Termas de Portugal – Cure o seu mal nas Termas de Portugal

Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018

Cure o seu mal nas Termas de Portugal

Algures em Portugal, a natureza tem um valor mais profundo e essencial. O sol brilha, os pássaros chilreiam, as árvores oscilam com a brisa, como as demais paragens, mas todo este cenário contempla o nascer da mais bela força, a mais vigorosa: a água. A pureza de um bem medicinal de características únicas. A água dá vida às Termas.

As Termas modificam a nossa vida. Libertam-nos do ritmo intenso das grandes cidades e proporcionam descanso num ambiente paradisíaco, onde a única pressão que sentimos é escolher como preencher … tanto tempo ! Começamos com um jogging matinal e umas braçadas na piscina. Depois … uma partida de ténis ou de golfe. Um sereno passeio de cavalo ou bicicleta, uma viagem de barco à vela, uma sessão de pesca. Se preferirmos procuramos o contacto com a história, visitando o vasto património cultural que tanto enriquece o nosso País, monumentos, feiras de artesanato, pitorescas aldeias com alma bem lusitana.

E, é claro, relembrando o bom sabor tradicional da nossa gastronomia, tão conhecida pelo mundo fora. Não devemos deixar que o nosso trabalho se torne um estilo de vida. Este ano façamos férias repartidas e curemos nas termas de Portugal todos os nossos problemas. Deixemos que nos tratem como merecemos. Saúde a natureza frequentando as Termas de Portugal.

Mergulhe no bem-estar

Usadas há milénios, as águas termais estão a renascer como arma de combate ao stress e fonte de equilíbrio. Ainda Cristo não tinha descido à Terra e já os romanos se banhavam nas águas termais de um território que muito mais tarde viria a ser conhecido como Portugal.

Os séculos foram-se acumulando e com a nacionalidade fundada os portugueses começaram a gabar-se das curas milagrosas realizadas por certas águas de temperaturas variadas, cheiros duvidosos e origem divina, com certeza. “Ir a banhos” resumia-se a chapinhar em poças de água termal que brotavam do chão e beber um pouco desse elixir mágico.

A riqueza termal portuguesa foi reconhecida pela rainha D. Leonor há cerca de 500 anos, com a fundação do primeiro hospital termal europeu. Situadas na zona de îbidos, as caldas adoptaram o nome da região, mas a preferência de D. Leonor – que as visitava frequentemente – acabou por lhes alterar o nome e fez nascer as tão conhecidas Caldas da Rainha.

Da “Belle Époque”…

No fim do século XIX, o termalismo português desenvolve-se e constroem-se edifícios de grande dimensão e beleza como os de Curia, Pedras Salgadas e Luso. Antecipa-se assim a fase da “Belle Époque” das práticas termais europeias, que decorre entre 1920 e 1930. As termas francesas de Vichy dão o mote e as restantes estâncias termais europeias glosam-no.

Torna-se hábito frequentar as termas acompanhado pela família, tornando-as pólos sociais importantes. Surgem estabelecimentos hoteleiros de luxo associados às caldas, assim como os primeiros casinos. Com o fim da Primeira Guerra Mundial, os europeus estavam ávidos de convívio e descontracção e as estâncias termais ofereciam-lhes tudo isso, para alémm da cura para as mais diversas maleitas.

A partir dos anos 60, a popularização da praia desvaloriza a ida às termas. A pouco e pouco, o esplendor das grandes estâncias termais vai-se perdendo.

Os edifícios degradam-se e o número reduzido de aquístas torna impossível reunir as verbas para os restaurar.

Ao mesmo tempo, os efeitos terapêuticos continuavam por provar cientificamente e as práticas termais começaram a ser olhadas com um certo cepticismo. O desenvolvimento da indústria farmacêutica trouxe novos medicamentos que rivalizavam com os efeitos mal estudados das águas termais. A confiança no comprimido, ampola ou xarope sobrepôs-se à sabedoria milenar e tradicional.

… até ao wellness

A água termal é um bem público, que o Estado concessiona de forma a ser explorada. Existem mais de 40 estâncias termais em Portugal. A grande maioria situa-se no norte e centro do país. Os Açores contam com três – Furnas, Carapacho e Varadouro.

Nos últimos anos os concessionários responderam à crise em que se encontravam mergulhados com a remodelação e modernização das estâncias termais, adquirindo novos equipamentos. Neste momento, são várias as termas fechadas para obras, encontrando-se cerca de 30 a funcionar.

A grande aposta dos concessionários passa, no entanto, por uma mudança de mentalidades. Pelas suas características específicas, é preciso alargar a visão restrita das termas que as ligam a um mero lugar de cura de doença.

