Vulvodínia: o que fazer para aliviar a dor vulvar, 7 causas + 4 sintomas

O que é: Vulvodínia é uma condição ginecológica que tem como principal característica a dor crônica presente no órgão genital feminino, podendo abranger toda a região da vulva, incluindo o clítoris. É classificada como um tipo de dispareunia, termo técnico usado para especificar a intensa dor na área vaginal durante ou após as relações sexuais. Em alguns casos, são observados relatos de dor que se estendem até mesmo dias após o ato sexual.

Também conhecida como vestibulite vulvar, ela causa desconforto, dor pélvica, ardência, vermelhidão, sensação de picada e irritação. Esses sintomas se assemelham muito aos sinais causados por outras doenças e infecções genitais, o que dificulta o diagnóstico correto dos casos de vulvodínia.

Apesar de não ter cura, existem alguns tratamentos para amenizar a dor e, consequentemente, melhorar a qualidade de vida da mulher. Saiba mais sobre a doença:

Vulvodínia, O Que Fazer Para Aliviar A Dor Vulvar, 7 Causas, 4 Sintomas

 

Causas e fatores de risco

Ainda que existam alguns fatores comuns nos casos de vulvodínia já observados na medicina, não é possível dizer ao certo o que pode originar a doença. O simples toque na vagina pode desencadear um episódio de vulvodínia. As relações sexuais, a fricção da vagina com tecidos e até mesmo a prática de esportes como o ciclismo e o hipismo podem desencadear o evento.

Apesar de ocorrer em mulheres de todas as idades, existem alguns fatores que podem contribuir para o desenvolvimento da condição. Fatores genéticos, sensibilidade fora do comum à dor, disfunção dos músculos do assoalho pélvico, quadros diversos de alergia, candidíase de repetição, doenças sexualmente transmissíveis não tratadas e condições degenerativas de músculos e ossos próximos ao órgão sexual são alguns dos fatores de risco observados.

Outro fator constatado é o histórico de episódios traumatizantes da paciente, em especial quando a mulher já sofreu de abusos sexuais. Entenda mais sobre a relação entre a vulvodínia, as doenças psicológicas e a alimentação:

Vulvodínia e doenças psicológicas

Diversos estudos apontam a relação da vulvodínia com condições psicológicas adversas. Traumas na infância, ansiedade, depressão e altos níveis de estresse podem provocar o desenvolvimento da doença. Portanto, quando se constata que a enfermidade ocorre devido a determinado quadro psicológico, o tratamento geralmente envolve também um especialista nessa área.

Vulvodínia x Nutrição

Outra linha de estudo para explicar a vulvodínia é apontar a sua relação com a dieta. Dietas com cargas elevadas de oxalato de cálcio podem fazer com que a urina se torne incômoda para a pele da região genital. Este tipo de substância é encontrada em abundância, por exemplo, no chocolate, no chá preto, no salsão e nos tomates em conserva.

Tipos de vulvodínia

A condição pode ser observada e classificada em diferentes formas. Ela pode ser classificada como “provocada“, quando é causada por agentes externos, como toques e estímulos na vagina, ou como “espontânea“, quando surge sem apresentar um causador claro.

Além disso, também pode ser classificada como “generalizada“, quando a sensação de dor se estende por toda a vagina, ou “localizada“, quando atinge um ponto específico do órgão sexual feminino.

De todos os casos observados, o episódio de vulvodínia mais comum é o espontâneo e generalizado, ou seja, atinge toda a vulva e não apresenta causa aparente. Por outro lado, a vulvodínia provocada geralmente apresenta dor e incômodo localizado. Isso porque ela ocorre principalmente após as relações sexuais, exames ginecológicos e práticas esportivas.

Principais sintomas

O sintoma mais característico da vulvodínia é a dor crônica (persistente e que não apresenta melhora) ou passageira na vulva, causada por uma sensação de queimação. São observadas também coceira na região genital, dor pélvica intensa e ardência. Esses sintomas podem surgir ou se intensificar durante ou após o ato sexual ou masturbação. Também podem ser sentidos com maior intensidade após a inserção de absorventes internos. Os principais sintomas relatados pelas pacientes incluem:

  • Dor crônica no clitóris ou em toda a zona genital
  • sensação de calor nos genitais
  • queimação e ardência
  • coceira na vulva.

Como é feito o diagnóstico

Ao contrário das infecções bacterianas e doenças sexualmente transmissíveis, a vulvodínia caracteriza-se como uma condição ginecológica de difícil diagnóstico.

Após observação dos sintomas, outras doenças serão levadas em consideração inicialmente. Assim, a vulvodínia faz parte do chamado “diagnóstico de exclusão”, sendo necessário eliminar a possibilidade de outras causas possíveis antes de ser confirmado o diagnóstico.

