinema, viajar, jantar com amigos…

caso a tristeza não desapareça, aconselhá-la a uma consulta com um psicólogo.

Não convém dizer

Nunca devemos pensar que o sofrimento é menor porque o que a mulher perdeu era algo desconhecido e com quem não tinha tido a oportunidade de se afeiçoar.

Numerosos estudos demonstraram que se torna muito mais doloroso e mais difícil de esquecer um bebé a quem nunca se pôde tocar nem ver. Existe uma melhor aceitação da dor quando se conheceu a criança, se acariciou, se embalou.

Sobretudo, convém não lhe dizer que o que ela perdeu era apenas um embrião. Provavelmente ela já tinha escolhido o nome e até o infantário, para a mulher tratava-se do seu filho, único e irrepetível.

Não se deve dizer que já tem outros filhos. Esse argumento não consola e produz o efeito contrário: sente-se só e incompreendida perante a sua dor.

Não procuremos responsáveis com o fim de evitar que ela se sinta culpada. Também não podemos confirmar as possibilidades e hipóteses que a ela lhe passem pela cabeça («Se não tivéssemos atrasado a visita ao médico para ir ao casamento…Se não tivesse trabalhado tanto nesse fim de semana…»).

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