De facto, as estâncias termais têm um papel muito importante na promoção da saúde e do bem-estar, ajudando a prevenir a doença. “As termas, sendo locais aprazíveis onde a pessoa é cuidada, permitem, de facto, uma quebra com as rotinas do dia-a-dia, o que influencia a nossa resposta imunológica, o regime alimentar, o ciclo de sono e as respostas de stress”, afirma Mário Ferreira, clínico geral no Hospital Inglês.

Com os problemas do dia-a-dia citadino, cada vez há menos tempo para relaxar e parar para pensar. “As termas devolvem às pessoas a proximidade com a terra, com a água e com o ar”, adianta Mário Ferreira. Um regresso à natureza, defendido por uma nova corrente conhecida por wellness que protagoniza o equilíbrio como chave para a felicidade.

3 perguntas a Mário Ferreira, Clínico geral no Hospital Inglês

Que expectativas pode ter uma pessoa que frequenta uma estância termal?
Uma melhoria das suas queixas, seguramente. Trata-se de uma terapêutica antiquíssima e uma das primeiras utilizadas pelo homem. Na Europa existe uma grande tradição, que remonta à cultura romana, de aproveitamento da grande riqueza termal que existe na bacia mediterrânica.

De que forma actuam as águas termais?
Tudo depende dos sais existentes nas águas, que surgem de acordo com os camadas geológicas que caracterizam a zona da estância termal. São esses sais que vão actuar na pele, se fizermos um banho, assim como nos órgãos e músculos através de inalações, aerossóis ou técnicas de movimentação dentro de piscinas – usadas nos exercícios de fisioterapia. A utilização de lamas, que conservam a temperatura da água termal junto à pele, também é muito benéfica.

Não se conhece ainda muito bem o mecanismo de cura, o que torna muito difícil quantificar cada tratamento. De facto, recomendar um terapêutica termal não é igual a receitar uma ampola com um determinado medicamento do qual se conhece exactamente a sua composição e os seus efeitos.

Temos que assumir com modéstia as nossas limitações. Procedemos como os médicos de todo o mundo – avaliamos os resultados e recomendamos os melhores tratamentos experimentados, mas não podemos explicar tudo.

Quanto tempo deve durar um tratamento termal?
Entre duas a três semanas, embora varie de situação para situação. O prazo de uma semana é considerado o mínimo para se verificarem os efeitos terapêuticos. Para além de três semanas, os resultados deixam de ser conclusivos.

No caso dos aquístas que apresentam um relatório do médico assistente, os médicos termalistas começam por avaliar os dados fornecidos e depois confrontam-nos com a possibilidade da estância termal dar resposta ou não aos problemas em causa. Elaboram, então, um plano de trabalho, que pode ser alterado conforme a reacção de cada indivíduo.

Turismo de Inverno

Com a adaptação em termos de equipamento das estâncias termais, o carácter sazonal desta actividade tende a ser substituído pela abertura durante todo o ano. “Temos temperaturas amenas, ao contrário de outros países da Europa. Como os tratamentos são todos realizados dentro dos edifícios termais, com as intervenções necessárias para introduzir um aquecimento adequado, é possível tirar um proveito progressivo do turismo de Inverno”, afirma José Cruz, do Instituto Geológico e Mineiro, a entidade que tutela os estabelecimentos termais.

Entre as práticas termais mais solicitadas encontram-se a hidromassagem e o duche Vichy. Duas formas ideais de esquecer os problemas do quotidiano e reencontrar a harmonia perdida. Em simultâneo, várias estâncias termais estão a aproveitar os seus recursos para disponibilizar serviços de estética para todos os tipos de pele, tal como a pulverização facial. E se gosta de manter-se em forma, saiba que o ginásio equipado com máquinas de fitness modernas também já é uma constante em muitas termas espalhadas pelo País.

Agora, tudo depende de si. Respire fundo, abandone a confusão diária do trânsito e do mau humor citadino e mergulhe no bem-estar. Passe uma, duas ou três semanas num local onde as únicas preocupações são escolher a sobremesa mais deliciosa, respirar ar puro e optar pelo tratamento mais agradável. A Saúde Mais promete dar-lhe uma ajuda, desvendando ao longo dos próximos meses os segredos de grande parte das estâncias termais nacionais.

3 perguntas a José Cruz, Chefe de divisão de Recursos Hidrogeológicos e Geotérmicos do Instituto Geológico e Mineiro

Qual a origem das águas termais?
A água tem um ciclo. Quando chove, uma parte da água escorre, outra infiltra-se. Depois dá-se uma circulação mais ou menos profunda, que pode prolongar-se por milhares de anos. Conforme as condições geológicas, as águas termais voltam naturalmente à superfície ou são captadas em profundidade através de furos. Todas as águas termais são distintas.

Que estabelecimentos podem ser considerados termais?
Todos aqueles onde se utiliza água mineral natural. Este tipo de água tem uma circulação subterrânea profunda, apresenta particularidades físico químicas estáveis, É bacteriologicamente própria e da sua utilização resultam efeitos terapêuticos.

