Transplante de córnea

Revisado por Reinaldo Rodrigues (Enfermeiro - Coren nº 491692) a 14 dezembro 2018

O transplante de córnea é, em casos primários e em córneas avasculares, um procedimento cirúrgico de elevado sucesso com taxas de sobrevida aos 2 anos de mais de 90%. Paradoxalmente, em córneas vascularizadas a taxa de falência do transplante no primeiro ano é superior a 35% podendo chegar a 100% em casos de queimaduras químicas extensas. Para além de reconhecidos factores predisporem à falência do transplante (afaquia, inflamação na altura da queratoplastia, transplantes de diâmetro superior a 8 mm, presença de lentes intraoculares de câmara anterior, vascularização, etc), muito se tem discutido acerca da importância da compatibilidade do sistema HLA no sucesso e sobrevida dos transplantes corneanos.

Associação entre sobrevida do transplante de córnea e a compatibilidade HLA

P. FARIA, M. LOURENÇO, M. J. QUADRADO, A. MARTINHO, J. REGATEIRO E J. N. MURTA
Serviço de Oftalmologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra e Centro de Histocompatibilidade do Centro, Coimbra

A Secção de Córnea do Serviço de Oftalmologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra, apesar de não proceder a qualquer estudo de histocompatibilidade em córneas avasculares, realiza em todos os receptores de alto risco (retransplantes e córneas vascularizadas) estudo de histocompatibilidade no Centro de Histocompatibilidade do Centro.

Neste trabalho avaliamos a associação entre rejeição e falência de transplantes de córnea de alto risco e compatibilidade dador-receptor HLA em 60 doentes no período compreendido entre 1988 e 1999 (follow-up médio de 30 meses). Todos os casos sofriam de falência de um prévio transplante ou eram portadores de vascularização corneana acentuada após queratite herpética, queimaduras por químicos, traumatismos, abcessos da córnea, etc. Durante este período 32 olhos (54%) sofreram de episódios de rejeição; em19 olhos (32%) observou-se falência do transplante. Após realização do estudo de histocompatibilidade, e depois de comprovada compatibilidade HLA-DR, verificámos uma diminuição significativa da taxa de falência do transplante unicamente quando se encontrava compatibilidade de 2 ou mais alelos no sistema HLA A e B. Analisando as diversas patologias observou-se igualmente que a queratite herpética apresentava um prognóstico significativamente melhor que todas as outras.