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Toxina botulínica no tratamento do estrabismo

Publicado em 21/04/2011. Revisado por Reinaldo Rodrigues (Enfermeiro - Coren nº 491692) a 14 dezembro 2018

A utilização da Toxina Botulínica (TB) no tratamento do estrabismo da criança, e particularmente naqueles com menor potencial de fusão e estereopsia, é assunto controverso. Apresentamos o follow-up (1 semana a 6 meses após injecção de TB) de 3 crianças, com Endotropia Infantil (caso 1) e Endotropia com componente neurológico associado, Paralisia Cerebral (casos 2,3), submetidas a este tratamento, respectivamente aos 12 (caso 1) e 33 (casos 2,3) meses de idade.

Exotropia surgida na primeira semana após toxina botulínica, inicialmente constante e progressivamente variável, ficando frequentemente em ortoposição entre os 2 e 3 meses de idade, foi o resultado comum às 3 crianças. Aos 6 meses após TB, o alinhamento ocular era ainda variável no caso 3 (por vezes ortofória, por vezes endotropia); o caso 1 apresentava Et < 20 D e o caso 2 encontrava-se ortofórico. Em todos os casos o desvio aos 6 meses foi notavelmente inferior ao inicialmente apresentado.

Como efeitos laterais, ptose unilateral transitória (2 semanas), não necesitando de oclusão (caso 1) e ptose unilateral necessitando de oclusão parcial por 1,5 meses (caso 2).

Apesar do carácter polémico da utilização da toxina botulínica em crianças, com autores referindo resultados (pelo menos motores) idênticos à cirurgia, estáveis e com uma técnica rápida e menos invasiva, mas outros salientando a menor eficácia e maior variabilidade no alinhamento motor e mesmo a inferioridade dos resultados sensoriais na Endotropia Infantil, talvez devida ao alinhamento flutuante persistindo por 5 meses após a injecção inicial, pensamos ser a toxina botulínica mais uma instrumento ao nosso dispor, o qual, mesmo nos casos em que a cirurgia acabará em ultima análise por ser necessária, permite protelar esta até uma idade em que a colaboração da criança ou a maior estabilidade do desvio facilitam a correcta definição do plano cirúrgico.

Titulo – Toxina botulínica na criança: a propósito de 3 casos

PAULO VALE, HELDER PEREIRA, CRISTINA ALMEIDA, CARMINDA PIRES, LUISA CRUZ
Hospital Pedro Hispano, Matosinhos

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Autores
Reinaldo Rodrigues (Enfermeiro - Coren nº 491692)

Enfermeiro - Coren nº 491692

O Reinaldo Rodrigues formou-se em agosto de 2016, pela Universidade Padre Anchieta, em Jundiai. Fez curso de especialização em APH (Atendimento Pré-Hospitalar), pela escola 22Brasil Treinamentos, em Barueri, curso de 200 horas práticas, com foco em acidentes de trânsito.

Trabalha como Cuidador de Idosos há 5 anos, e possui experiência em aspiração de vias aéreas, banho de aspersão, curativos, tratamento e prevenção de Lesão por Pressão, gerenciamento de Equipe de cuidadores com elaboração de escalas. Treinamento e acompanhamento de cuidadores nas casas dos pacientes.

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