-->Útero Aumentado: Causas, Tratamento, Perspectivas e Tudo o que Precisa Saber

Aumento do útero pode ser câncer? Descubra as Causas e Como Tratar

Publicado em 10/10/2017. Revisado por Drª Camille Rocha Risegato (Ginecologista e Obstetra - CRM SP-119093) a 16 maio 2019

Também conhecido por ventre feminino, o útero apresenta o formato de uma pêra invertida, com um tamanho médio que pode variar entre os 50 cm³ e os 90 cm³. Estas dimensões podem aumentar consideravelmente como resultado de diversas condições médicas, entre elas a gravidez e os miomas uterinos.

O aumento do útero pode manifestar-se através de sintomas como a sensação de peso na parte inferior do abdômen, mas também é possível que esse volume ocorra sem provocar quaisquer sintomas, tornando difícil a identificação do problema sem a realização de exames médicos.

Para diagnosticar o que está fazendo aumentar o tamanho do útero é preciso portanto, consultar o ginecologista.

Sintomas De útero Aumentado

Causas e Sintomas

Existem várias condições que podem contribuir para um aumento considerável do tamanho do útero (grande e dilatado):

Gravidez

Durante a gravidez, o crescimento do bebê originará o alargamento do útero até 1000 vezes o seu tamanho normal. O útero, de dimensões semelhantes à de um punho, assumirá dimensões por vezes superiores às de uma melancia na fase final da gravidez.

Fibromas no útero

Os fibromas ou miomas uterinos (Ver Imagem (A imagem pode ser Agressiva para algumas pessoas)) constituem tumores que se desenvolvem no interior e na superfície do útero. Os especialistas desconhecem a origem exata para o problema, mas acredita-se que factores genéticos e flutuações hormonais possam contribuir para aumentar o risco de desenvolvimento de miomas no útero.

De acordo com o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, estima-se que até aos 50, cerca de 80% das mulheres desenvolva fibromas. Ainda que raramente sejam cancerígenos, os fibromas podem causar alguns inconvenientes:

  • Sangramento excessivo durante a menstruação
  • Períodos dolorosos
  • Desconforto durante a relação
  • Dor na região lombar

Alguns fibromas uterinos são tão pequenos e poderão não causar qualquer sintoma. Por outro lado, também os que crescem de tal modo que chegam a pesar alguns quilos, fazendo com que o útero aumente ao ponto de se assemelhar ao útero de uma mulher com muitos meses de gravidez.

Um estudo publicado em 2016 relatou o caso de uma mulher com miomas e um útero pesando cerca de 3 kg. Em média, um útero normal pesa cerca de 170 gramas.

Adenomiose

A adenomiose é uma patologia caracterizada pelo crescimento de tecido do endométrio fora do útero (Endometriose). A causa exata do problema ainda é desconhecida, mas acredita-se que exista uma correlação entre a adenomiose e os níveis de estrogênio.

Os sintomas, semelhantes aos dos fibromas, tendem a desaparecer depois da menopausa, momento em que a mulher deixa de produzir estrogênio, e podem incluir:

  • Sangramento excessivo durante a menstruação
  • Cólicas dolorosas
  • Dor durante a relação sexual

Algumas mulheres também experienciam dor e inchaço na parte inferior do abdómen. Mulheres que sofram deste problema podem ter um útero de dimensões duas a três vezes superiores ao tamanho normal.

Câncer no sistema reprodutivo

O câncer do útero, do endométrio e do colo do útero, pode gerar tumores que, dependendo do tamanho, podem contribuir para o inchaço do útero. Alguns sintomas incluiem:

  • Sangramento vaginal anormal, não relacionado com a menstruação
  • Dor durante a relação sexual
  • Endométrio Espessado/grosso (hiperplasia endometrial)
  • Dor pélvica
  • Dor ao urinar e sensação de dificuldade em esvaziar a bexiga

Diagnóstico e como é feito o tratamento

útero Alargado Pode Causar Dor E Inchaço No Abdomen

O diagnóstico do útero aumentado é normalmente realizado incidentalmente. Por vezes o médico detecta o problema na sequência de um exame pélvico de rotina. A condição também pode ser identificada no decurso do tratamento de sintomas como a menstruação anormal.

Caso o alargamento do útero seja resultante de uma gravidez, ele deverá começar a reduzir após o parto, recuperando o seu tamanho normal no espaço médio de 4 semanas.

