TIPOS HISTOLÓGICOS: CLASSIFICAÇÃO DO CÂNCER DO PULMÃO

TIPOS HISTOLÓGICOS: CLASSIFICAÇÃO DO CÂNCER DO PULMÃO

Vimos nos itens precedentes que, durante a evolução biológica dos animais, o aparelho que mais necessitou adaptar-se às novas condições, com intuito de equilibrar suas funções de filtro e troca, foi o aparelho respiratório. Tais mudanças, sobretudo na organização histo-anatômica, implicaram em uma “faca de dois
gumes”, tornando o aparelho respiratório extremamente susceptível à carcinogênese pulmonar, com a quebra dos mecanismos de defesas proximais e distais ao longo dos anos.

A riqueza na composição celular do trato respiratório representa outra “faca de dois gumes”, por um lado diversificada para atender à defesa, por outro quando iniciada na carcinogênese, responsável pelo aparecimento de vários tipos histológicos de câncer do pulmão, o que lhe confere uma alta heterogeneidade não encontrada em outros cânceres humanos.

O estímulo carcinogênico ao longo dos anos sobre o epitélio do trato respiratório permite vislumbrar a diversificação histológica do câncer do pulmão, trazendo necessidade de uma Classificação Universal para tornar comum a linguagem entre clínicos, patologistas e cirurgiões. A classificação do câncer do pulmão, bem como de outros cânceres, vem sendo uniformizada e atualizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). É extremamente importante do ponto de vista clínico, pois representa um dos primeiros marcadores de prognóstico e conduta no paciente com câncer do pulmão.

A classificação da OMS para o câncer do pulmão inclui mais de 20 tipos histológicos diferentes, porém para a finalidade deste capítulo discorreremos aspectos inerentes da história natural apenas dos quatro tipos histológicos maiores.
Os carcinomas broncogênicos são classificados de acordo com o seu aspecto
histológico predominante.

• O adenocarcinoma constitui o câncer do pulmão mais comum em mulheres e homens. Com freqüência manifesta-se na forma de massa periférica, como fenótipo resultante da quebra dos mecanismos distais de defesa pulmonar. Os aspectos microscópicos característicos incluem formação glandular, geralmente com produção de mucina. Com freqüência observa-se uma resposta tecidual desmoplásica adjacente.

• O carcinoma de células escamosas exibe a maior correlação observada com o tabagismo. Esses carcinomas surgem, em sua maioria, no hilo ou próximo a ele por quebra dos mecanismos de defesa pulmonar proximais.
Em nível microscópico, variam desde neoplasias queratinizantes (daí o nome epidermóides) bem diferenciadas a tumores anaplásicos com diferenciação queratinizante apenas focal.

• O carcinoma de pequenas células é o mais maligno dos cânceres pulmonares e, em geral, manifesta-se na forma de tumor central e hilar, como fenótipo resultante da quebra dos mecanismos de defesa pulmonar proximais. Está fortemente associado ao hábito de fumar. Os aspectos microscópicos característicos incluem a presença de pequenas células semelhantes aos grãos de aveia, com pequena quantidade de citoplasma, dispondo-se em ninhos ou agregados, sem diferenciação escamosa ou glandular. Em nível ultra-estrutural, as células cancerosas podem exibir grânulos neurossecretores, e as colorações por imuno-histoquímica são habitualmente positivas para marcadores neuroendócrinos. Esses tumores produzem, com mais freqüência, síndromes paraneoplásicas (descritas adiante).

• O carcinoma de grandes células provavelmente representa carcinomas de células escamosas ou adenocarcinomas pouco diferenciados. Em certas ocasiões existem elementos histológicos peculiares (células gigantes, células claras, células fusiformes).