Sri Lanka – Viagens

Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018

Sri Lanka, Viagens ao Paraíso Adiado.

Como uma gota de terra, a ilha do Sri Lanka escorregou do sul da India para o Oceano. De uma beleza imensa mas nem sempre pacífico, o antigo Ceilão alterna os cenários de guerra com os do paraíso.

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Para além da Taprobana, é como nos sentimos, deitados na areia branca das praias, com os guarda-sóis verdes dos coqueiros em fila por trás, um mar pacífico e morno na frente. Seja ou não este o extremo da terra referido n’ Os Lusíadas, é aqui que apetece ficar para sempre, interrompendo os passeios nas praias com umas visitas a palhotas estrategicamente colocadas no caminho, onde rapazes morenos e sorridentes, de sarong comprido com desenhos de barquinhos e estrelas do mar, nos servem bebidas frescas e petiscos.

Espreitamos os enormes lagartos varanos que percorrem a areia sondando o ar com uma língua comprida, à procura de peixe morto e outras podridões, verdadeiros funcionários da limpeza, eficientes e ecológicos. Um coco fresco, iogurte de leite de búfala com kitul (açúcar de palma líquido), e a fome é substituída por uma agradável experiência gastronómica.

De manhã e ao fim da tarde, os barcos dos pescadores são estacionados na praia, miúdos chegam em cabriolas e livram-se dos uniformes escolares azuis e brancos antes de competirem em mergulhos ruidosos. E o tempo está sempre bom, até quando chove.

No dia em que nos fartarmos do paraíso, poderemos sempre rumar da costa para o interior. A cidade de Kandy foi a capital de um irredutível reino cingalês, que manteve sempre uma posição de resistência em relação aos invasores, não permitindo um estabelecimento definitivo na zona, mesmo depois da conquista do restante território da ilha.

A exclusividade no comércio de especiarias, que os portugueses combinaram no século XVI com o reino de Kotte, e o domínio sobre o terceiro reino da ilha – o de Jaffna, no Norte – não impressionou minimamente os habitantes de Kandy, que ainda hoje é considerada a capital espiritual do país. Aqui fica o Dalada Maligawa, conhecido por Templo do Dente, por ser essa a relíquia de Buda guardada e venerada no seu templo principal.

Fortaleza Sigiriya Rock

Dizem. Mas também há quem diga que os malvados dos portugueses o levaram e destruíram, em Goa, num dos seus ataques à cidade. Os cingaleses só não nos odeiam porque muitos deles também se chamam Silva, “Perera” e Almeida – e também porque a seguir tiveram de aturar os holandeses e os ingleses. Os primeiros trataram de arrasar quase todos os vestígios portugueses, deixando pouco que fazer aos ingleses, que se dedicaram então a plantar o chá que cobre as montanhas do centro da ilha.

A paisagem é magnífica, do Pico de Adão, onde Buda deixou as suas pegadas, até aos socalcos que ocupam as partes mais baixas deste “hill country”. O nevoeiro dos montes dá lugar aos espelhos de água dos arrozais que ocupam as planícies. Pelos campos espalham-se as manchas brancas das “dagobas”, a versão cingalesa das “stupas” indianas e dos “chortens” tibetanos: monumentos em forma de sino, que guardam quase sempre relíquias de Buda ou de monges importantes, simbolizando, ao mesmo tempo, o cosmos.

Galle

E, se no Templo do Dente são os dançarinos e tocadores de tambor que anunciam com pompa a “puja”, a hora das oferendas, junto aos pequenos templos das aldeias é mais comum ver agricultores afadigados na lama com os seus búfalos, numa “puja” natural à terra.

Berçário de elefantes

Mas o animal mais prezado em Kandy é o elefante. O Dalada Maligawa possui um, treinado e sagrado, que vai sempre na frente da magnífica “perahera”, o desfile anual de Esala em honra dos deuses protectores da cidade, devotos servos de Buda. A uns oitenta quilómetros da cidade, em Pinnewala, há mesmo um orfanato onde se pode assistir ao banho diário dos paquidermes no rio e à alimentação dos mais bebés, com biberões sucessivos que perfazem quinze litros de leite por petiz.

