Tratamento para Doenças Sexualmente Transmissíveis: Tricomoníase, herpes, HPV + outras 4

Atualizado e Revisado por Drª Camille Rocha Risegato (Ginecologista e Obstetra - CRM SP-119093) a 09/08/2019. Publicado originalmente em 25 de junho de 2019

As IST’s, referidas no passado como Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST’s), são infecções transmitidas de pessoa para pessoa após o contato íntimo desprotegido. Existem diversos tipos de DST’s, ocasionadas por diferentes agentes virais. Cada uma delas necessita de tratamento específico, medida essencial para aumentar as chances de cura e controle da doença.

Caso ocorram alguns dos sintomas indicados abaixo é importante o paciente procurar auxílio de um urologista (no caso dos Homens) ou ginecologista (no caso de mulheres), onde será confirmado o diagnóstico e indicada a melhor terapia farmacológica – que pode incluir a administração de antibióticos e antifúngicos (em forma de comprimidos, injeções ou pomadas…).

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Sintomas das DST’s a estar atento

De uma forma geral, existem alguns sinais que podem servir de “alerta” para uma possível infecção causada por uma relação sexual desprotegida. Mudanças na coloração, no cheiro ou na espessura do corrimento vaginal são alguns dos sintomas típicos nas mulheres. É importante também estar atento aos episódios de disúria, quando existe dor ao urinar. Confira o que pode ser dor ao urinar.

Coceira na região genital acompanhada de dispareunia (dor durante o ato sexual) são outros indícios. Por último, é importante procurar por ajuda médica quando surgem lesões como feridas, bolhas ou verrugas no pênis ou vagina.

Confira os guias educativos publicados sobre Feridas na vagina, bolhas, verrugas genitais e feridas no pênis.

Existe cura para as DST’s?

É importante entender que nem todas as doenças sexualmente transmissíveis podem ser curadas. A AIDS e a herpes genital são dois exemplos de infecções que, de momento, ainda não podem ser curadas de forma definitiva. No entanto, existem tratamentos para aliviar o impacto causado por elas, minimizando os números de transmissão e melhorando a qualidade de vida do paciente.

Como é feito o tratamento

Neste guia educativo do Educar Saúde reunimos algumas diretrizes de tratamento estabelecidas pelo protocolo clínico do Ministério da Saúde para as 7 Doenças Sexualmente Transmissíveis mais comuns.

Importante: Devido à grande variedade de DST’s, é importante que seja realizado um diagnóstico preciso para que se administre o melhor tratamento. As DST’s podem ter origem bacteriana, viral e parasitária. Estes diferentes agentes necessitam de terapias específicas para serem controlados ou, quando possível, eliminados.

Além da observação dos sintomas e da análise do histórico do paciente, o diagnóstico das DST’s consiste na realização de exames de sangue, urina e e cultura de secreções vaginais. Nenhum destes exames busca a causa da infecção. Têm apenas como objetivo identificar o organismo invasor para que seja iniciado o tratamento.

Tricomoníase

A tricomoníase é uma IST curável que infecta a área genital (vagina ou pênis), atribuída ao protozoário Trichomonas vaginalis – pequeno parasita flagelado e anaeróbio. Além de ser transmitida através do contato íntimo desprotegido, também pode ocorrer após o compartilhamento de peças íntimas contaminadas. Tem como principal característica o corrimento branco, cinza, amarelo ou verde, de aspecto espumoso acompanhado de mau cheiro. É tratada geralmente com antibióticos, sendo mais comum o Metronidazol.

De acordo com o protocolo clínico do Ministério da Saúde, pode ser usado o seguinte esquema de administração:

  • Metronidazol 400 mg, 5 comprimidos em dose única;
  • Metronidazol 250 mg, 2 comprimidos de 12/12h por 7 dias.

Nota: Em caso de gravidez, o tratamento deve ser ajustado pelo ginecologista.

Conheça os sinais que ajudam a identificar a tricomoníase.

Herpes Genital

O herpes genital é uma IST de origem viral causada pelo vírus herpes simplex, que pode ser transmitido através do sexo oral, vaginal ou anal. Tem como principal característica o aparecimento de feridas, principalmente na fase ativa da doença. As bolhas e úlceras nos órgãos genitais são tratadas com remédios antivirais, como Aciclovir e Valaciclovir.

