VENENO CONTRA VENENO

VENENO CONTRA VENENO

O naturismo tem em mira a cura das enfermidades pela remoção das suas causas. “Sublata causa tolitur effectus”, dizia Hipócrates. Visa pôr o organismo em condições de defender-se e restaurar-se a si mesmo.

A homeopatia visa tratar as doenças por meio de agentes terapêuticos que, tomados em pequeninas doses, têm óu se supõe terem a propriedade de produzir sintomas semelhantes aos dessas doenças.

A alopatia visa combater as doenças mediante medicamentos que produzem efeitos contrários às mesmas.
O sistema alopático emprega drogas, antibióticos, vacinas, soros, etc.

As drogas encerram um princípio tóxico. São venenosas. Os venenos, quer tomados por injeção quer por via bucal, penetram no sangue e, pelas vias circulatórias, percorrem todo o organismo. Fazem dano aos germes das doenças. Podem matá-los ou neutralizar-Ihes os venenos. Podem intensificar ou diminuir o trabalho de certos órgãos. Podem provocar outras modificações nas funções vitais. Mas, por outro lado, também danificam o organismo humano. Afetam o aparelho digestívo e também o fígado, o qual, entre outras, tem a função antitóxica, neutralizando os venenos ou diminuindo-Ihes a ação, quando em quantidade limitada. Mas não dá conta de porções excessivas de veneno. O que vai além de sua capacidade se dissemina por todo o corpo, fazendo sentir, em todos os órgãos, sua ação maléfica. E o próprio fígado fica doente, em consequência da sobrecarga. O veneno circula pelo corpo todo. Passando pelo cérebro, afeta-o. Afeta todo o sistema nervoso. Afeta o coração. Afeta os rins.

Não é igual a ação de todos os venenos. Uns prejudicam especialmente este órgão; outros, aquele. Assim, há medicamentos que podem afetar especialmente a vista, há os que prejudicam a audição,
há os que atacam os órgãos genitais, etc.

Como exemplo ilustrativo citamos apenas um fato: Em julho de 1954 os jornais publicaram a proibição de venda determinada pelo Serviço de Fiscalização do Exercício Profissional, da Secretaria da Saúde, de certo medicamento, porque se descobrira que o mesmo provoca a cegueira.
Muitas drogas, quando tomadas em doses repetidas, podem tornar-se cada vez mais intoleráveis ao organismo, até provocarem uma intoxicação. E, por outro lado, as drogas, segundo a qualidade, a frequência com que são tomadas, e a quantidade, podem também tornar-se inoperantes. À guisa do que sucede com as vacinas, o organismo pode criar antitoxinas para certas drogas, após aplicações reiteradas, tornando-se, assim, inútil o seu uso. .

É, por exemplo, muito difundido o hábito de usar preparados à base de sulfas, penicilinas, e outras drogas, para tratar muitas doenças, mesmo muitas sobre as quais esses medicamentos não têm ação. E como os mesmos, muitas vezes, não acarretam perigos visíveis e imediatos ao organismo, dão margem a que o povo os use a três por dois. Esses medicamentos, porém, tomados repetidamente, em pequenas doses, podem, segundo as circunstâncias, promover a “tolerância medicamentosa’. Determinam, assim, no organismo, um estado de tolerância que os torna inoperantes mesmo contra doenças de que são específicos. Mas, ainda que inúteis para estas enfermidades, trazem prejuízos que, mais tarde, poderão manifestar-se em várias formas de doença.

As sulfanilamidas produzem várias reações tóxicas, prejudiciais, e, às vezes, fatais. São venenosas para os invasores estreptocócicos, não há dúvida, mas são também venenosas para o organismo.
Quando o paciente vê que a droga não Ihe faz o esperado efeito curativo, toma doses maiores, sem suspeitar que o medicamento que deveria trazer-Ihe saúde, Ihe está arruinando o organismo. Repetidas doses maiores podem acarretar graves intoxicações ou alguma doença secundária.

Quando as drogas não são causa direta de certas enfermidades, podem ser causa indireta. Determinados órgãos, sendo afetados pelos venenos, não desempenham fielmente seu dever, e, em consequência, prejudicam o bom funcionamento de outros órgãos que dependem da ação daqueles. Aparecem muitos distúrbios cuja causa real é poucas vezes suspeitada. Quem pode negar que as doenças cardíacas, as doenças mentais, e outros males que tlagelam a geração atual, e que nunca assumiram tamanhas proporções como no presente século, sejam, em boa parte, devidas ao tão generalizado uso de drogas venenosas?

Os medicamentos de ação analgésica, ou seja, os que acalmam dores, são dos mais usados. Inúmeras pessoas os têm em casa, de reserva. Levam-nos consigo ao saírem. São tão comuns que muitos os acham tão necessários como uma caixa de fósforos. São-nos oferecidos na farmácia, como troco, quando vamos comprar alguma coisa. Muitas pessoas, sentindo qualquer dor, branda ou forte, ingerem imediatamente a droga, sem saberem que estão alimentando um vício altamente prejudicial e perigoso para a saúde. Esquecem-se de que a dor não’ aparece por si mesma, mas que resulta de alguma coisa que não vai bem no organismo. Ignoram que a dor é apenas um sintoma da doença, e que não se deve combater os efeitos, mas, sim, a causões. E a causa, por sua vez, não pode ser combatida por meio de sedativos.