As águas termais podem ser quentes ou frias. Temos termas em que as águas brotam a uma temperatura de 9/10ºC e outras em que brotam a 70ºC, como é o caso de Chaves, que apresenta a temperatura mais elevada do território continental.

Que condições precisa de reunir um estabelecimento termal para poder abrir as portas ao público?
A sua água tem que estar qualificada como mineral natural, e o estabelecimento termal licenciado pelo Instituto Geológico e Mineiro. Necessita ainda da aprovação da Direcção-Geral da Saúde, que averigua até que ponto o estabelecimento preenche todas as condições obrigatórias.

Entre o início das análises à água e a construção do edifício termal, o processo dura cerca de cinco a seis anos. Apesar de moroso e dispendioso, é um processo necessário, uma vez que está em jogo a saúde pública. Existem ainda regras de funcionamento. As termas têm que fazer análises periódicas dentro dos balneários, para provar que a água está sempre em condições em todos os pontos de utilização.

Para que a estância termal se mantenha aberta precisa também de um director clínico, nomeado pela Direcção-Geral de Saúde, que assuma a responsabilidade pelas consultas e o acompanhamento de todos os tratamentos.

O ABC das termas e os Tratamentos Termais

Frequentar uma estância termal pode ser uma aventura para quem o faz pela primeira vez. Aqui ficam as expressões mais utilizadas e as explicações dos tratamentos mais comuns. Agora, basta partir à descoberta…

Aerobanho: O aerobanho é um banho relaxante que descontrai os musculos e melhora a oxigenação da pele através de pequenos jactos de ar que atravessam a água termal a partir do fundo da banheira.

Aerossóis sónicos: Os aerossóis sónicos são feitos através da inalação de gotas microscópicas de água termal que atingem os brônquios e tratam as vias respiratórias.

Aquísta: O aquísta é o nome que se dá a uma pessoa que frequenta as termas.

Banho com hidromassagem: O banho de hidromassagem é realizado em banheira controlada electronicamente, esta técnica tem várias variantes e consiste em dirigir os duches subaquáticos para as zonas a tratar, de forma a relaxar e oxigenar todos os músculos. Ideal para esquecer o stress do dia-a-dia.

Curista: curista tem o mesmo significado que aquísta.

Duche Aix: O duche aix trata-se de uma variante do Duche Vichy, em que a massagem é localizada, de forma a tratar um problema específico.

Duche circular ou multijacto: o aquísta fica em pé, enquanto vários jactos de água termal o envolvem, assegurando uma massagem completa e um relaxamento total.

Duche de jacto ou de agulheta: o técnico de balneoterapia dirige um jacto de água termal para o aquísta que se encontra em pé. A intensidade e a temperatura do jacto de água, assim como a duração do duche de agulheta são determinadas pelo médico. Pode ser utilizado no corpo todo ou em zonas específicas e proporciona uma descontracção muscular muito agradável. O Duche de Cachão e o Duche de Leque são duas variantes mais suaves do duche de jacto, que se adaptam à condição física de cada aquísta.

Duche Vichy: O duche vichy foi Baptizado com o nome das famosas termas francesas, este duche especial realiza-se com o aquísta deitado sobre o ventre, debaixo de jactos de água termal, sendo acompanhado por uma massagem executada pelo técnico de balneoterapia. Resultados excelentes no combate aos problemas musculares, reumáticos e stress acumulado.

“Ir a banhos”: frequentar uma estância termal.

Irrigação nasal: A irrigação nasal é feita através de um dispositivo chamado oliva, a água termal circula de uma narina para a outra permitindo um contacto prolongado das mucosas nasais com as águas termais, melhorando as afecções das vias respiratórias.

Emanatório: O emanatório é uma nebulização confortável, realizada numa câmara onde o vapor resulta da projecção da água termal. Pode ser efectuado por vários aquístas em simultâneo.

Gargarejo: consiste em gargarejar utilizando água termal, de forma a beneficiar as vias respiratórias.

Inalação: absorção dos vapores das águas termais, que melhora problemas respiratórios tais como a sinusite e a rinite alérgica.

Ingestão: consiste em beber água termal com o objectivo de tratar ou prevenir problemas digestivos.

Nebulização: utilizando uma máscara individual, o aquísta inala uma nuvem de água termal em pequenas gotas, garantindo resultados sobre as mucosas nasais, a faringe e a laringe.

Pulverização: consiste em colocar pequenas gotas de água termal na boca, massajando a faringe, de forma a melhorar os problemas das vias respiratórias.

Pulverização facial: utilização de gotas microscópicas de água termal quente para limpar
o rosto, seguido de massagem com cremes adequados.

Vapor parcial: exposição da região corporal a tratar aos vapores da água termal, indicada para problemas musculares e reumáticos.