O manto cor de açafrão dos monges parece ter sido inventado para contrastar com a paisagem, intensa e reluzente. Longe da cidade de cimento de Colombo, a moderna capital, tudo é harmonia e beleza. Os jardins e as sebes são florestas de hibiscos, árvores da canela e rescendentes flores de frangipana. E numa pequena aldeia perto de Kandy fica um exemplo a seguir, prova suprema de que esta ilha luminosa já foi quase o paraíso: o duplo templo de Lankatilaka, cuja entrada pela frente dá acesso a um templo budista, e a de trás a um templo hindu, ambos no mesmo edifício.

Para conhecer a história do país é imprescindível visitar Anuradhapura, que foi capital durante mais de mil anos – sem contar com algumas pequenas interrupções -, entre o século IV a.C. e o século XII. Para escapar à contínua ameaça que era a proximidade da costa indiana, de onde chegavam sucessivas invasões, a corte acabou por mudar para Polonnaruwa, mas também esta cidade seria abandonada por causa das incursões tamil vindas do Sul da Índia.

A parte boa da história é que, num e noutro lado, os sucessivos soberanos deixaram as suas capitais dotadas de verdadeiras orgias arquitectónicas, sobretudo de carácter religioso: templos, dagobas, estatuária, etc. E se o país transborda de imagens de Buda, deitados, em pé, sentados, tridimensionais ou pintados sobre as paredes dos templos, estas duas cidades têm alguns dos mais belos exemplos para mostrar.

Isto para além de fantásticas ruínas de palácios, como o Brazen, em Anuradhapura, do qual só restam as suas mil e seiscentas colunas, ou o Palácio Real de Polonnaruwa, com a sua sala de audiências decorada por dezenas de elefantes em diferentes posições.

Com a independência, em 1948, o Ceilão dos portugueses retomou o seu nome original de Lanka, juntando-lhe Sri, que significa resplandecente ou auspicioso. Luminosa é a ilha, mas os auspícios poderiam ser melhores, se a antiga harmonia entre Buda e os deuses hindus voltasse ao país.

Ouro Verde – O chá é o principal produto de exportação do Sri Lanka.

Quem não conhece o chá do Ceilão? Para os apreciadores, é considerado um dos melhores chás do mundo. O Sri Lanka é o maior exportador mundial de chá, sendo este, juntamente com o turismo, as pedras basilares da sua economia. No entanto, o que viria a ser o seu “ouro” só chegou aqui no século XIX, quando uma epidemia devastou as extensas plantações de café existentes.

O centro da ilha em redor de Kandy é, hoje, quase uma enorme plantação contínua, de Matale a Ella. O seu clima de eterna Primavera, húmido e temperado, está relacionado com uma altitude que chega a ultrapassar os mil metros, e as colinas trabalhadas em socalcos estão cobertas pelo verde vivo do chá. Esta era a área preferida dos ingleses, a última potência europeia dominante, para fugirem aos calores da monção. Com eles chegaram o chá, as casinhas tipo cottage e muitos trabalhadores tamil, mais fáceis de convencer a trabalhar por tuta e meia do que os cingaleses locais.

As árvores do chá são mantidas baixas (cerca de um metro), de modo a facilitar a colheita. A cota mínima diária, por pessoa, é de sete quilos. Com a ajuda de enormes varas que poisam sobre os arbustos, as mulheres tamil escolhem as folhas mais tenras, que crescem acima dessa fasquia, e deitam-nas no grande cesto que carregam às costas. Seguidamente as folhas são levadas para fábricas processadoras, onde são secas e esmagadas, dando origem a um processo de fermentação que pára com o aquecimento artificial das folhas.

vários tipos e qualidades de chás, com sabores e preços correspondentes. Os que crescem abaixo dos seiscentos metros são considerados menos saborosos, mas com mais corpo; acima dos mil e duzentos metros, a planta cresce mais devagar e o sabor é mais subtil. O normal é fazer uns “vintage” de exportação, misturando vários tipos de chá. São muitas as fábricas que oferecem visitas às plantações e centros de produção, algumas até com venda e prova. Mas convém avisar os verdadeiros apreciadores: os países produtores de chá não são os que melhor o fazem.

Perguntas Frequentes

Localização Geográfica: O Sri Lanka é uma ilha do Oceano Indico, muito próxima da ponta Sul da costa indiana.

Perigos: Os turistas são os únicos inocentes a salvo. Apenas não devem aventurar-se a norte de Anuradhapura, território tamil, onde os confrontos entre estes e o exército são mais frequentes.

