Sorte na Vida

Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018

A sorte sorri a todos os que sabem reconhecê-la. Se passar à sua porta agarre-a em pleno voo e aproveite a fortuna. Eis algumas regras de ouro para não deixar escapar a sua boa estrela.

Considera-se uma pessoa com sorte, uma “sortuda” ou mais do género “senhora catástrofe”? Se pertence à primeira categoria, sem dúvida que aprendeu a agarrar a sua sorte. Se, pelo contrário, considera ser uma azarenta, ou nem uma coisa nem outra, saiba que pode mudar de campo. Porque a sorte não é um dom caído do céu sobre alguns eleitos: trabalha-se para ela, mesmo que os afortunados nem sempre o reconheçam.

Daí que seja necessário ousar acreditar na sua boa estrela para prender a sorte a partir do momento em que ela se lhe apresente. Um programa nem sempre evidente. Eis as grandes tácticas a desenvolver para, um dia, também poder dizer: “Tenho muita sorte.”

Reconhecer a sua sorte

Não, não é uma vítima a quem nunca acontece nada de bom. Para ter sorte, é preciso, antes de tudo, ter fé na sua boa estrela. Comece por fazer uma curta análise pessoal. Passe em revista os acontecimentos felizes de que soube tirar partido no passado: esses encontros fortuitos que modificaram o curso da sua existência (amor, vida profissional, amizades); esses pequenos golpes de mão do destino que tudo mudaram, como o caso daquela proprietária que decidiu, após alguma insistência sua, alugar-lhe o apartamento com que sonhava. Teve sorte, é verdade. Mas sobretudo, teve suficiente presença de espírito para a apanhar na altura certa.

Nada de bom nem de mau vem só. Pare com os fatalismos. “É necessário suprimir os pensamentos negativos da sua mente”, explica Marie Haddou, psicóloga. “Deverá banir do seu vocabulário expressões como ‘só a mim’, ‘de qualquer modo, nunca tenho sorte’, ‘nunca ganho’.” Pensar de modo positivo é ver a vida pelo lado bom e ganhar confiança em si mesma. Esta atitude ajudá-la-á, igualmente, a manter os seus sentidos alerta e a estar preparada para o que der e vier.

Seguir a intuição

A maior parte das boas decisões tomam-se impulsivamente. Nunca chega a tomar uma decisão, costuma hesitar? Coloque a si mesma as questões que a preocupam. O simples facto de as formular liberta uma imensidão de ideias e de novos pensamentos. Deixe vagabundear a sua mente e fie-se na sua intuição, que não deixará de a colocar no bom caminho. Atribua à sua voz interior a confiança que merece e siga a sua inspiração: ela orientá-la-á na boa direcção.

Ultrapassar o receio de falhar

Quem deixa passar ao lado a sua sorte são, normalmente, grande tímidos que não conseguem “atirar-se para a frente”. O medo de falhar em tudo leva-os a fecharem-se nas suas conchas. Em resultado desta falta de audácia, falham as oportunidades que se lhes oferecem.

Incapazes de valorizar as suas competências, têm poucas oportunidades de conseguir uma progressão na carreira. Ou então, receando uma rejeição, evitam telefonar à pessoa de quem gostam e que muito lhes agrada.

Se está consciente da sua timidez e que sofre por ser assim, não hesite em violentar-se e ousar. Ultrapasse as suas inibições e pare de criar “catastrofismos”. Arrisca-se a enganar-se? Sim, claro, mas quem não arrisca não petisca.

Uma boa receita: em vez de elaborar cenários negativos que a/o bloqueiam, passe à acção sem reflectir demasiadamente. Aperceber-se-á de que as suas crenças não eram infundadas. Lance a si mesma/o pequenos desafios pessoais para retomar confiança em si: apresente as suas razões ao seu chefe, entre numa loja e negoceie um preço diferente para um artigo que lhe agrade.

Não dar ouvidos aos outros

Quem melhor a conhece do que você mesma? Quem, melhor do que você, sabe o que mais lhe convém? Diante de um dilema, as mulheres têm, muitas vezes, tendência para falar dele com quem a rodeia. Maridos, colegas, irmã, mãe, amigas: cada cabeça sua sentença, e as diferentes opiniões deixá-la-ão mais baralhada.

Se precisa mesmo de um conselho exterior, coloque a questão apenas a uma pessoa, mas àquela que for realmente competente na questão que a preocupa. É inútil pedir opinião à sua mãe sobre uma eventual promoção se ela nunca entendeu verdadeiramente em que consiste o seu trabalho. E sobre a táctica a adoptar para conquistar alguém, nada como pedir conselho a uma amiga a quem nunca faltaram companhias encantadoras.

Atire-se à oportunidade

Pesar prós e contras constitui uma boa atitude, mas não serve de nada tergiversar. Enquanto reflecte, a oportunidade talvez se cumpra a favor de outra pessoa, que soube ser mais rápida. Saiba decidir-se antes que seja tarde demais. O ideal é fixar um prazo e não o adiar sob nenhum pretexto.

Se o seu chefe lhe propuser mudar de cargo e lhe disser que tem até terça-feira à tarde para lhe dar uma resposta, marque para si mesma um prazo mais curto: segunda-feira de manhã, por exemplo. E não mude de opinião, mesmo que tenha decidido numa base de cara ou coroa.

Finalmente, se hesitar em aceitar um encontro elegante, oferecido por um potencial namorado, estipule um prazo ultracurto (quinze minutos) para lhe dar uma resposta. Adoptará assim uma atitude transparente em relação ao convite, se precisar de se desmultiplicar em evasivas.

Cultive um pensamento positivo
Abaixo as ideias fúnebres. A sorte sorrir-lhe-á se acreditar verdadeiramente nela. Aprenda a afastar ideias negativas e a reflectir de modo mais positivo. Eis algumas frases prontas a usar para convertê-la numa optimista.
Nunca diga…
Sou uma incapaz
Nunca tenho sorte
Só a mim
Que desgraça
Nunca chegarei lá
Não sou verdadeiramente dotada
Isto nunca resultará
Substitua-as por…
Já consegui fazer mais difícil do que isto
É preciso confiar
Não acredito
Que maçada
Faço o meu melhor, por isso chegarei lá
Vou insistir
Chego lá se me derem os meios para tal

A opinião da especialista Manuela Cruz, Psicóloga Clínica

Por que razão há pessoas que não acreditam que têm sorte?
Se a pessoa é normalmente pessimista, vai fazer uma leitura fatalista da vida e vai sentir-se vítima de tudo que lhe acontece. Estas pessoas transformam a sua vida e a dos que lhes estão próximos num verdadeiro calvário. Estão sempre a colocar a responsabilidade dos seus fracassos ou acontecimentos trágicos à pouca sorte.

Acreditam que há um determinismo contra o qual nada podem fazer. Esta atitude favorece o desinvestimento na vida e na construção de um projecto de vida próprio. Transforma-as em espectadoras dos acontecimentos da sua própria vida. Normalmente são pessoas frágeis, com traços masoquistas e/ou tendências depressivas.

No limite, podem acabar por desenvolver depressões graves em que a própria vida deixa de ter sentido. É bom não esquecer que a existência não é um acumular de factos. Não há caminhos, fazem-se caminhos. É isso que torna a vida aliciante.