Tétano (infecção grave causada pelo bacilo Clostridium tetani)

Revisado por Reinaldo Rodrigues (Enfermeiro - Coren nº 491692) a 14 dezembro 2018

O tétano é uma infecção grave do sistema nervoso causado pelo bacilo Clostridium tetani, que normalmente se encontra na terra cultivada e no estrume.

O Clostridium tetani forma esporos resistentes que podem sobreviver por muitos anos. Se estes esporos penetrarem numa ferida profunda, estes podem multiplicar-se. Se isto acontecer o bacilo produz uma toxina poderosa que afecta o sistema nervoso e pode causar a morte.

O tétano é vulgarmente conhecido como paralisador dos maxilares, devido aos seus sintomas típicos nos quais se incluem a contracção dos músculos da face.

Na acualidade, o tétano tem sido amplamente erradicado pela imunização, por padrões de higiene mais exigentes, melhores serviços médicos e a introdução de equipamentos mecânicos na agricultura.

O tétano é muito raro hoje em dia, apesar de ainda continuar a ser uma causa comum de morte nos países desenvolvidos.

Os métodos modernos de tratamento reduziram a taxa de mortalidade de 60% para cerca de 20% daqueles que foram infectados. Contudo, nos países desenvolvidos as taxas de mortalidade da infecção ainda se mantêm em cerca de 50%.

Causas do tétano

O bacilo Clostridium tetani normalmente entra no corpo por via de uma ferida que esteja contaminada com terra ou estrume. Existe uma maior possibilidade de desenvolver o tétano se a ferida é profunda e a contaminação é extensa.

Contudo, a infecção pode ocorrer a partir de feridas menores e, nalguns casos, não existe ferida. As pessoas que utilizam medicamentos intravenosos também correm riscos de contrair o tétano.

Se o bacilo tiver penetrado o organismo, este desenvolve e produz uma potente toxina designada de tetanospasmina. A toxina é a responsável pelas contracções musculares e outros sintomas, dado que se propaga pelo organismo.

A única área do corpo que não é atingida pela toxina é o cérebro.

Neste, as moléculas da toxina são demasiado largas para passarem pelas pequenas aberturas entre a superfície interna das células dos pequenos vasos sanguíneos no cérebro (conhecidas como barreiras sangue cérebro).

A infecção pode levar de dois dias a dois meses para se desenvolver (conhecido por período de incubação).

Este irá depender da localização da ferida e da extensão da contaminação.

Normalmente, quanto mais curto for o período de incubação, tanto mais a infecção é susceptível de ser grave e perigosa.

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is e sintomas de tétano

Por vezes, o primeiro e único sinal de tétano são espasmos dos músculos mais próximos da ferida infectada. Contudo, se a toxina entrar na corrente sanguínea, desencadeiam-se outros sintomas, normalmente na face.

O sintoma mais comum é o aparecimento de espasmos dos músculos responsáveis pela mastigação (trismo) que dificultam a abertura da boca (daí a vulgar designação de paralisador dos maxilares).

À medida que a infecção evolui, os espasmos surgem nos músculos da garganta, dificultando a deglutição. Consequentemente, podem surgir espasmos nos músculos faciais que podem dar a ideia que o rosto da pessoa tem um sorriso irónico. Normalmente, este facto é conhecido pelo nome clínico de riso sarcástico.

Os espasmos musculares podem alastrar-se a outros músculos: do pescoço fazendo com que a cabeça fique inclinada; do peito, tornando a respiração difícil; da parede do estômago, dos braços e das pernas. Se os espasmos se alastrarem aos músculos das costas, a espinha pode ficar muito arqueada, o que se designa por opistotonus e é mais comum nas crianças com infecção.

Outros sintomas caracterizam-se por extrema sensibilidade ao tacto, febre alta, inflamação da garganta, aceleração dos batimentos cardíacos, dificuldades de respiração, dor de cabeça, sangramento no interior dos intestinos e diarreia.

