Tuberculose Multirresistente

Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018

O que é? A Tuberculose Multirresistente é uma Tuberculose resistente a pelo menos dois medicamentos anti-tuberculosos que são nucleares no seu tratamento – a Isoniazida e a Rifampicina.

Algumas formas de Tuberculose Multirresistente são também resistentes a outros medicamentos anti-tuberculosos.

Quando essas resistências incluem pelo menos um dos fármacos de cada um de dois grupos de medicamentos também importantes no tratamento da tuberculose – as Fluoroquinolonas (Ofloxacina, Levofloxacina, Moxifloxacina) e os antibacilares injectáveis (Amicacina, Canamicina, Capreomicina) – então essa Tuberculose designa-se de Tuberculose Extensivamente Resistente (TBXDR).

Como é que a Tuberculose se torna resistente?

A Tuberculose é uma doença causada pelo bacilo de Koch (Mycobacterium tuberculosis). Alguns bacilos sofrem naturalmente mutações espontâneas e podem adquirir resistências à acção dos medicamentos.

Quando o tratamento é cumprido sem falhas estes bacilos são eliminados. No entanto, se o tratamento não for o correcto então estes bacilos ficam dominantes e a Tuberculose torna-se resistente.

Como se contrai a Tuberculose Multirresistente?

Há duas vias para a contrair.

A primeira é quando no decurso de uma Tuberculose comum os erros no tratamento levam a que os bacilos causadores da doença se tornem resistentes.

A insuficiência na quantidade de fármacos recomendados, o incumprimento das doses indicadas, falhas na regularidade das tomas dos medicamentos, o abandono antes de tempo do tratamento por parte do doente ou má prescrição terapêutica são os factores principais que podem levar à TBMR.

Raramente a existência de doenças associadas à Tuberculose, no mesmo doente, podem levar a uma diminuição da eficácia dos medicamentos e contribuir também para o desenvolvimento de resistências.

A outra via para contrair a TBMR é quando a fonte de contágio é um doente com a mesma, portanto o bacilo que vai causar a doença a outros indivíduos já é resistente aos medicamentos.

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Como se pode prevenir a Tuberculose Multirresistente?

A melhor forma de a prevenir é o correcto cumprimento do tratamento da Tuberculose comum.

A medida fundamental para alcançar este objectivo é a Toma Observada Directamente (TOD).

A  Toma Observada Directamenteconsiste na administração dos medicamentos na presença de técnicos de saúde (enfermeiros, médicos).

Além de assegurar o cumprimento do tratamento a presença assídua dos técnicos de saúde pode melhorar o acompanhamento da evolução da doença assim como detectar e resolver, mais rapidamente, ocorrências adversas que possam surgir.

Para prevenir a disseminação desta patologia é, também, essencial o isolamento dos doentes, com esta forma de Tuberculose, em condições adequadas, enquanto se mantêm contagiosos.

A Tuberculose Multirresistente tem cura?

O tratamento adequado, respeitando estritamente as recomendações em vigor segundo os conhecimentos actuais, pode levar à cura.

No entanto, como os medicamentos de recurso existentes são menos eficazes, o sucesso do tratamento desta é muito inferior e a mortalidade muito superior à Tuberculose comum.

A possibilidade de cura está também dependente da extensão das resistências. Algumas destas são resistentes a todos, ou a quase todos, os fármacos configurando, assim, formas de Tuberculose praticamente incuráveis.

Como se sabe que a Tuberculose é  Multirresistente?

Podemos suspeitar que uma Tuberculose é multirresistente quando no decurso do tratamento a Tuberculose continua activa não se constatando melhoria dos sintomas ou quando após uma evolução favorável acontece agravamento da doença ou, ainda, quando estamos perante um doente que já teve Tuberculose no passado. Habitualmente estes casos estão associados a uma má adesão do doente ao tratamento.

É igualmente provável que uma TB seja MR quando o doente em causa teve como contacto um outro doente já com uma TBMR conhecida. No entanto só é possível ter a certeza que a TB é MR com a utilização de testes específicos.

Existem dois tipos principais de testes laboratoriais de resistência do bacilo da Tuberculose.

O teste mais clássico, que continua a ser o principal, avalia a resposta dos bacilos quando exposto aos medicamentos anti-tuberculosos. Neste caso se os bacilos não morrerem consideram-se resistentes aos medicamentos a que tiveram expostos.

O outro teste desenvolvido mais recentemente, com um tempo de execução consideravelmente mais rápido, baseia-se na análise molecular do ADN do bacilo e tem como objectivo detectar os genes do bacilo responsáveis pelas resistências aos vários medicamentos usados no tratamento da tuberculose.

Esta doença pode deixar sequelas nos pulmões?

A Tuberculose é uma doença que atinge, preferencialmente, os pulmões e pode provocar extensas lesões destrutivas desse órgão.

No passado, quando não existia tratamento capaz, os doentes que sobreviviam, frequentemente, ficavam com sequelas, muitas vezes, incapacitantes.

Com a introdução de medicamentos eficazes a cura da doença limitou fortemente o desenvolvimento de sequelas na Tuberculose pulmonar.

Contudo por razões várias relacionadas com a extensão da doença ou com uma evolução desfavorável do tratamento, alguns doentes podem contrair lesões crónicas.

Os doentes com ela estão condicionados a tratamentos menos eficazes e mais prolongados o que pode configurar um risco para o aparecimento de sequelas após a fase activa da doença.

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