-->Tratamento para doença inflamatória pélvica - Educar Saúde

Tratamento para doença inflamatória pélvica

Publicado em 19/02/2019. Revisado por Drª Camille Rocha Risegato (Ginecologista e Obstetra - CRM SP-119093) a 19 fevereiro 2019

Se não tratada a tempo, a DIP (doença inflamatória pélvica) pode originar complicações severas no aparelho reprodutor feminino. Ao causar danos nas trompas uterinas, a mulher fica sujeita a desenvolver problemas associados à reprodução. Uma das probabilidades é a gravidez ectópica, caracterizada pela implantação do óvulo no exterior do útero. Em outros casos, a mulher tende a ter muita dificuldade para engravidar. Felizmente, as terapias disponíveis são eficazes. O tratamento quase nunca exige cirurgia.

Tratamento Para Doença Inflamatória Pélvica

Quais os antibióticos mais usados

A abordagem terapêutica para curar a doença inflamatória pélvica é realizada com o uso de medicamentos antibióticos, por administração oral ou por via intravenosa. A duração do tratamento depende da orientação médica mas pode se estender até 2 semanas. Alguns dos medicamentos antibióticos mais usados incluem:

  • azitromicina — o composto mais utilizado;
  • doxiciclina;
  • levofloxacino;
  • ceftriaxona;
  • amoxicilina;
  • clindamicina;
  • metronidazol.

Durante o tratamento a mulher não deve manter atividades sexuais. Se for usuária do DIU (dispositivo intrauterino) precisa removê-lo antes de iniciar o tratamento. As dores podem ser minimizadas com o consumo de remédios anti-inflamatórios, como o ibuprofeno, e analgésicos, como o paracetamol.

Tome o medicamento exatamente como o médico lhe diz. Termine TODO o tratamento, mesmo que se sinta melhor antes de terminá-lo.

Em relação ao parceiro, ele precisa ser submetido ao mesmo tratamento em simultâneo com a mulher. Esta recomendação é válida até mesmo nos casos em que o homem não exibe sintomas, e serve para prevenir a reincidência da doença.

Quando o tratamento não oferece melhorias após 3 dias de terapia antibiótica pode ser necessária a administração de fármacos via intravenosa.

A evolução da DIP aumenta o risco da formação de abscessos repletos de material purulento nas trompas de Falópio, uma complicação que exige cirurgia, usada com o objetivo de drenar o líquido presente nesses abscessos.

Alguns cuidados a ter:

  • Faça repouso na cama. Se a infecção for grave, pode ser necessário ficar na cama por vários dias.
  • Beba bastante líquido e alimenta-se de forma saudável.
  • Não use tampões.
  • Se sentir dor, pode tomar aspirina, ibuprofeno ou paracetamol. Usar uma almofada de aquecimento também pode ser útil em alguns casos.

Possíveis complicações da DIP

Quanto mais cedo a mulher for submetida ao tratamento da doença inflamatória pélvica, mais protegida ela estará de algumas complicações. As cicatrizes geradas no útero podem causar:

Publicidade

Infertilidade: O risco da mulher ficar infértil é elevado, uma vez que o processo de cicatrização da DIP podem inviabilizar a fecundação adequada do óvulo.

Gravidez ectópica: A presença de cicatrizes em determinados locais das tubas uterinas, pode ser um obstáculo para a saída do óvulo para o útero. O grande problema é que, mesmo assim, o óvulo pode ser fertilizado pelo espermatozoide, independentemente da localização, podendo levar a uma gravidez totalmente inviável, problemática e dolorosa para a mulher, já que ocorre nas trompas. Entenda o que é a Gravidez Ectópica: Causas, Sintomas e Tratamentos.

Abscessos ovarianos: Com a aglutinação de fluido purulento liberado pelas inflamações das cicatrizes, a região atingida fica propensa ao desenvolvimento de abscessos e cistos nos ovários. Em caso de rompimento, o pus contido nesses abscessos tende a provocar profundas infecções internas. Por vezes a mulher também apresenta sangramentos.

Publicidade

Todas essas complicações costumam ser acompanhadas de dores crônicas na região pélvica. A única maneira de amenizar essas dores e evitar as complicações mencionadas é adotando um tratamento efetivo.

