As 5 principais causas de vaginite e como tratar

Publicado em 29/01/2019. Revisado por Drª Camille Rocha Risegato (Ginecologista e Obstetra - CRM SP-119093) a 29 janeiro 2019

Também conhecida como vulvovaginite, a vaginite é caracterizada pelo desenvolvimento de processos inflamatórios na área vaginal. O problema é consequência de transformações epidérmicas na mesma região, o que advém de mudanças corporais marcadas pela gravidez ou menopausa. Outras causas da vaginite são as reações alérgicas que a mulher pode manifestar após o contato com certos tecidos ou substâncias químicas.

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Além disso, vale lembrar que alguns maus hábitos ampliam a chance da mulher ter uma vaginite. Um deles se refere ao uso frequente de calças muito justas. Outro hábito preocupante é a utilização contínua de absorventes internos. Some-se a tudo isso uma higienização desregrada da região íntima.

Evitar todos esses maus hábitos não garante que a mulher esteja livre de sofrer uma vaginite. No entanto, essas mudanças são importantes como formas de prevenção.

Quem afeta? A vaginite afeta principalmente mulheres em idade reprodutiva, seja por alterações na flora vaginal ou por infecções transmitidas. No entanto, também pode afetar Meninas – dada a sua atividade hormonal limitada e, às vezes, falta de higiene; Mulheres na menopausa – quando ocorre uma atrofia genital; e Gestantes – devido a uma maior concentração de glicogênio nas células vaginais provocada pela atividade hormonal da gestação.

A seguir, serão exibidas as 5 causas mais comuns de vaginite. Confira!

Vaginite

Infecções íntimas

De fato, a causa número 1 de qualquer tipo de corrimento e processo inflamatório na vagina são as infecções, recorrentes quando a mulher:

  • possui múltiplos parceiros sexuais;
  • foi submetida a tratamento com antibióticos;
  • passou muito tempo internada em ambientes hospitalar;
  • mantém uma higiene deficitária em relação à vagina.

Vaginose bacteriana

Entre as infecções consideradas, a vaginose bacteriana é uma das mais registradas. Neste caso, a infecção é provocada pelo excesso populacional de determinada bactéria na região vaginal.

Isso acontece essencialmente durante a menstruação ou depois da prática sexual. Um dos sinais é o aparecimento de um corrimento de cor amarela dotado de um cheiro muito desagradável.

Como tratar: O tratamento pode ser tópico (através do uso de cremes medicinais que são aplicados diretamente na região vaginal) ou oral (antibióticos – os mais comuns são o Metronidazol ou Clindamicina). O tratamento eleito fica a cargo da análise feita pelo ginecologista.

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Tricomoníase

Causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis, a tricomoníase é bem mais do que uma mera ausência de higiene. Na verdade, trata-se de uma DST (doença sexualmente transmissível). Portanto, a mulher consegue evitá-la, desde que mantenha sempre relações sexuais com preservativo.

Uma vez que esteja com tricomoníase, o organismo começa a liberar um corrimento vaginal esverdeado e com tons de amarelo. A textura é meio pastosa, enquanto o odor é bem fétido. Outros sinais comuns são uma coceira insistente e uma sensação de ardência.

Como tratar: A eficácia do tratamento contra a tricomoníase depende da toma de antibióticos (o Tinidazol e o Metronidazol são os mais receitados pelos médicos). É importante ressaltar que tanto a mulher quanto o parceiro devem passar pelo tratamento.

Afinal, se a mulher for diagnosticada com tricomoníase é quase certo que o parceiro também esteja infectado. Logo, ele também precisa ser tratado para não contaminar novamente a parceira.

Candidíase

A candidíase é ocasionada pelo excesso do fungo Candida na vagina. Como resultado, a mulher apresenta um corrimento esbranquiçado e granuloso. Some-se a isso o aumento da frequência urinária e uma coceira quase insuportável.

A candidíase é um típico problema associado a um sistema imunológico enfraquecido. Uma das causas dessa debilidade é a taxa elevada de estresse, além de:

  • presença do vírus HIV;
  • diabetes;
  • tratamento anterior com antibióticos ou corticoides.

Tratamento: Para eliminar a candidíase, basta aplicar pomadas vaginais com ação fungicida em toda a região afetada. Outra possibilidade é o tratamento oral medicamentoso, via comprimidos (o Fluconazol e a Nistatina são os mais comuns).

Vaginose citolítica

Introdução De óvulos Vaginais De Bicarbonato De Sódio

Esta vertente de vaginite é consideravelmente incomum. De qualquer forma, é preciso a mulher ficar atenta a ela, já que o quadro sintomático lembra muito o da candidíase. É vital um diagnóstico preciso para que a mulher não seja submetida a um tratamento inadequado. Assim, vale a pena observar os sinais característicos da vaginose citolítica, como:

  • corrimento esbranquiçado;
  • sensação de ardência na vagina;
  • coceiras persistentes e incômodas.

Vale destacar que as medidas normalmente usadas para curar a candidíase não surtem efeito sobre a vaginose citolítica. Curiosamente, a última tem como origem a reprodução descontrolada de lactobacillus. A grande concentração dessa bactéria leva ao aumento desproporcional da síntese de ácido na região vaginal, deixando-a extremamente sensível e irritada.

