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O Útero: o que é, função, anatomia e camadas de tecidos

Publicado em 08/10/2018. Revisado por Drª Camille Rocha Risegato (Ginecologista e Obstetra - CRM SP-119093) a 15 janeiro 2019

O útero é o órgão oco do sistema reprodutor feminino que contém o feto durante a gravidez. Ele carrega um enorme significado na sobrevivência de muitas espécies – inclusive a nossa.

Entendendo as funções do útero

Talvez a principal função do útero seja preservar a vida. É o local de nutrição para o bebê em crescimento, tornando-o um dos órgãos reprodutivos mais importantes do corpo feminino.

“Tudo começa quando um óvulo, é fertilizado por um espermatozoide e fará sua jornada descendente em busca de um lar melhor.”

Ele realiza muitas funções e desempenha um papel extremamente importante na fertilidade e procriação. O órgão é capaz de mudar de forma, à medida que os músculos se contraem e relaxam para possibilitar o transporte do feto.

Durante a gravidez , o útero cresce e os músculos ficam esticados e mais finos, como um balão. Sem essa capacidade de expansão, o corpo humano seria incapaz de suportar o rápido crescimento do feto.

A sua localização

O útero mede cerca de três centímetros de comprimento, cinco centímetros de largura, e tem um revestimento muscular espesso no interior de suas paredes. A ponta mais baixa do útero vai mergulhar na vagina, na região do colo do útero, enquanto a parte superior vai conectar-se com as trompas de falópio, através das quais os ovos viajam.

No entanto, a melhor forma de indicar a sua localização é descrevendo a sua região como a área que fica “entre o umbigo e os ossos do quadril”.

Anatomia

Útero, O Que é, Função, Anatomia E Camadas De Tecidos

Fundo

O fundo é a parte superior do útero. É largo e curvo, e as trompas de falópio ligam-se ao útero logo abaixo dele.

Corpo

O corpus é o corpo principal do útero. É uma região musculosa e, sempre que necessário, estica para acomodar o feto em desenvolvimento no seu interior. Durante o trabalho de parto, as paredes musculares do corpo se contraem para ajudar a empurrar o bebê através do colo do útero e da vagina.

Ele é revestido por uma membrana mucosa chamada endométrio, que responde aos hormônios reprodutivos, alterando a sua espessura durante cada ciclo menstrual. Quando o óvulo é fertilizado, ele se une ao endométrio.

Quando não ocorre fertilização do óvulo, o endométrio perde então essa sua camada externa de células, que serão liberadas durante a menstruação.

Istmo

A porção do útero localizada entre o corpo e o colo do útero recebe o nome de istmo. É aqui que as paredes do útero começam a afunilar em direção ao colo do útero.

Colo do útero

O colo do útero é a parte mais baixa do útero. Ele é revestido com uma membrana mucosa lisa, e conecta o útero à vagina.

Geralmente, as glândulas presentes no revestimento cervical produzem um muco espesso. No entanto, durante a ovulação, ele se torna mais fino para permitir que o espermatozoide passe facilmente para o interior do útero.

O colo do útero é formado por três partes principais:

  • Endocervix: A porção do colo do útero que está localizada imediatamente após o orifício cervical externo. É constituído por um epitélio secretor cilíndrico de muco, formando uma única camada celular.
  • Canal cervical. O canal cervical liga o útero à vagina.
  • Exocervix. O exocervix é a parte externa do colo do útero que se estende para a vagina.

Durante o parto, o colo do útero dilata (alarga) para permitir que o bebê atravesse pelo canal do parto.

As camadas de tecidos do útero

O útero é composto por três camadas de tecido: Perimétrio, miométrio e endométrio.

O perimétrio é a camada externa e serosa de tecido que reveste a parte externa do útero, derivada do peritônio visceral. A superfície posterior do útero é completamente coberta pelo perimétrio, enquanto a superfície anterior é coberta apenas parcialmente.

O miométrio é a camada média do útero composta principalmente por músculo liso (também chamada de miócitos uterinos), e tecido estromal e vascular. A sua principal função é induzir as contrações uterinas.

