Uma transformação assombrosa

Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018

Uma transformação assombrosa

Não nos enganemos. O aspecto de um bebé acabado de nascer, tem pouco a ver com a imagem que as pessoas fazem dum recém-nascido: um bebé rechonchudo de pele lisa e rosada, com uma expressão doce no rosto.

Com semelhante expectativa não é de estranhar que muitos pais fiquem espantados ao contemplar pela primeira vez o seu filho. Na verdade ficam bastante impressionados. Basta observar nas fotografias, esses corpinhos cheios de gordura e restos de sangue, meio amarrotados e avermelhados com a cara inchada e cheios de rugas.

É normal. O nascimento constitui uma das experiências mais duras e esforçadas que se tem de enfrentar na vida. Durante horas, a criança é comprimida e empurrada através do angustiante canal de parto, e a sua cabeça e corpo têm de se ir adaptando para poder avançar e, finalmente, sair.

São muito poucos os bebés que completam o caminho para o exterior sem um arranhão, sem uma só marca. Mas, não existe razão para preocupações, tratam-se de pequenas marcas que desaparecem nas primeiras horas ou dias de vida (semanas, no pior dos casos), sem deixar sequelas. O ser humano está preparado para superar as dificuldades do parto, e a recuperação total é espectacularmente rápida.

A cabeça é, certamente, a parte do corpo que sofre mais durante o parto. Além de ser muito volumosa, actua como batedor, abrindo caminho para o resto (salvo se a criança vem de nádegas). Para evitar danos graves, a natureza previu que o crânio do futuro bebé não esteja totalmente ossificado e possa assim moldar-se e atravessar sem perigo o colo uterino, a pélvis e, por último, o orifício vaginal.

Edemas e deformações

O resultado pode ser uma ligeira deformação, que regride espontaneamente nos primeiros dias. A compressão do parto pode originar também um edema na parte superior da cabeça, que lhe dá uma forma apepinada às vezes muito notória, mas que desaparece em dois ou três dias. Também o emprego do fórceps e da ventosa para o retirarem, podem deixar marcas na sua cabeça: um abaulamento circular na zona superior da cabeça e nos parietais.

Edemas e sinais, melhoram nas primeiras horas de vida, ainda que possam tardar semanas em desaparecer totalmente. Inflamação facial (das pálpebras ou lábios) e, inclusivamente, leves hemorragias oculares, mais habituais nos nascidos de cara, são outros sinais, indolores e fugazes, da enorme pressão que suporta a cabeça durante o nascimento.

Ao primeiro olhar chama a atenção o aspecto gorduroso do nascituro, cujo corpo está coberto por um manto de gordura que cuida da sua pele dentro do útero e facilita o seu posterior deslizar pelo canal do parto. Nos dias de hoje, não se lhes dá banho ao nascer, para não eliminar essa capa que ajuda a que não percam calor nos primeiros minutos de vida. Absorvida a gordura, observa-se melhor a pele do bebé, se bem que possa não ser tão lisa e perfeita como se esperava; manchinhas vermelhas, inchaços, rugas e até princípio de descamação são fenómenos passageiros e sem importância.

Se o aspecto gorduroso surpreende, a lanugem, fino velo que cobre a pele do feto, provoca muitas vezes sustos enormes. Se é escuro e abundante, a imagem dos homens pré-históricos vem logo à mente dos pais. Não nos devemos preocupar, a lanugem leva poucos dias a cair.

O ventre um tanto proeminente é outra das características chocantes do recém-nascido. «Pode estar abaulado porque o fígado, ao nascer, é um pouco grande, já que a criança ainda não expulsou nenhum mecónio (conteúdo intestinal formado no período fetal). Além disso, pode haver líquido (edema) acumulado no corpo, que lhe dá esse aspecto inchado. A distensão abdominal, corrige-se nas primeiras 24-48 horas», diz a pediatra Maria das Dores Borges de Sousa.

Há ocasiões, em que as extremidades do bebé apresentam uma coloração azulada ou violeta que assusta os pais. «Deve-se, em parte, à existência do chamado “mecanismo de sábia distribuição”, que consiste em que o sangue vá aos sítios mais importantes (cérebro, rins, etc) quando existe uma situação de risco, mas principalmente deve-se a que a circulação sanguínea não está ainda bem restabelecida no recém-nascido. Nas primeiras horas, ainda está a mudar e é parecida com a circulação fetal, e a distribuição do sangue não funciona ainda bem nas extremidades. Por isso, é normal que as pernas e braços do recém-nascido, estejam inicialmente um pouco frios e azulados», explica a mesma pediatra.

Pouco a pouco o bebé adquire um tom mais rosado e saudável. Naturalmente a aparência do recém-nascido depende em grande parte da maneira como se desenvolveu e decorreu o parto. Um processo excessivamente prolongado e complicado (por exemplo, se o feto é muito grande) marca muito mais que um curto e isento de dificuldades. E, é claro, que um parto vaginal não é igual a uma cesariana. Os nascidos numa sala de operações têm fama de serem mais bonitos e redondinhos. Ainda que só temporariamente. Não se assuste! Em apenas umas horas, o recém-nascido inchado e enrugado converte-se no formoso e adorável bebé que todos tinham imaginado.

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