Tapada Nacional de Mafra

Revisado por Andre a 28 outubro 2018

A Tapada Naciona de Mafra constitui um valioso património natural e cultural de caracteristicas únicas na região de Lisboa, onde de um vasto conjunto de espécies de animais, com especial relevo para os veados, gamos, javalis, raposas e aves de rapina, coexiste harmoniosamente com uma flora diversificada (Pinheiros, Sobreiros, Carvalhos, Plátanos, Ulmeiros, Medronheiros, Pilriteiros, Etc.).

Criada em 1747 por ordem de D. João V, a então Tapada Real de Mafra foi, ao longo dos séculos, privilégio dos nosos monarcas como local de eleição para o lazer e para a caça, o que lhe foi conferindo o cunho próprio que ainda hoje a caracteriza. As chamadas tapadas do meio e de fora entram em decadência com a morte do último Rei, D. Carlos. A vida da tapada ganhou novo fôlego na década de 40, sob a administração de D. Segismundo Saldanha, mas nos anos 70 voltou a decair.

Caçada do Rei D. Carlos

Monteiros e Secretários da Casa Real (Foto gentilmente cedida pelo Eng. Miguel Vasconcelos Guisado)

Chalé D. Carlos

Arma do Rei D. Carlos

Em 1991, uma concessão atribuida á empresa nacional de desenvolvimento agricola e cinegético permitiu assegurar a reimplantação de habitats naturais de aves e cervídeos e a recuperação dos terrenos e pastagens.

Na Tapada Nacional de Mafra, a caminhar por entre as serras, encontras gamos e javalis no meio da natureza. Vem descobrir a bicharada.

Preparativos

Gostas de andar a pé? Se calhar a pergunta é pertinente porque na Tapada de Mafra, onde os animais passeiam livremente dentro da propriedade, também podes fazer percursos pedestres. No meio da bicharada e da natureza, por entre árvores, riachos e rochas.

Actualmente existem apenas dois percursos, o de sete quilómetros que é… o pequeno, porque o grande são onze. Livra. Podes demorar três, quatro ou mais horas, dependendo da cadência do passo ou da condição física. Mas não te deixes intimidar neste percurso para crianças. Sim, é que o grau de dificuldade é pouco elevado e até uma criança poderá fazê-lo, depois de algum suor, mas fá-lo. Vais ver que com os teus amigos na galhofa, é num instante.

Agora, lembra-te que deves levar roupa ágil, boa para caminhadas. Algo tão simples como bons ténis de trecking ou botas confortáveis para andar, talvez uns jeans e se possível um impermeável. Mesmo nos dias de sol, às vezes acontecem cair aguaceiros na Tapada de Mafra. Entrincheirada entre montes e com uma quantidade absurda de árvores, este local tem um microclima húmido à brava. Os avisos foram dados, agora não te queixes.

Em marcha

Como a Tapada é campo e serra, é fácil que te percas e os telemóveis nem sempre têm rede. Por cá, a única maneira de não perder o norte é seguir os guias com os percursos que podes adquirir na recepção. Na verdade são uns road books com álbuns fotográficos, onde cada desvio tem a fotografia da árvore, casa ou carreiro que podes encontrar. São fáceis de consultar e em princípio não terás problemas, a não ser que decidas inventar.

Corta mato e outras batotas

Olhando para o mapa, percebes que o percurso vai dar uma curva e ops, lá poupaste uns 500 metros. Só que às vezes o perto sai longe, e poderás ter de escalar um monte ou embrenhar-te entre os arbustos. Não sei se compensa.

Após passares as casas do guarda florestal, no cimo do monte, vais encontrar a cabana de vigia dos pássaros, uma das partes mais giras da visita. Com o vento aquilo abana tudo, mas a vista sobre a serra é qualquer coisa de único.

A partir de aqui, é possível que te percas e tenhas que voltar para trás, devido à quantidade de caminhos, ou porque uma árvore caiu com o vento e tapou algum ponto de referência. Não é comum mas pode acontecer, por isso, atenção.

Porém, é possível fazer batota e voltar a encurtar caminho, aproveitando uma estrada que vês cá em baixo, junto a uma ravina. Mas para chegar até lá, tens que passar por entre o mato cerrado e junto a uns cedros onde a luz do sol mal penetra. Se vires um arbusto a mexer, e se alguém se lembrar de dizer “cuidado que pode ser um javali”, talvez seja melhor não investigarem por perto e continuar a descer.

Já na estrada, do alto da serra avistas o rio e as casas mas a estrada continua por mais dois ou três quilómetros. Se estás sem energia, então procura um meio de fazer batota outra vez. Por uma ravina barrenta, começas a descer, mas cuidado para não embalares muito. Saltitando, chegas cá a baixo e cruzas o rio, por cima do arco de uma velha ponte de pedra, coberto com musgo. Finalmente, poucas centenas de metros adiante, chegas são e salvo às casas de acolhimento, o local onde têm início e terminam todos os percursos.

Do outro lado do carreiro, avistas os gamos, ou melhor, os bambis, e até dois javalis que se passam olimpicamente do grupo. Afinal, são amigos.