Ele está localizado entre o endométrio e o perimétrio e tem 3 camadas: músculos lisos longitudinais externos, fibras musculares entrecruzadas médias e fibras circulares internas. As fibras entrecruzadas médias atuam como ligaduras vivas durante a involução do útero e impedem a perda de sangue.

O endométrio, a camada interna do útero (basal e funcional), é a camada epitelial que se acumula ao longo do mês, e é perdida a cada mês, caso não ocorra uma gravidez. A esse derramamento (perda) do revestimento funcional do útero dá-se o nome de período menstrual.

Quando a gravidez ocorre, é o endométrio que fornece nutrientes ao óvulo fertilizado e, eventualmente, suporta a placenta.

A natureza muscular do útero permite que ele se expanda para acomodar o feto em crescimento e, durante o parto, que contraia para facilitar a saída do recém-nascido.

Depois que o bebê nasce, o útero continua a se contrair, o que ajuda o órgão a voltar ao seu tamanho normal e a parar o sangramento que ocorre no útero durante o parto.

Útero e Cirurgia

A histerectomia é a cirurgia realizada para remover o útero, sendo normalmente realizada nos casos em que o útero está doente (como câncer) ou quando a hemorragia uterina disfuncional (períodos longos, que por vezes causam anemia) não pode ser tratada com métodos menos invasivos.

A cesariana é a cirurgia realizada para remover o feto do útero, em vez do método tradicional, através da vagina.

Condições uterinas

Condições uterinas congênitas

A palavra congênita refere-se a algo que já nasce com a pessoa. De acordo com a March of Dimes, cerca de 1 em cada 300 mulheres, já nasce com uma doença uterina congênita. Em alguns casos, tratam-se de condições que podem causar complicações sérias na gravidez.

Alguns exemplos de condições uterinas congênitas incluem:

Útero septado: Quando o útero é divido em duas seções separadas.

Útero bicorno ou bicorne: Quando o útero tem duas cavidades menores em vez de uma grande.

Útero didelfo: Quando o útero tem duas cavidades menores, cada uma com o seu próprio colo do útero.

Útero unicorno (com um “chifre”): Trata-se de uma condição genética rara na qual apenas se forma metade do útero. 

Endometriose

A endometriose ocorre quando o endométrio, que geralmente reveste o útero, cresce na parte externa do útero, nas tubas uterinas ou no revestimento pélvico. Pode causar dor severa, especialmente durante a menstruação ou a relação íntima.

Miomas uterinos

Miomas uterinos são tumores benignos presentes nas paredes do útero. Eles podem variar em tamanho, de muito pequenos (o tamanho de uma semente) a muito grandes (o tamanho de uma laranja) e, embora nem sempre causem sintomas, algumas mulheres apresentam sangramento e dor.

Além disso, quando alcançam grandes dimensões, podem levar a problemas de fertilidade em alguns casos.

Prolapso uterino

Um prolapso acontece quando o sistema que suporta um órgão é esticado ou fica danificado. O prolapso uterino ocorre quando parte do útero “desce ou cai” para dentro da vagina. Nos casos mais graves, a parte do útero que sofre essa queda pode até mesmo ficar fora da abertura vaginal.

Existem muitos motivos para esta ocorrência, incluindo a realização de um parto, cirurgia, menopausa ou atividades físicas extremas.

Doença inflamatória pélvica

A doença inflamatória pélvica (DIP) é uma infecção que ocorre nos órgãos reprodutivos femininos. Por vezes, é causada pela mesma bactéria que causa gonorreia e clamídia, embora existam outras bactérias que também possam causar a doença.

Os principais sintomas da doença inflamatória pélvica são a dor presente no baixo ventre (dor no pé da barriga), bem como dor durante as relações e na micção. Outros sintomas incluem a presença de corrimento vaginal invulgar, fadiga e sangramento vaginal anormal.

Se não for tratada, a DIP pode causar infertilidade e aumentar o risco de gravidez ectópica.