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Como tratar: O processo de cura da vaginose citolítica envolve 2 alternativas terapêuticas:

(1) banho de assento — em um recipiente com cerca 600 ml de água, dissolva 1 colher (sopa) de bicarbonato de sódio e banhe-se 2 vezes ao dia;

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(2) introdução de óvulos vaginais de bicarbonato de sódio (como mostra a imagem acima) — a frequência de inserção dos óvulos na vagina é 3 vezes a cada 7 dias.

Como acontece com muitas outras condições que acometem a vagina, cabe frisar que o diagnóstico preciso depende dos exames ginecológicos.

Alergias

Embora muitas mulheres se esqueçam disso, boa parte das alergias vaginais provoca inflamações na região. Eis algumas substâncias ou produtos que costumam causar reações alérgicas na vagina:

  • compostos cosméticos aplicados no interior da vagina;
  • alguns compostos presentes nas fórmulas de alguns remédios;
  • uso de calcinha fabricada com tecido sintético;
  • uso de roupa íntima que entrou em contato com amaciante durante a lavagem;
  • loções ou papéis higiênicos com fragrâncias irritantes para a vagina;

Os sintomas gerados pelas reações alérgicas tendem a provocar muito desconforto. Os principais incluem:

  • queimação;
  • ardência;
  • coceira persistente.

O grande problema é a identificação exata da causa da alergia. A mulher deve, portanto, adotar um sistema de eliminação relacionado a todos os itens listados acima, interrompendo o uso de cada elemento separadamente e observar se a alergia persiste.

Como tratar: Simultaneamente à busca do item causador da alergia, a mulher também pode usar pomadas antialérgicas. O médico pode igualmente receitar corticoides a serem ingeridos por via oral.

Alterações na pele

Existem ocasiões em que o tecido epidérmico da região vaginal se torna mais fino, frágil e, portanto vulnerável á vaginite. Geralmente, esse estado é comum quando a mulher:

  • chega à menopausa;
  • acabou de dar à luz;
  • estiver em fase de amamentação;
  • estiver utilizando medicamentos quimioterápicos ou submetida a sessões da radioterapia.

Essas situações caracterizam quadros de vaginite atrófica, marcada pela ocorrência de um corrimento amarelo e fétido. Em relação à gravidez, convém fazer alguns apontamentos. Nestas circunstâncias, a alteração da pele se deve à variação da taxa de hormônios, evento comum e esperado nessa fase.

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Infelizmente, essa oscilação da concentração hormonal também costuma ser acompanhada de um corrimento amarelado. No geral, a mulher fica mais predisposta a desenvolver infecções vaginais, sendo que a candidíase é a mais comum.

Esse aumento da predisposição a infecções vaginais é provocado pelo aumento da disponibilidade de proteínas, que alimentam as bactérias, por exemplo.

Qualquer anormalidade no corpo durante a gravidez precisa ser rapidamente informada ao obstetra, para se evitar consequências graves que ameacem a continuidade da gestação.

Outros sintomas que podem acompanhar essas alterações na pele são:

  • ardência;
  • diminuição da secreção natural da vagina;
  • dores durante a penetração peniana do ato sexual.

Como tratar: Para solucionar o problema, existem as seguintes abordagens:

  • tratamento medicamentoso que visa ao reequilíbrio da concentração hormonal;
  • utilização de lubrificantes íntimos.

Como evitar a vaginite

A vaginite pode ser evitada, contanto que a mulher adote as seguintes medidas:

  • evitar a utilização exagerada de absorventes do tipo tampão;
  • priorizar roupas confortáveis durante os dias mais quentes;
  • evitar praticar sexo sem o uso de camisinhas;
  • Considere abandonar o cigarro e eliminar o álcool. Apesar do seu consumo ser prejudicial para saúde em geral, também favorece a eliminação de microrganismos benéficos do organismo, aumentando o risco de infecções;
  • acostumar-se a dormir sem qualquer roupa na região íntima;
  • evitar a lavagem excessiva da vagina;
  • não consumir medicamentos antibióticos que não sejam receitados pelo médico.
  • Precauções no verão: o excesso de cloro das piscinas, além dos spas e jacuzzis diminuem a acidez normal da vagina, favorecendo a ocorrência de infecções;
  • Consulte o ginecologista regularmente.

Para entender como realizar a limpeza dos genitais corretamente leia o guia: como fazer a higiene íntima e evitar doenças.

Vale salientar que o uso de camisinha ajuda a evitar o contágio de patologias graves e normalmente transmitidas durante a prática sexual, como:

  • vírus da AIDS;
  • gonorreia;
  • hepatite B;
  • sífilis;
  • HPV.

Quais são as possíveis complicações?

Dependendo do germe causador ou quando não tratada, a vaginite pode levar a:

  • Infecções do trato urinário inferior (uretrite).
  • Úlceras genitais
  • Verrugas genitais
  • Doença Inflamatória Pélvica e consequentemente a infertilidade.
  • Inflamação intestinal crônica (retite).
  • Artrite ou hepatite.
  • Câncer do colo do útero, vulva e/ou vagina.
  • Câncer bucal/laríngeo/anal, dependendo dos hábitos sexuais do casal.
  • Infecções fetais graves, se ocorrer durande a gravidez.

Agora que já foram apresentadas as principais causas de vaginite, resta que a mulher fique atenta a todas elas e consulte o ginecologista ao menor sinal de alerta. Desse modo, evitam-se complicações.

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