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3 Tipos de Cefaleias: Classificação, sintomas e o que fazer para aliviar

Publicado em 02/05/2019. Revisado por Dr. Felipe Cesar Gomes de Andrade (Neurologista - CRM: 13379 - RQE: 4042) a 2 maio 2019

A cefaleia é um termo médico ou semiológico que significa dor de cabeça, abrangendo dores na face e na região do pescoço, a depender de sua classificação. Quando nos referimos à sua classificação, elas podem ser primárias ou secundárias.

A cefaleia primária diz respeito a um grupo extenso de formas de apresentação da cefaleia com características peculiares, que podem ser associadas entre si e que acometem grande parte da população geral.

A cefaleia secundária pode estar relacionada a processos infecciosos como abscessos cerebrais, sinusite, meningites virais e bacterianas, ou a hemorragias intracranianas, efeitos colaterais de medicamentos, a um traumatismo craniano e também a tumores no cérebro, dentre outras causas.

De acordo com o Dr. Felipe César Andrade, Neurologista e Professor de Medicina, “muitas vezes o trabalho do neurologista é o de identificar características ou sinais de alerta, os red flags, para exclusão de cefaleias secundárias, bem como identificar a associação de cefaleias primárias”.

É de suma importância considerar no atendimento de pacientes os antecedentes da cefaleia, porque muitas vezes o paciente já apresenta aquela dor de cabeça com tais características há anos, ou já se identificam sinais de piora por falta de tratamento adequado para a cefaleia.

Tipos De Cefaleias, Classificação, Sintomas E O Que Fazer Para Aliviar

Abaixo você tem um índice com todos os pontos que discutiremos neste Guia

Os 3 Tipos de cefaleias mais comuns

Podemos então agrupar as cefaléias primárias em três grandes formas de apresentação mais comuns. Talvez você tenha uma delas, ou mais de uma:

1. Enxaqueca

Muitas pessoas podem apresentar crises de migranea, a chamada enxaqueca. Acompanhando toda a vida do indivíduo, suas crises são geralmente manifestadas com dor pulsátil, que muitos chamam de latejante. A dor pode ser unilateral na cabeça ou mudar de localização na cabeça durante ou entre as crises. Ou seja, os paciente podem sentir a dor na região da fronte, na região temporal, na nuca, ou de um lado da cabeça.

Caracteristicamente esses pacientes apresentam sinais de piora durante o esforço, ao andar ou subir escadas por exemplo, e conseguem um alivio da dor ao repousar em quarto escuro e ambiente silencioso – isto porque muitos pacientes apresentam nas crises também a fotofobia e fonofobia. Também se descreve a osmofobia, ou intolerância aos cheiros ou odores durante as crises.

Parte dos pacientes migranosos notam sintomas neurológicos transitórios de até 30 minutos, conhecidos como aura e descritos como luzes (os fosfenos e escotomas cintilantes) ou manchas na visão (os escotomas), que cedem espontaneamente e são seguidos pela dor de cabeça. Muitos pacientes também apresentam náuseas e vômitos. A duração média de uma crise de migranea é de 2h a 3 dias.

Obs: A migranea ou enxaqueca, que pode ser com aura ou sem aura, pode acometer homens e mulheres ao longo da vida, iniciando até na idade infantil. Cuidado, normalmente a migranea não se inicia em pessoas com mais de 40 anos. É importante procurar sempre um neurologista para avaliar crises semelhantes iniciadas após os 40, ou se houver mudança nas caracteristicas da dor.

O que fazer: O tratamento preventivo da enxaqueca pode incluir a administração de medicamentos como o topiramato, propranolol e amitriptilina. Outras opções preventivas podem incluir atividades como a meditação, ou sessões de acupuntura e terapia de neuromodulação.

2. Cefaleia em salvas

Existe um grupo de pessoas que sofre de fortes dores, geralmente unilaterais na cabeça, chamadas de cefaleia em salvas. O termo “salva” diz respeito a ataques ou crises de dor que geralmente se manifestam todos anos, normalmente na mesma altura do ano. Quando isso ocorre, tem inicio e término súbitos ou abruptos, não graduais, durando cerca de 30 minutos a 3 horas em cada ataque, e várias vezes repetidas ao longo do dia ou durante semanas.