Artigos complementares:

Outros problemas poderão exigir intervenção médica:

Fibromas

O que fazer? Fibromas que se revelam suficientemente grandes para causar o aumento do útero podem necessitar de tratamento médico. Poderão ser receitados anticoncepcionais, como é o caso de pílulas anticoncepcionais, que contêm estrogênio e progesterona, ou até mesmo o uso do dispositivo intrauterino, que contém apenas progesterona.

Estes medicamentos apresentam a capacidade de interromper o crescimento dos fibromas e limitar o sangramento menstrual.

Outro tratamento, conhecido por embolização da artéria uterina, recorre à inserção de um tubo fino no útero de modo a injetar pequenas partículas nas artérias do útero, interrompendo assim o fornecimento de sangue para os fibromas. Ao serem privadas de sangue, os fibromas começarão a diminuir até eventualmente desaparecerem.

Alguns casos poderão requerer uma miomectomia, intervenção cirúrgica destinada à remoção de fibromas.

Dependendo do tamanho e localização destes, o procedimento pode ser executado com recurso a um laparoscópio ou através de cirurgia tradicional. Um laparoscópio é um instrumento cirúrgico muito fino, equipado com uma câmara numa das extremidades, sendo inserido através uma pequena incisão ou através de cirurgia tradicional.

Em casos mais avançados a mulher poderá necessitar de se submeter a uma histerectomia, que representa a remoção completa do útero.

Os fibromas constituem a principal razão pela qual a maior das histerectomias é realizada. Este procedimento é particularmente direccionado para mulheres cujos fibromas tendem a causar sintomas muito intensos, bem como em mulheres que não desejam ter mais filhos ou encontram-se perto da menopausa. A histerectomia pode ser realizada via laparoscópica, mesmo em úteros muito grandes.

Adenomiose

O que fazer? Anti-inflamatórios como o ibuprofeno bem como pílulas anticoncepcionais podem ajudar a aliviar a dor e o sangramento excessivo associado a esta condição. No entanto, nenhum destes medicamentos ajudará a reduzir o tamanho do útero, sendo possível que tenha de se submeter a uma histerectomia.

Cânceres do aparelho reprodutor feminino

O que fazer? Tal como outros tipos de câncer, o câncer do útero e do endométrio são tratados através de cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou uma combinação de ambos.

Complicações

Ainda que um útero aumentado não origine grandes complicações na saúde, os fatores responsáveis pela sua origem podem revelar-se extremamente perigosos e prejudiciais.

Por exemplo: para além da dor e do desconforto associados aos fibromas, estes tumores podem reduzir a fertilidade da mulher e causar problemas durante a gravidez. Um estudo publicado pela Obstetrics and Gynecology Clinics of North America afirma que os fibromas encontram-se presentes em cerca de 10% das mulheres inférteis.

Entre todas as mulheres que sofrem de fibromas, cerca de 40% experienciará complicações durante a gravidez, algumas delas acabando por exigir uma cesariana antes do tempo.

Prognóstico

Muitas das condições médicas que podem originar a dilatação do útero não são graves, mas podem revelar-se desconfortáveis e devem ser analisadas. Consulte o ginecologista caso se aperceba dos seguintes sintomas:

  • Sangramento vaginal
  • Dor pélvica
  • Cólicas
  • Sensação de inchaço na parte inferior do abdômen

Caso experiencie dor durante a relação sexual ou necessidade excessiva de urinar, não hesite em consultar o médico. Existem muitos tratamentos disponíveis para o problema, e tendem a ser particularmente eficazes nas fases iniciais.

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Autores
Drª Camille Rocha Risegato (Ginecologista e Obstetra - CRM SP-119093)

Ginecologista e Obstetra - CRM SP-119093

Dra Camille Vitoria Rocha Risegato - CRM SP nº 119093 é formada há 14 anos pela Fundação Técnico Educacional Souza Marques, Rio de Janeiro.

Dra Camille mudou se para São Paulo onde realizou e concluiu residência médica em Ginecologia e Obstetrícia (RQE nº 25978) no Centro de Referência de Saúde da Mulher no Hospital Pérola Byington em 2007.

Em 2008 se especializou em Patologia do Trato Genital Inferior nesse mesmo serviço. Ainda fez curso de ultrassonografia em ginecologia e obstetrícia na Escola Cetrus.

Trabalha em setor público e privado, atendendo atualmente em seu consultório médico particular situado na Avenida Leoncio de Magalhães 1192, no bairro do jardim São Paulo, zona norte de São Paulo.

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