As pomadas e outros cremes podem ser usados para amenizar a dor. A dosagem da medicação deve ser sempre decidida pelo médico. Atualmente não existe cura definitiva para a herpes genital. De acordo com o protocolo clínico do Ministério da Saúde, o Aciclovir pode ser usado seguindo o esquema:

Primeira manifestação:

  • Aciclovir 200 mg, 2 comprimidos de 8/8h, durante Sete dias ou,
  • Aciclovir 200 mg, 1 comprimido de 4/4h, durante Sete dias.

Herpes recorrente:

  • Aciclovir 200 mg, 2 comprimidos de 8/8h, durante cinco dias ou,
  • Aciclovir 200 mg, 1 comprimido de 4/4h, durante cinco dias.

Saiba mais sobre o Tratamento para herpes genital.

HPV

O HPV é uma DST originada por um grupo de cepas virais (de vários tipos), tendo como principal característica o aparecimento de verrugas na região genital, ânus e, em mulheres, no colo do útero. Se não for controlado pode evoluir para um câncer. Ainda que possa ser eliminada naturalmente pelo próprio corpo, geralmente necessita de ajuda farmacológica. A sua remoção pode ser feita com a administração de medicação tópica aplicada nas verrugas e, nos casos mais severos, pode ser necessária crioterapia ou uma pequena intervenção cirúrgica. Saiba mais sobre o Tratamento para verrugas genitais.

Clamídia

A clamídia é uma infecção grave que pode causar infertilidade. É desencadeada pela bactéria Chlamydia trachomatis e por vezes não apresenta sintomas, o que atrasa o diagnóstico. Quando ocorrem sintomas, os mais característicos são disúria (dor ao urinar), corrimento amarelado e esbranquiçado, e sangramento durante as relações íntimas. É tratada normalmente com uma dose única de antibiótico, ainda que alguns pacientes tenham que adotar um tratamento de 7 dias. O medicamento mais comum é a Azitromicina.

De acordo com algumas diretrizes clínicas do Ministério da Saúde, o uso de antibióticos pode ser administrado da seguinte forma:

Primeira opção:

  • Azitromicina 1 g, em forma de comprimido, em dose única, ou;
  • Doxiciclina 100 mg, em forma de comprimido, de 12/12 horas por 7 dias, ou;
  • Amoxicilina 500 mg, em forma de comprimido, 8/8h por 7 dias.

É importante que o tratamento seja sempre conduzido por um médico, já que, por exemplo, no caso de gravidez, não deve ser administrada Doxiciclina.

Confira as principais manifestações da clamídia e como ocorre a transmissão.

AIDS

Doença causada pelo vírus HIV, a AIDS que tem como principal característica o comprometimento do sistema imunológico. Isso faz com que o corpo perca a sua capacidade de combater infecções causadas por outros organismos.

Os sinais mais característicos da AIDS são cansaço intenso, perda de peso, febre e diarreia sem motivo claro. É importante lembrar que a AIDS ocorre quando a infecção por HIV não é tratada e, ainda que não tenha cura definitiva, o tratamento ajuda a minimizar os danos causados pelo vírus e reduzir as possibilidades de transmissão.

O tratamento normalmente é feito com a combinação de alguns fármacos, cada um deles com um objetivo. 4 exemplos de antivirais muitas vezes administrados nestes casos incluem o Tenofovir, o Efavirenz, a Didanosina e a Lamivudina.

Sífilis

A sífilis é uma IST causada pela bactéria Treponema pallidum, tratável nos estágios iniciais, que manifesta diferentes sintomas de acordo com a fase em que se encontra. De uma forma geral, apresenta feridas indolores após a primeira fase de incubação, que desaparecem após tratamento.

No entanto, se não for identificada neste primeiro momento irá evoluir para o segundo estágio – em que a bactéria se dissemina pelo organismo através da corrente sanguínea, causando lesões em todo o corpo.

No tratamento da sífilis, o medicamento usado geralmente é a penicilina, que deve ser usada em doses que variam dependendo do estágio em que se encontra a infecção. De acordo com as diretrizes clínicas do Ministério da Saúde, o uso de Penicilina no tratamento da Sífilis pode ser administrada da seguinte forma:

Sífilis primária, secundária ou latente recente:

  • Penicilina G benzatina, 2,4 milhões de UI – em injeção intramuscular única, administrando 1,2 milhões de UI em cada glúteo.

Em alternativa à Penicilina podem ser administrados 100 mg de Doxiciclina, 2 vezes ao dia, durante 15 dias. Em mulheres grávidas, o tratamento deve ser realizado com 1 g de Ceftriaxona, em injeção intramuscular, durante 8 a 10 dias.