Geralmente tais ataques são associados a fenômenos autonômicos com edema periorbitario (inchaço em torno dos olhos), ou hiperemia (vermelhidão) nos olhos, coriza nasal ou obstrução nasal. Os ataques nos períodos de salvas são intensos, causando grande sofrimento. Os pacientes costumam procurar a urgência, no entanto, muitos dos medicamentos lá prescritos não aliviam a dor. Isto porque um dos tratamentos de urgência mais eficazes é a oxigenioterapia. Além disso, é comum a ocorrência de ataques à noite, provocados pela ingestão de bebida alcoólica.

Obs: A cefaleia em salvas exige uma correta avaliação e acompanhamento neurológico. Existem diferentes opções terapêuticas, com diferentes efeitos colaterais, e embora a condição tenha períodos no ano de algum alívio, os ataques podem voltar.

O que fazer: O tratamento tem o objetivo de reduzir a intensidade e frequência dos ataques. Algumas opções terapêuticas incluem:

  • topiramato
  • sumatriptano
  • verapamil
  • esteróides
  • melatonina
  • oxigenoterapia
  • lítio

3. Cefaleia tensional

Tão prevalente na população geral quanto os pacientes portadores de migranea, existem aqueles que apresentam a cefaleia tipo tensional. Talvez uma das dores mais negligenciadas, ou entendidas como dores habituais, diferentemente da enxaqueca. Geralmente o paciente não consegue definir quando a dor se inicia ou quando cede, porque são frequentes, mais duradouras (por dias a semanas), se intensificando pelo estresse, associadas a labilidade emocional (choro fácil) e piorando no final do dia.

Estes paciente podem apresentar dificuldades para dormir e podem descrever dores em outros locais do corpo. Geralmente não melhora com repouso, como nas migraneas, nem têm ataques tão intensos como na cefaleia em salvas, mas têm igualmente a sua rotina acometida, levando muitas vezes o indivíduo a abusar de analgésicos sem prescrição, tomando vários comprimidos por semana.

Entenda que, a cefaleia tipo tensional não é causada por hipertensão arterial sistêmica, nem por travesseiro inadequado ou sono ineficaz.

Obs: Ainda que seja uma forma de dor bastante prevalente, e comum, deve ser sempre avaliada por um médico, para não haver o risco de abuso de analgésicos, que podem comprometer o seu tratamento e mais ainda a qualidade de vida do paciente.

O que fazer: O tratamento geralmente é feito com a administração de analgésicos, como o ibuprofeno, acetaminofeno e a aspirina, normalmente eficazes em parar ou reduzir a dor. No entanto, quando a dor de cabeça dura mais de 15 dias é importante consultar o médico. Algumas mudanças no estilo de vida e tratamentos que podem ajudar a prevenir o evento incluem:

  • dormindo as horas suficientes;
  • praticar exercícios e alongamentos de forma regular;
  • melhorar a postura sentado e em pé;
  • realizar um exame aos olhos/visão;
  • gerenciar o estresse, ansiedade ou depressão;
  • acupuntura.

Existem várias outras formas de apresentação da cefaleia primária, como a cefaleia benigna do esforço, a cefaleia relacionada ao ato sexual ou a cefaleia precipitada no sono, bem como a cefaleia secundária, causada pela sinusite, consumo excessivo de cafeína, ferimentos ou golpes na cabeça, mudanças nos níveis hormonais, ressaca, uso excessivo de analgésicos, triptanos e outras substâncias, embora menos comuns. No entanto, todas elas devem ser avaliadas no consultório neurológico.

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Autores
Dr. Felipe Cesar Gomes de Andrade (Neurologista - CRM: 13379 - RQE: 4042)

Neurologista - CRM 13379 e RQE 4042

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Dr. Felipe Cesar Gomes de Andrade é Médico pela Universidade Federal de Pernambuco. Possui residência em Clínica Médica no Hospital Geral Otávio de Freitas e em Neurologia no Hospital das Clínicas da UFPE.

Além disso, é mestre em Educação na Área da Saúde pela Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS). Atualmente é coordenador de Neurologia e preceptor da residência em Neurocirurgia do Hospital Getúlio Vargas.

É Tutor do Laboratório de Habilidades Semiologia no Curso Médico (FPS). Foi professor substituto de Neurologia no Departamento de Neuro-Psiquiatria da UFPE e intensivista do CTI Egas Moniz - RHP.

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