Câncer

O câncer uterino pode iniciar em qualquer parte do útero, no entanto, é mais comum no endométrio. São vários os fatores que contribuem para o aumento do risco da mulher desenvolver câncer de endométrio, incluindo a obesidade e a toma de estrogênio sem progesterona.

Para além disso, ele também pode afetar as células do colo do útero, dando origem ao câncer cervical.

A medicina atual ainda desconhece as causas e os fatores de risco exatos para o desenvolvimento do câncer do colo do útero, no entanto sabe-se que, fumar, ter um sistema imunológico fraco ou contrair uma infecção sexualmente transmissível, são fatores importantes.

Sintomas de problemas uterinos

Os principais sintomas que muitas condições uterinas compartilham são:

  • menstruação muito intensa;
  • sangramento vaginal entre os períodos;
  • corrimento vaginal diferente ou fétido;
  • dor pélvica ou lombar;
  • dor durante a menstruação ou relação;
  • dor durante a micção ou evacuações.

É importante contatar o médico sempre que notar algum desses sintomas.

Dicas para um útero saudável

Por ser um órgão importante e com várias partes móveis, é importante mantê-lo saudável. Siga as seguintes dicas:

Exames de rotina

Exames de rotina simples como o papanicolau, podem ajudar a identificar alterações pré-cancerosas no colo do útero, além de outras condições uterinas. A American Cancer Society recomenda:

Todas as mulheres entre os 21 e os 29 anos devem fazer um exame de Papanicolau a cada três anos.

As mulheres com 30 anos de idade ou mais devem realizar um teste de Papanicolau, juntamente com um teste do papilomavírus humano (HPV), a cada cinco anos até aos 65 anos de idade, mesmo que tenham recebido a vacina contra o HPV.

As mulheres com mais de 65 anos podem deixar de realizar o exame de Papanicolau, se tiverem sido regulares nos últimos 10 anos, a menos que tenham um risco maior de câncer uterino.

Vacina contra o HPV

A vacina contra o HPV protege o indivíduo contra nove estirpe. Ela está disponível para mulheres entre os 9 e 26 anos e, segundo a FDA, a vacina pode prevenir até 90% dos cânceres cervical, vaginal e anal.

Uso de camisinha

O uso de preservativo durante o ato sexual ajuda a prevenir a disseminação de DSTs, o que pode aumentar o risco da mulher desenvolver doença inflamatória pélvica ou câncer do colo do útero.

Evite fumar

Fumar está ligado a alguns tipos de câncer cervical.

Alimentos que fazem bem ao útero

De seguida indicamos alguns alimentos conhecidos por ajudar a manter o colo do útero saudável e impulsionar o sistema imunológico:

  • alimentos ricos em ácido fólico, como aspargos, brócolis e outros vegetais verdes;
  • alimentos ricos em vitamina C, como laranjas e toranjas;
  • alimentos ricos em beta-caroteno , como cenoura, abóbora e melão;
  • alimentos ricos em vitamina E , como pães integrais e cereais.
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Nota: O Educar Saúde não é um prestador de cuidados de saúde. Não podemos responder a perguntas de saúde ou aconselhá-lo nesse sentido.

Autores
Drª Camille Rocha Risegato (Ginecologista e Obstetra - CRM SP-119093)

Ginecologista e Obstetra - CRM SP-119093

Dra Camille Vitoria Rocha Risegato - CRM SP nº 119093 é formada há 14 anos pela Fundação Técnico Educacional Souza Marques, Rio de Janeiro.

Dra Camille mudou se para São Paulo onde realizou e concluiu residência médica em Ginecologia e Obstetrícia (RQE nº 25978) no Centro de Referência de Saúde da Mulher no Hospital Pérola Byington em 2007.

Em 2008 se especializou em Patologia do Trato Genital Inferior nesse mesmo serviço. Ainda fez curso de ultrassonografia em ginecologia e obstetrícia na Escola Cetrus.

Trabalha em setor público e privado, atendendo atualmente em seu consultório médico particular situado na Avenida Leoncio de Magalhães 1192, no bairro do jardim São Paulo, zona norte de São Paulo.

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