Como posso evitar a DIP?

O teste para detectar doenças sexualmente transmissíveis é uma das melhores maneiras de evitar a doença inflamatória pélvica, já que a clamídia e a gonorreia são a causa da doença. Muitas pessoas com clamídia ou gonorreia não apresentam qualquer sintoma, portanto, a única maneira de saber você tem alguma dessas infecções é realizando os testes de rastreio.

Ambas, tanto a clamídia como a gonorreia, podem ser facilmente tratadas e curadas com o uso de antibióticos. Quanto mais cedo iniciar o tratamento, menor será o risco de desenvolver a doença (e o mesmo se aplica aos parceiros sexuais). Praticar sexo seguro e usar preservativo também pode ajudar a evitar muitas destas infecções e outras doenças sexualmente transmissíveis.

Os contraceptivos hormonais NÃO previnem as doenças sexualmente transmissíveis, portanto, o fato de usar contraceptivos não significa que a mulher não esteja em risco de contrair uma dessas doenças.

Cuidado com as duchas e as vaporizações vaginais, pois geralmente são habitos que não são bons para a vagina, levando por vezes a irritações e infecções. Além disso, também contribuem para a DIP, uma vez que empurram as bactérias para o interior do corpo e tornam a vagina um local perfeito para bactérias.

Sintomas de melhora

Quando a mulher reage da maneira esperada ao tratamento, geralmente verifica melhoras após alguns dias. Para identificar a melhora do quadro, basta estar atenta aos seguintes sinais:

  • amenização do quadro febril (se houver);
  • reequilíbrio do ciclo menstrual;
  • alívio das dores localizadas na região pélvica.

Existem, é claro, aqueles quadros assintomáticos, em que o médico precisa avaliar o progresso de cura por meio de uma laparoscopia ou ultrassonografia.

Publicidade

Sintomas de piora

Caso a paciente dê início ao tratamento da doença inflamatória pélvica de forma tardia, ela estará suscetível às cicatrizes típicas da doença. O sinal mais evidente dessas cicatrizes, que indicam o avanço da doença, são os sangramento presentes entre os ciclos menstruais.

Outro indício de piora é a sensação dolorosa na vagina durante a saída da urina ou penetração sexual, além do aumento do incômodo sentido na região pélvica.

A DIP é uma patologia muito associada às mulheres que apresentam uma vida sexual bem ativa ou que são usuárias do dispositivo intra-uterino.

Para minimizar todos estes riscos, a mulher precisa ficar atenta a manifestações estranhas na região pélvica e consultar o ginecologista caso os sintomas persistam.

Saiba mais sobre:
A informação foi útil? Sim / Não

O texto contém informações incorretas? Está faltando a informação que você está procurando? Se ficou com alguma dúvida ou encontrou algum erro escreva-nos para que possamos verificar e melhorar o conteúdo. Não lhe iremos responder diretamente. Se pretende uma resposta use a nossa página de Contato.


Nota: O Educar Saúde não é um prestador de cuidados de saúde. Não podemos responder a perguntas de saúde ou aconselhá-lo nesse sentido.
Autores
Drª Camille Rocha Risegato (Ginecologista e Obstetra - CRM SP-119093)

Ginecologista e Obstetra - CRM SP-119093

Dra Camille Vitoria Rocha Risegato - CRM SP nº 119093 é formada há 14 anos pela Fundação Técnico Educacional Souza Marques, Rio de Janeiro.

Dra Camille mudou se para São Paulo onde realizou e concluiu residência médica em Ginecologia e Obstetrícia (RQE nº 25978) no Centro de Referência de Saúde da Mulher no Hospital Pérola Byington em 2007.

Em 2008 se especializou em Patologia do Trato Genital Inferior nesse mesmo serviço. Ainda fez curso de ultrassonografia em ginecologia e obstetrícia na Escola Cetrus.

Trabalha em setor público e privado, atendendo atualmente em seu consultório médico particular situado na Avenida Leoncio de Magalhães 1192, no bairro do jardim São Paulo, zona norte de São Paulo.

Também pode encontrar a Dra Camille no Linkedin, Facebook e Instagram

.
Publicidade