Turismo Náutico

Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018

Hoje vou falar sobre o turismo náutico em Portugal e operações marítimo-turisticas, não só como frequentador de zonas balneares mas tambem como um Portugues que deseja ver o seu País aproveitar as suas melhores qualidades e mais-valias.

Vivemos num País que tem no turismo, nas suas variadas formas, uma das suas grandes fontes de riqueza. Se o turismo, de uma maneira geral, tem vindo ao longo dos anos a ser fortemente divulgado e modernizado, não só na requalificação de antigas quintas e casas Senhoriais, transformando-as no chamado turismo de habitação e turismo rural, não só na requalificação de antigos Castelos, Palácios e Mosteiros, transformando-os em modernas unidades de hotelaria mas também e mais recentemente na área do turismo-náutico. É notória a intenção da Comunidade Económica Europeia em apostar no desenvolvimento do turismo ligado ao mar. 

Facilmente observamos essa intenção se nos documentarmos ou consultarmos todas as normas Europeias que, durante estes 2 ou 3 últimos anos, foram aprovadas que visam dotar as empresas de turismo-náutico de mais e melhores capacidades e de mais e melhor qualidade na prestação desses serviços. Observando os valores deste ultimo quadro comunitário de apoio (III CREN) facilmente nos apercebemos que já está a haver uma forte aposta nesta área.

Portugal é, sem dúvida, uma das principais referências na procura europeia de praias e mar. Havendo vontade e honestidade podemos tornar este pequeno País numa referência única a nível europeu. Se pensarmos que a nossa costa não se limita ao continente depressa nos lembramos de 2 jóias que Portugal tem plantadas no meio do Oceano Atlântico, o arquipélago dos Açores e o arquipélago da Madeira.

Com a quantidade, qualidade e diversidade da costa atlântica Portuguesa temos, obrigatoriamente, de analisar o fenómeno do turismo-náutico e das operações marítimoturísticas a que esta espécie de turismo está ligado. É notório que as altas personalidades da nação já se
aperceberam dessa situação. Vejamos, Cavaco Silva, Ex.mo Sr. Presidente da República, afirmou durante as “Jornadas para a Ciência e Tecnologia do Mar”, que se realizaram em Outubro do ano passado no Algarve, Sines e Açores, que “Não basta o mero sublinhar do nosso potencial, nem a retórica das virtualidades da aposta no mar. É preciso passar à acção, tirar partido das oportunidades geradas pela economia do mar.”, e segundo fonte da Presidência, Cavaco Silva quer chamar a atenção para a riqueza e tecnologias do mar.

Fonte de inspiração e orgulho terão de ser os estudos lançados em 2006, se a memória não me falha, pela organização mundial “Greenpeace” e que colocou os Açores em 4º lugar Mundial, estudos esses baseados na qualidade do mar e da água, qualidade ambiental, fauna e flora subaquática, entre outros factores. Já na edição de Novembro/Dezembro de 2007 da revista “National Geographic”, esta colocou os Açores em 2º lugar mundial, como melhor destino turístico, entre 111 ilhas e Arquipélagos.

Infelizmente essa mesma revista colocou a Madeira no 70ª posto, isto apesar da sua reputação de turismo de alta qualidade, belas paisagens, magníficos jardins, canais de água antigos, religiosidade marcante e o charme do fado, foi largamente penalizada pelo desenvolvimento massivo da hotelaria e dos edifícios demasiado altos. Como ponto de sustentabilidade e desenvolvimento do turismo em zonas balneares estão as operações marítimoturísticas. Muitas ofertas podemos ter para os turistas que nos procuram.

E, sabendo aproveitar e preservar o mar, teremos encontrado mais um factor de ajuda e desenvolvimento do turismo nacional. Já há muitos e longos anos que é comum observarmos nas praias, rios e barragens o aluguer de motos de água, “gaivotas”, pratica de sky-aquático, do parapente, os passeios de “banana”, entre tantas outras actividades. Podemos, igualmente, observar que nos últimos 10 anos tem aumentado o número de mergulhadores com escafandro que frequentam as nossas águas, levando à criação de novas empresas nesta área e onde temos nos Açores e na Madeira “spots” de mergulho do melhor que há no mundo!

Outro fenómeno em grande crescimento a nível mundial é a observação de cetáceos. Esta nova forma de turismo-náutico que começou a surgir nos finais dos anos 80 com a proibição da caça à baleia tem vindo a aumentar e a melhorar destes últimos anos. Para, quem como eu, é conhecedor e frequentador das Ilhas Açorianas pode, facilmente, constatar esta mais-valia, onde rapidamente nos apercebemos que além de ser mais uma oferta turística, o “Whale and Dolphn Watching” é uma fonte de criação de emprego.

Para se poder servir cada vez mais e melhor os milhares de turistas, nacionais e estrangeiros, que procuram um dia cheio de emoções em pleno mar e na companhia de belos golfinhos e imponentes baleias, as empresas têm recrutado cada vez mais funcionários e que vão desde o recepcionista, ao guia, ao skypper de embarcações, ao biólogo marinho até ao recém criado “técnico de operações marítimoturísticas”. Mas mais actividades na área do turismo náutico e operações marítimo-turisticas têm surgido como são os exemplos do aluguer de barcos a motos, os charters em veleiros e a pesca desportiva de alto-mar.

Esta última que podemos encontrar em grande expansão nos arquipélagos nacionais e mundialmente conhecida por “Big Game”. Não querendo ensinar nada a ninguém, penso que as agências de viagens nacionais deviam começar a apostar em pacotes de férias, onde a prática de actividades náuticas, nas variadas formas, estivesse englobada, e direccionados a destinos nacionais. Com a quantidade de actividades marítimo-turísticas que Portugal dispõe, sabendo aproveitá-las, melhora-las e divulgá-las teremos todas as condições para realmente podermos dizer “vá para fora cá dentro” e cativarmos, cada vez mais, o turista estrangeiro.

Sendo um adepto confesso do turismo de qualidade e não do turismo de massas, acho possível termos de tudo um pouco, e conciliarmos estas duas vertentes do turismo, encontrando um equilíbrio entre tudo e todos. Não se pretende que este artigo seja meramente de opinião mas também de elucidação e sensibilização da mais-valia que o mar e as suas tecnologias e operações marítimo-turísticas são e que podem e devem ser fontes de desenvolvimento e de criação de novas empresas e postos de trabalho.

Sendo Portugal um País que deu novos mundos ao Mundo e que foi pioneiro em muitas artes náuticas e de velejar, não nos devíamos esquecer que foi o mar que nos tornou num dos maiores Impérios do Mundo e, talvez seja esse mesmo mar que nos possa ajudar a tornar este País num local onde se possa viver com qualidade e dignidade!!! Não nos esqueçamos, também, que uma das organizações a nível Mundial de que mais nos orgulhamos nos últimos anos foi a “EXPO 98” e que teve como tema “Os Oceanos”.

Não sendo um activista mas sendo alguém que durante alguns meses por ano trabalha na área do mergulho e da observação de cetáceos espero que compreendam a necessidade de se preservar os Oceanos, não só como fonte de vida mas, também, como fonte de emprego.