Língua: a língua oficial é o cingalês; a língua local, em algumas zonas, é o tamil; a língua mais corrente é o inglês, que quase todos falam, até os mais jovens.

Moeda: a rupia cingalesa.

Qual a melhor epoca do ano para viajar para o Sri Lanca

Não é fácil evitar a monção, até porque há duas: uma, de Maio a Agosto, que traz chuva para o Sudoeste da ilha, e outra, de Outubro a Janeiro, que traz a chuva para o Norte e o Leste. Assim, Agosto e Setembro devem ser os meses mais razoáveis para visitar a ilha do Sri Lanka. As temperaturas mais altas chegam em Junho e não ultrapassam os 35 graus. No centro, a Primavera é eterna.

Locais a Não Perder

Basicamente, não deve perder as praias do Sul, as montanhas do chá em Ella, a cidade de Kandy, o orfanato de elefantes de Pinnewala, e as cidades históricas de Anuradhapura e Polonnaruwa. Se tiver tempo, vale a pena visitar as pinturas do rochedo cidade de Sigiriya, o primeiro templo budista da ilha em Mihintale, a cidadezinha histórica de Galle, e ainda subir ao Pico de Adão e fazer, a pé, um circuito entre os templos de Embekke Devale, Lankatilaka e Gadaladeniya, através dos arrozais.

O que Comprar

Os artigos mais populares são os batiks e as máscaras que imitam as dos dançarinos de Kandy. Também são famosas as pedras preciosas de Ratnapura e objectos de cestaria.

Onde Comer

Geralmente, a melhor aposta é comer na pensão ou hotel onde fica, encomendando com antecedência se não tiver restaurante permanente. Na zona das praias há cabanas sem nome onde se come bem — até fish & chips é possível encontrar. Por todo o país, os restaurantes oferecem o prato nacional, o caril de legumes, carne ou peixe, acompanhado por um arroz que sabe melhor do que o que cheira (geralmente, a coco velho).

Mas atenção: os caris do Sri Lanka devem ser dos mais picantes de toda a Ásia – realmente “fogosos”! Fale com o cozinheiro sobre o seu estômago sensível e previna-se com uma tigela do excelente (e gordo) iogurte de búfala, muito mais eficiente do que água. Não perca os hoppers feitos de massa de panquecas ou de aletria; dois hoppers com ovo são uma refeição.

Como Viajar

O visto para um mês de estadia é obtido à chegada, no aeroporto. Os voos de Portugal têm o preço de cerca de 917 euros com a companhia aérea Condor, Ukraine International a partir de Lisboa ou 1027 euros com a mesma companhia aerea se partir do Porto. Os transportes públicos, comboio e autocarro, são perfeitamente razoáveis para percorrer a ilha.

Hoteis e local onde ficar

A escolha é imensa e abrange todos os preços. Aconselhamos a que não fique em Colombo, viajando imediatamente para Negombo, onde a Rainbow Guest House é muito recomendável, ou imediatamente para uma praia do Sul; por exemplo, Tangalla, onde fica, entre outras, a familiar Santana Guest House.

É muito comum ficar em casa de famílias, que alugam os quartos extra e facilitam assim o convívio com o cidadão comum da ilha. Em Anuradhapura, recomenda-se a Tourist Holiday Home e, em Polonnaruwa, o Gajaba Hotel. Em Kandy, fica o clássico, embora um pouco decadente, Hotel Old Empire, bem perto do Dalada Maligawa.

O Melhor e o Pior

+ a beleza indescritível da ilha, do ponto de vista natural e também dos monumentos religiosos.

– a hora de saída das escolas, quando centenas de diabinhos cercam os turistas pedindo dinheiro, canetas, ou qualquer outra coisa que vejam. São mais irritantes e insistentes do que em qualquer outro país do mundo!

Uma jóia em forma de lagrima perdida no sul da Índia, Um maravilhoso compêndio da criação humana que reúne inúmeros encantos aos quais ninguém consegue escapar: Testemunhos de reinos desaparecidos, tradições e lendas vivas, grandes praias de areia branca, uma vegetação exuberante a transbordar de palmeiras e plantações de chá, um mosaico do Oriente onde se vive e desfruta do seu povo num espirito de paz e tolerância.