Tavira

Revisado por Andre a 28 outubro 2018

Da praia e do rio de certeza que já ouviste falar, mas Tavira tem mais. A cidade é pequena e pede passeio pelas ruas antigas e monumentos com séculos de história.

O saber da cidade de Tavira

Para começar, convém que conheças um pouco do passado desta terra. Provavelmente não sabias, mas Tavira foi elevada a cidade antes até que a actual capital do distrito, Faro. D. Manuel tomou essa decisão baseado no facto de Tavira ser, à altura, o principal porto comercial de toda a região nas ligações com o norte de África.

Cidade de grande riqueza atestada pelos monumentos que ainda hoje podes visitar, Tavira é também uma das localdiades algarvias menos alteradas pelo turismo de massas.

O centro

Na zona baixa, junto ao rio, a Praça da República é actualmente o epicentro da cidade. A zona junto ao castelo era a praça pública por excelência antes da importância do porto comercial de Tavira. Mas depois, com a riqueza que advinha do mar e do rio, essa lógica foi alterada. Os Paços do Concelho, assim se chamava às câmaras municipais de antigamente, aqui estão desde o século XVII. O edifício é sóbrio com muitas arcadas e por debaixo delas alfarrabistas mostram o seu produto. Dá tu também uma espreitadela, pode ser que encontres algum livro que te interesse a um preço convidativo.

O jardim está logo ali, junto à margem do rio. Percorre-o até ao final para visitares o antigo mercado, uma jóia da arquitectura em Tavira. Mas antes ainda passas pelo coreto de ferro. Provavelmente não sabias, mas veio de barco já montado do Porto até aqui. Imagina o trabalhão que não deu. Também o mercado é de ferro. Só que este teve outra sina. Construído nos finais do século XIX, encerrou as portas à venda de legumes e peixe em 1999 para reabrir um ano depois como zona de lazer, onde encontras algumas lojas de produtos regionais, cafés e esplanadas sobre o rio. Investiga quanto aos produtos que vendem. A tua mãe que se calhar até te ajudou nos custos da viagem vai ficar toda contente com uma lembrança, não achas?

Podes deixar para o final, porém se te apetecer muito agora, aproveita e passa a ponte chamada de romana, mas que na verdade é medieval. Do outro lado também é Tavira. Toma atenção às casas ribeirinhas que dispõem de ancoradouros próprios. Um autentico privilégio. Depois aventura-te até à Casa das Artes, uma antiga casa agrícola e quem sabe o Lagar-Museu, ambos locais de iniciativas culturais.

A subir

Agora prepara-te para subir um pouquinho até ao castelo. Nada dramático, afinal em cerca de 10 minutos estás lá sem grande esforço. A partir daqui começa a tomar atenção aos pormenores. Vais passar pela Porta de D. Manuel, depois por mais algumas lojas de artesanato.

Em frente está a igreja da Misericórdia, que certamente não vais poder visitar por estar quase sempre fechada. O que é uma verdadeira pena mesmo para quem não seja católico. É que há templos religiosos que valem mesmo a pena uma entrada nem que seja só para admirar o trabalho e a riqueza decorativa do local. Esta igreja, por exemplo, é por muitos considerada a mais notável obra renascentista de todo o Algarve. Por fora ninguém diz o esplendor que vai por dentro.

Castelo edificado pelos mouros mas cujas muralhas foram reforçadas por El Rei D. Dinis

A próxima paragem será no castelo edificado pelos mouros mas cujas muralhas foram reforçadas por El Rei D. Dinis. No total tinha 7 torres, mas agora só podes subir às que lá se encontram. Esta é a melhor vista sobre a cidade. Observa o rio Gilão na sua caminhada até ao mar e os típicos telhados de tesoura. Não se sabe ao certo a origem e o porquê deste formato. São de 4 águas e de forte inclinação em trapézio ou em pirâmide e por estranho que pareça não cobrem a casa na totalidade, mas quase divisão por divisão. Por isso é que cada edifício tem vários telhados. Uma sugestão para o nome advém do facto desta cobertura em telha ser apoiada por uns barrotes aqui chamados de asnas ou tesouras.

Ao pé da fortaleza, outra igreja e esta sim, costuma estar aberta, convida-te a uma visita. A Igreja de Santa Maria foi mandada construir por D. Paes Correia por cima de uma antiga mesquita. Aqui estão sepultados seis dos seus cavaleiros e um mercador, mortos pelo inimigo da altura, os mouros.

Conta a lenda que D. Paes Peres Correia combinara com os mouros uma trégua temporária. Confiantes no acordo, alguns dos seus cavaleiros foram caçar. Os mouros, desconfiados em tal programa com demasiados elementos, mataram-nos. O mercador judeu que ali passava perto, tentou auxiliar os cristãos, acabando também por ser vítima.