Transplante facial

Revisado por Reinaldo Rodrigues (Enfermeiro - Coren nº 491692) a 14 dezembro 2018

Transplante facial?

Cirurgiões dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha e da França dizem que já é possível transplantar o rosto de uma pessoa morta para o de outra, cuja face foi desfigurada. Mas até que ponto essa técnica pode ser viável e com que garantias futuras? Mais uma polémica que promete agitar cientistas e opinião publica. O “Real College of Surgeons” de Inglaterra prepara-se para publicar esta semana um relatório sobre transplantes faciais.Uma ideia já ficcionada pela cinematografia internacional e que agora pode tornar-se real.

Por isso os médicos britânicos alertam que ainda é preciso obter a aprovação da opinião pública para a polémica operação, que já foi imortalizada num filme de ficção científica “A Outra Face”, com John Travolta e Nicolas Cage. Os especialistas dizem estar conscientes de que tal cirurgia traz implicações morais, éticas e psicológicas, mas acreditam que o relatório vai suscitar um amplo debate sobre a operação. Os cirurgiões britânicos que se aventuraram nesta intervenção, dizem mesmo que já foram procurados por pacientes que estariam muito interessados no procedimento.

A cirurgia

A técnica consistiria em extrair pele e músculos faciais de um doador morto e de transplantá-los para outra pessoa. Esta possibilidade de realizar um transplante facial foi levantada por cirurgiões plásticos da Grã-Bretanha pela primeira vez há um ano. Na altura Peter Butler, cirurgião plástico do Royal Free Hospital de Londres, garantia que a operação já podia ser feita dentro de alguns meses.

Actualmente, os mesmos médicos dizem já ter atingido a altura ideal para realizar a operação, graças ao avanço da ciência nos medicamentos contra a rejeição de órgãos. Mas os médicos do Royal Free Hospital, da Grã-Bretanha, garantem que não avançam para este tipo de cirurgia enquanto não se chegar a um consenso sobre todas as questões polémicas que envolvem esta operação. Além da divulgação do relatório, na Grã-Bretanha vai decorrer ainda um debate sobre o tema, que acontecerá no Museu de Ciência, de Londres, também esta semana. A discussão será comandada por John Barker, cirurgião plástico-chefe da Universidade de Lousiana.

A equipa de Barker pode ser a primeira a realizar um transplante facial caso seja dada autorização para realizar essa intervenção cirúrgica. No entanto o interesse mundial é tão crescente nesta “aventura” que uma outra equipa de França já pediu aprovação das autoridades médicas gaulesas para realizar a operação.