Inicialmente será observado o histórico da paciente. De seguida pode ser solicitado um exame de sangue, urina, e uma coleta de material do colo uterino. Todos estes procedimentos buscam inicialmente identificar outras doenças que estão causando o incômodo na mulher.

Como a vulvodínia também pode estar relacionada a um quadro emocional e até mesmo a hábitos alimentares, a confirmação do diagnóstico geralmente envolve a participação de médicos de outras áreas, além da ginecologia.

Como é feito o tratamento

A vulvodínia é uma doença que não possui cura. No entanto, existem diversos tratamentos para amenizar a dor e devolver qualidade de vida à paciente. Para isso, é preciso um diagnóstico preciso para identificar o agente causador. Uma vez identificado, é possível escolher a melhor abordagem para combater a condição.

Geralmente, o tratamento da vulvodínia é multidisciplinar, envolvendo diversas técnicas. Existem remédios e medicamentos tópicos que irão combater a dor imediatamente. Porém, para se obterem resultados positivos a longo prazo é preciso adotar outras medidas.

Psicológico: Nos casos em que o agente causador é emocional, por exemplo, é preciso buscar terapia e, se necessário, fazer o uso de antidepressivos e ansiolíticos.

Dieta: Quando a alimentação é a causa do problema, é necessário uma reeducação alimentar acompanhada por um nutricionista.

Fisioterapia pélvica: Para fortalecer os músculos do assoalho pélvico podem ser feitas sessões de fisioterapia. Este tratamento, que procura dar mais controle da mulher sob seus próprios músculos, poderá envolver técnicas de eletroterapia analgésica, respiração, relaxamento, contração muscular, biofeedback de eletromiografia (EMG) e massagens em pontos específicos, como por exemplo o períneo.

Em casos mais extremos pode ser necessária a intervenção cirúrgica, para a remoção das terminações nervosas localizadas na área. Uma das técnicas cirúrgicas realizadas nestes casos é a vestibulectomia. No entanto, vale lembrar que a necessidade de cirurgia é uma situação extremamente rara.

Remédios

Os medicamentos usados no alivio da vulvodínia podem incluir:

Cremes e pomadas: Geralmente são indicados para o alívio da queimação e irritação presentes na zona externa da vagina. Um dos exemplos é a Lidocaína, uma pomada anestésica usada para uso tópico intravaginal, que atua na redução da sensibilidade local.

Antidepressivos: Os antidepressivos com propriedades sedativas podem ajudar no alívio dos sintomas originados por alguns quadros emocionais. Geralmente são eficazes como terapia para dores crônicas sem causa conhecida. Um dos exemplos inclui o Cloridrato de Amitriptilina.

Analgésicos: Estão recomentados para a redução da dor e sensibilidade presente na região genital externa. A Gabapentina é um exemplo.

Importante! Nunca pare de tomar os medicamentos prescritos e nunca tome remédios sem o conselho de um médico.

Como prevenir

Existem algumas medidas que podem ser tomadas para evitar o desenvolvimento da vulvodínia ou para minimizar a dor causada pela doença. Sabonetes íntimos neutros, por exemplo, são indicados em diversas doenças que afetam a vagina, e podem reduzir o incômodo gerado pela vulvodínia. Roupas mais soltas e de algodão também ajudam, já que são mais confortáveis e não irritam a pele da região genital. Por último, é importante manter a lubrificação vaginal durante a relação sexual com a ajuda de lubrificantes naturais, como o óleo de coco.

Quando consultar o médico

A ajuda médica deve ser solicitada sempre que for notada dor vulvar constante, principalmente durante e após as relações sexuais. Quando isso ocorre é importante a mulher consultar um ginecologista e ter em mente que o diagnóstico poderá envolver especialistas de outras áreas.

VOLTAR PARA »

Referências
  • The National Vulvodynia Association
    https://www.nva.org/what-is-vulvodynia/
  • Mayo Clinic
    https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/vulvodynia/symptoms-causes/syc-20353423
  • WebMD
    https://www.webmd.com/women/guide/vulvodynia
  • ACOG
    https://m.acog.org/Patients/FAQs/Vulvodynia
  • NCBI
    https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4014358/
A informação foi útil? Sim / Não

Ajude-nos a melhorar a informação do Educar Saúde.

O texto contém informações incorretas? Está faltando a informação que você está procurando? Se ficou com alguma dúvida ou encontrou algum erro escreva-nos para que possamos verificar e melhorar o conteúdo. Não lhe iremos responder diretamente. Se pretende uma resposta use a nossa página de Contato.


Nota: O Educar Saúde não é um prestador de cuidados de saúde. Não podemos responder a perguntas de saúde ou aconselhá-lo nesse sentido.

Vulvodínia: o que fazer para a…