Sífilis latente tardia ou terciária:

  • Penicilina G benzatina, 2,4 milhões de UI, em injeção administrada por semana, durante três semanas.

Em alternativa à Penicilina, o tratamento pode ser realizado com 100 mg de Doxiciclina, duas vezes ao dia durante 30 dias. Em mulheres grávidas o tratamento pode ser feito com Ceftriaxona 1g, em injeção intramuscular, durante oito a dez dias.

Gonorreia

A gonorreia é uma DST que afeta inicialmente as superfícies da membrana mucosa do trato genital inferior, e é originada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae. Nos homens acomete a uretra – canal responsável pela ligação entre a bexiga e o meio externo. Nas mulheres pode afetar o útero, assim como as tubas uterinas e o colo do útero.

Tem como principal característica o ardor ao urinar, além de corrimento amarelado nas mulheres e secreção de pus nos homens. Caso não seja identificada e tratada, pode causar lesões visíveis, atingir outros órgãos e afetar a fertilidade. Por ser uma DST bacteriana, é tratada com antibióticos, principalmente azitromicina via oral.

De acordo com as diretrizes estabelecidas pelo protocolo clínico do Ministério da Saúde, a primeira opção de tratamento inclui o uso de:

  • Ciprofloxacino 500 mg, em forma de comprimido, em dose única, e;
  • Azitromicina 500 mg, dois comprimidos, em dose única.

ou

  • Ceftriaxona 500 mg, através de injeção intramuscular, em dose única, e;
  • Azitromicina 500 mg, dois comprimidos, em dose única.

Em gestantes, e crianças menores de dezoito anos, o ciprofloxacino deve ser evitado, dando preferência à ceftriaxona.

Compreenda melhor o que é a gonorreia, suas manifestações no corpo e como prevenir a infecção.

Como Tratar As 7 Doenças Sexualmente Transmissíveis Mais Comuns

Possíveis complicações

As doenças sexualmente transmissíveis não tratadas carregam algumas complicações em comum. Quando não são diagnosticadas ou quando o tratamento não é eficaz, podem ocorrer problemas de fertilidade, assim como impotência nos homens devido à inflamação dos órgãos genitais.

Nas mulheres, as infecções no útero, trompas e ovários podem causar sepse – infecções generalizadas extremamente graves. Nas gestantes, as DSTs não tratadas podem originar abortos espontâneos, e problemas no bebê – que incluem a má formação e até mesmo morte do feto.

Como evitar as DST’s

A única forma 100% segura de evitar DST’s é através da abstinência sexual. No entanto, o uso de preservativo durante as relações é o método mais comum e recomendado. Utilizar a camisinha de forma correta é fundamental para aumentar a proteção.

Ter práticas sexuais mais seguras, como um número limitado de parceiros, também é uma forma de reduzir as chances de contrair essas doenças. Nos homens, a circuncisão também se mostra eficaz.

Realizar exames periodicamente é essencial para iniciar o tratamento rapidamente e diminuir as chances de transmissão.

Das doenças mencionadas anteriormente, a vacina funciona como prevenção apenas para o HPV.

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Nota: O Educar Saúde não é um prestador de cuidados de saúde. Não podemos responder a perguntas de saúde ou aconselhá-lo nesse sentido.

Referências
  • Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT): Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST). 2.ed. Brasília: 2016.
  • STD Treatment – CDC (https://www.cdc.gov/std/treatment/default.htm)
Autores
Drª Camille Rocha Risegato (Ginecologista e Obstetra - CRM SP-119093)

Ginecologista e Obstetra - CRM SP-119093

Dra Camille Vitoria Rocha Risegato - CRM SP nº 119093 é formada há 14 anos pela Fundação Técnico Educacional Souza Marques, Rio de Janeiro.

> Consultar CRM (Fonte: https://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_medicos&Itemid=59)

Dra Camille mudou-se para São Paulo onde realizou e concluiu residência médica em Ginecologia e Obstetrícia (RQE nº 25978) no Centro de Referência de Saúde da Mulher no Hospital Pérola Byington em 2007.

Em 2008 se especializou em Patologia do Trato Genital Inferior nesse mesmo serviço. Ainda fez curso de ultrassonografia em ginecologia e obstetrícia na Escola Cetrus.

Trabalha em setor público e privado, atendendo atualmente em seu consultório médico particular situado na Avenida Leoncio de Magalhães 1192, no bairro do jardim São Paulo, zona norte de São Paulo.

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Última atualização da página em 09/08/19