Pode ser causa directa de morte por poder provocar envenenamento sanguíneo, sufocação (asfixia) no decurso das contracções musculares, paragem cardíaca, falha renal ou por esgotamento total. Se não for ministrado tratamento, a morte sobrevém em cerca de 60% dos casos.

Diagnóstico

O diagnóstico habitualmente é feito por um profissional de saúde. O diagnóstico será baseado nos detalhes da história clínica recente do paciente, tais como:

  1. se a pessoa sofreu alguma lesão ou ferimento;
  2. se a ferida foi contaminada com terra, estrume ou qualquer outra substância que pudesse conter esporos de Clostridium tetani.

O diagnóstico exacto também será baseado na observação dos sintomas, sinais clínicos e análises de sangue.

Prevenção e Cuidados a ter

O tétano pode prevenir-se facilmente pela vacinação. A Inglaterra possui um programa nacional de vacinação para o tétano que reduziu bastante o número de casos por ano. A imunização é obtida injectando pequenas doses no organismo da toxóide do tétano (uma variante da toxina que se tornou inofensiva).

Normalmente, é ministrada na infância numa vacina tripla (difteria, tétano e tosse convulsa) em três doses com intervalos mensais. Este procedimento confere uma protecção total durante um ano e prevalece por diversos anos um elevado nível de protecção. As três primeiras doses são normalmente seguidas por duas doses de reforço: uma ao iniciar a escola e outra ao abandonar a escola.

Para estes reforços, a vacina combinada do tétano com a difteria em pequena dose actualmente é mais usada do que a do tétano isolada. Considera-se que uma imunidade prolongada é assegurada por cinco doses completas. As doses de reforço também deveriam ser ministradas nas seguintes circunstâncias:

Em sequência de uma ferida que possa dar origem ao tétano se a pessoa não tiver recebido as cinco doses completas ou onde esta informação não seja conhecida. Contudo, se a ferida está contaminada, deveria ser dada uma dose de anticorpos do tétano (conhecidos por imunoglobulinas humanas do tétano).

Para os que viajam para zonas onde os cuidados médicos podem não estar disponíveis caso ocorra uma lesão que possam originar o tétano e a última dose tenha sido ministrada há mais de 10 anos. O facto de se contrair o tétano, por si só, não favorece a imunidade a uma segunda infecção. As pessoas que tiveram o tétano ainda deveriam ser imunizadas mesmo quando tivessem recuperado.

Tratamento para tétano

Se a ferida for extensa, a prática normal é retirar o máximo possível do músculo lesionado e contaminado através de cirurgia. Este procedimento limitará a quantidade de toxinas que possam ser geradas.

O método cirúrgico designa-se por debridamento. Quando que a infecção tiver estabilizado, o tratamento é ministrar anticorpos que actuem contra a toxina (conhecidos como antitoxinas do tétano). Normalmente, são globulinas humanas antitétano.

Habitualmente são ministrados antibióticos, medicamentos antimicrobianos (como o metronidazole) e relaxantes musculares (como o diazepam) desde que, pelo diagnóstico, se suspeite de ser tétano. Os espasmos musculares propriamente ditos podem ser controlados pela infiltração intravenosa do medicamento diazepam.

Em casos extremos pode ser necessário imobilizar o paciente com curare (uma substância natural que paralisa os nervos dos músculos) e recorrer a uma máquina de ventilação para manter a respiração da pessoa.

A manutenção da respiração e nutrição são muito importantes para ajudar alguém a sobreviver ao tétano, dado que a infecção pode causar perda grave de energia.

Recomenda-se que seja assegurada uma ingestão de calorias de 3500-4000 pelo menos com 100 g de proteínas em forma de líquidos e semi-líquidos, através de um tubo incorporado no estômago.

Veja exemplos de alimentos com alto teor calórico e saiba como contar calorias. Nalguns casos, pode ser necessário proceder à alimentação por meio de um catéter.

Foto: Espasmos musculares de um paciente que sofre de tétano. Pintado por Sir Charles Bell, 1809.