Varizes no Verão – Conselhos úteis

Publicado em 03/06/2010. Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018

Varizes no Verão – Conselhos úteis

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A doença venosa crónica dos membros inferiores constitui um grave problema de saúde pública, pela sua elevada frequência e pelas repercussões socioeconómicas que daí advêm. Existem vários estudos sobre a prevalência da doença venosa, que revelam grandes diferenças consoante a área do globo estudada.

Assim, desde 0, 1 por cento em mulheres de zonas rurais de África até 60 por cento nos países industrializados da Europa, calcula-se uma prevalência geral de 10 a 20 por cento nos homens e de 25 a 38 por cento nas mulheres.

Em Portugal, cerca de um terço da população sofre de doença venosa crónica nos seus vários estádios (Classificação CEAP) e cerca de 2 milhões de mulheres apresentam varizes dos membros inferiores.
Há diversos factores que podem agravar a doença venosa crónica e alguns em determinadas circunstâncias podem ser causa de aparecimento de varizes, como sejam excesso ponderal, artroses, anticonceptivos orais, exposição ao calor, ortostatismo.

O excesso ponderal dificulta o retorno venoso por compressão no sector ílio cava e acumulação de tecido adiposo no retroperitoneu. Há uma relação entre artroses e varizes (síndrome fleboartrósico), observado sobretudo em mulheres a partir da 5ª década de vida com excesso ponderal.

A gravidez e os anticonceptivos orais, com acção sobre o endotélio venoso e alterações estruturais, levam a diminuição do retorno venoso e consequente agravamento ou desencadeamento de doença venosa crónica. A obstipação crónica origina aumento da pressão abdominal com aumento da pressão venosa a nível dos membros inferiores, com aparecimento de insuficiência osteal das veias safenas internas e, posteriormente, varizes.

O clima e a estação (Verão) jogam um papel importante na génese da doença varicosa. O calor produz uma venodilatação cutânea e abrandamento circulatório, aumentando a irradiação de calor e estase no sistema venoso superficial, factores que facilitam o desenvolvimento de varizes. 

A prolongada exposição solar em pessoas imobilizadas é prejudicial para as veias dos membros inferiores pelo já exposto (vasodilatação), levando ao desenvolvimento de telangiectasias e varizes. Em Portugal, existem 1230 km de costa marítima no Continente, 667 km nos Açores e 250 km na Madeira.

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Por outro lado, sendo um dos países da Europa com mais horas solares por ano: 3100 horas solares/ano no litoral sul a 2200 horas solares/ano no interior norte, a exposição solar e o calor excessivo constituem um dos principais factores de risco existentes no nosso País.

Conselhos úteis
Uma vida saudável é importante para aliviar a pressão sobre as veias dos membros inferiores e prevenir o agravamento da doença venosa crónica. Assim, recomenda-se:
– Caminhadas diárias de cerca de 1 hora (estimulação do retorno venoso);
– Elevação dos membros inferiores (durante alguns períodos durante o dia);
– Evitar banho com água muito quente;
– Desporto (que promova o retorno venoso, como marcha, corrida, natação, ciclismo);
– Contenção elástica (meias elásticas);
– Evitar exposição solar prolongada;
– Evitar sedentarismo e ortostatismo prolongado;
– Saunas e banhos termais (temperatura da água);
– Desportos a evitar – ténis, levantamento de pesos.

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Na doença venosa crónica não devemos ter só em conta as medidas profiláticas, pois também existe um grupo farmacológico, os flebotónicos, que actuam no controle desta doença. A escina aumenta o tónus da parede da veia, com aumento de contractilidade (vasomotricidade e vasomotilidade) e acção anti-edematosa, acções estas particularmente úteis no tratamento da doença venosa crónica no nosso País, em que se verifica a tal exposição solar prolongada (vasodilatação) e pelo facto de neste período ser habitual (embora errado) as pessoas abandonarem a contenção elástica.

O sol e a praia, que fazem par te do quotidiano da maioria dos portugueses, quer em lazer quer em trabalho, podem ser factores de agravamento de doença venosa crónica, pelo que a profilaxia e o tratamento devem ser atempados.

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