O uso imediato de medicamentos analgésicos ou anti-febris em muitos casos dificulta o diagnóstico do médico, pois a eliminação desses elementos poderá mascarar os sintomas habituais da doença, cuja causa continua a agir na intimidade do organismo, pela falta de tratamento acertado desde seu início.
Além disso, os analgésicos podem facilmente ocasionar sérios distúrbios orgânicos, como intoxicação e
lesõeses em órgãos importantes (fígado, rins), afecções diversas e acúmulo de trabalho para o coração. As drogas nunca deixam de ser prejudiciais.

O organismo humano, em geral, sabe defender-se contra a doença, repelindo os inimigos causadores da mesma. Não devemos, por isso, subestimar sua força de resistência natural, procurando erroneamente reforçá-la com drogas medicamentosas. Afirma o Dr. Adr. Vander:

“Felizmente muitos médicos da escola alópata estão começando a ficar mais e mais convencidos da eficácia da medicina natural, mas ainda estão demasiadamente influenciados pelas antigas concepções puramente alópatas.

“Também nas universidades há muitos catedráticos que têm compreendido que a medicina alópata encerra um bom número de erros e que é indispensável uma reforma, pois já é conhecido de muitos que os medicamentos não podem curar por si mesmos uma enfermidade, pelo menos não da maneira como a medicina natural entende por curar, a saber, eliminar por completo a causa da enfermidade, regenerar os tecidos danificados e normalizar a função de todos os órgãos do corpo.

“Não há dúvida de que se podem alterar com drogas as funções do corpo e conseguir, por exemplo, que estes ou aqueles órgãos trabalhem mais intensamente por certo tempo, mas em seguida vem a reação inversa e o órgão pode então ficar ainda mais débil que antes. Demais, os outros órgãos, sobre os quais não se queria atuar, são prejudicados pelas drogas, como sucede, por exemplo, com a aspirina, que se toma para acalmar a dor, de vez que atua sobre o sistema nervoso, mas que prejudica o estômago por ser o primeiro órgão que a recebe.

Pode-se, algumas vezes, com a morfina, aliviar os terríveis sofrimentos de um enfermo, mas com ela não se consegue uma cura. Podem apresentar-se casos em que se necessite um purgante para solver um caso de urgência, mas o purgante não cura a enfermidade; ao contrário, prejudica o estômago e os intestinos. O clorofórmio pode ser necessário para uma operação sem dor numa pessoa após um acidente grave, etc. Contudo, sempre que se considerem as drogas como curativas, comete-se um grande erro. As drogas são remédios prejudiciais à saúde, com os quais se pode conseguir um resultado, mas não uma cura natural.

“Tendo-se isto sempre em mente, não se pode cair tão facilmente em erro, como tem acontecido, por desgraça, nos tratamentos abusivos à base de medicamentos. As operações, também, jamais curam; porque a cura é um processo de regeneração do organismo. Com uma operação pode-se extirpar um órgão ou parte do mesmo, mas não há órgãos no corpo que não sejam necessários ou úteis. Portanto, o que se deve fazer é procurar curá-los e evitar extirpá-los. As numerosas operações que se fazem hoje em dia constituem uma prova do fracasso dos tratamentos com medicamentos. Noventa por cento das operações poderiam seguramente ser evitadas com o uso adequado e oportuno da medicina natural. Entenda-se bem: não é necessário ser fanático e não admitir em nenhum caso o uso de um remédio ou de uma operação, porque podem apresentar-se casos em que estes se justifiquem, como, por exemplo, num grande tumor que oprima as vias respiratórias com perigo de morte imediata, caso em que a operação é o remédio adequado para evitá-la. . .

“O maior erro da medicina alópata tem sido o de considerar, durante séculos, as drogas como agentes curativos. Este erro era tão grande, que os investigadores se entregaram com incansável atividade à
busca de drogas e remédios que deviam fazer o milagre de curar as enfermidades. . . Não encontraram uma droga verdadeiramente curativa e que ao mesmo tempo não seja um veneno mais ou menos prejudicial para o organismo, porque não existe tal coisa senão na imaginação das pessoas. Só a natureza cura.

“Esta caça aos remédios, baseada numa conGepção equívoca acerca das enfermidades, desviou demasiadamente á atenção dos clínicos e investigadores.

“Grandes descobrimentos foram feitos em todos os ramos da medicina, menos no mais necessário, a saber, na cura natural das enfermidades mediante agentes naturais. Tais descobrimentos foram lançados no mundo com grande alarido, e tanto sugestionaram os clínicos que estes geralmente têm seguido o rumo indicado pelos autores. Os remédios anunciados têm sido experimentados nos enfermos. Cria-se que tomados nas doses prescritas não haviam de prejudicar. Isto, porém, é um grande erro. Um veneno sempre é prejudicial, ainda que seja tomado em pequena quantidade e ainda que nem sempre se manifeste em seguida o prejuízo ocasionado.”

Transcrevemos a seguir algumas advertências que acidentalmente encontramos nos jornais e em outras publicações. Se tivéssemos feito uma busca intencional, poderíamos agora apresentar um estudo mais amplo e detalhado sobre os perigos das drogas. Mas estes bastam para o momento. Com o que fornecemos no artigo, não temos o propósito de criar uma espécie de fanatismo ou extremismo entre a população; esperamos apenas poder corrigir, reformar, moderar o excessivo entusiasmo e a perigosa ilusão que muita gente abriga com respeito aos produtos farmacêuticos, e realçar a importãncia da Higiene e da Profilaxia, que valem mais do que muitas drogarias reunidas.